שמע ישראל י-ה-ו-ה אלקינו י-ה-ו-ה אחד
Shemá Yisrael Adonai Elohêinu Adonai Echad
Mostrando postagens com marcador Dialética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dialética. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de dezembro de 2010

Como entender as aparentes contradições da Bíblia?. Parte I

Atenas ou Jerusalém?




As Escrituras estão cheias de paradoxos, ou seja, de aparentes contradições. Um site encontrou nada menos que 143 contradições. 
O questão é como interpretar tais paradoxos? 
As ferramentas para interpretá-los são nossas mentes, nossos modos de pensamento, e para questão comparativas vão pré supor que existem dois tipos de pensamentos: o pensamento ocidental de origem greco-platônica e o pensamento oriental principalmente do oriente médio. 
Como habitantes da América Latina, estamos parcialmente posicionados dentro do primeiro tipo de pensamento, o Ocidental. Para nós, descendentes dos herdeiros da mente grega (Europeus), as coisas são brancas ou pretas, não há nada que possa ser, ao mesmo tempo, tanto branco quanto preto sendo que para o nosso tipo de mente, este aspecto seria "irracional", "ilógico". Esta situação origina-se de Atenas de 2.400 anos atrás, onde a mente grega, da qual a civilização ocidental é herdeira, era uma mente eminentemente prática e clara, na realidade, a clareza das idéias era a sua característica mais saliente, essa clareza da mente trouxe como corolário a criação da ciência moderna e da investigação científica, onde a razão se elevou até se tornar como uma religião do Ocidente, um Ocidente pós-cristão, tendo os cientistas, especialmente médicos e psicólogos, como os seus profetas e sacerdotes, respectivamente, por sua vez, a exaltação da mente resultou na exaltação do homem, possuidor de tal  mente e assim a mente do homem tornou-se um deus, e a ciência sua religião. O século XX e especialmente o século XXI é um claro herdeiro de tudo isso.

O cristianismo não nasceu nem se fundou para ser uma religião separada e antagônica do judaísmo, na realidade, não existe um Cristianismo Gentio tal como entendemos atualmente, o que existe, pelo menos aos olhos do SENHOR segundo Romanos 11:17 é o judaísmo messiânico ou melhor enquadrado como judaísmo transcultural que rompe com as barreiras humanas impostas pelos hebreus praticantes do judaísmo, um Judaísmo tal no qual o Messias Judeu, prometido ao povo judeu nas escrituras judaicas (Jer. 31:31-33), transfere de local a Toráh (Instruções), que antes estavam escritas fora do homem, em pedras, e sendo praticamente impossíveis de serem praticadas por serem elas espirituais (Rm. 7) e o homem por sua inclinação má exacerbada após a queda, carnal, mas agora por meio do Mashiach Yeshua, tais instruções são escritas dentro de nós (Jer. 31:32).
Quando Shaul (Paulo) diz em Rom. 6:14: "... porque não estamos debaixo da Toráh (Instruções de Deus ("Lei"), mas debaixo da graça" o que ele está dizendo é que não estamos debaixo da Toráh externa apenas aparente, mas sim que estamos debaixo da Torah interna a Torah do Mashiach conforme Gálatas 6:2 que não é outra Torah, diferente daquela recebida no Sinai, mas a mesma Torah que apenas mudou de lugar, que saiu das pedras e foi gravadas nos corações e mentes dos homens.

Foi somente por volta do ano 97 E.C., em que os gentios começaram a ser maioria, e portanto, a tomar as rédeas do poder e mudar os verdadeiros fundamentos da fé do Rabino Yeshua (Yeshua por mais de 58 vezes é chamado de "Rabi" , Rabino ou de Mestre nas Escrituras). Até então, o Judaísmo Messiânico não era uma religião separada e antagônica do judaísmo, mas a continuação dele, em Atos (24:5) é chamado de "seita dos nazarenos", isto é, uma seita mas dentro do judaísmo, como eram os prushím ("fariseus") e Tzukim ("Saduceus").
Christóu palavra (Cristo), por exemplo, é apenas a tradução grega do termo hebraico Mashiach (Messias = o ungido), mas o termo grego já vem carregado de significância, pois nos templos greco-romanos era costume se ungir as sacerdotisas e virgens (vestais) para iniciá-las nos serviços dos templos.

Não podemos esquecer que a Nova Aliança foi feita com a"beit” (linhagem, casa, família) de Israel e a Casa de Judá conforme (Jeremias 31:32, Heb. 8:10), ou seja, com o mesmo povo judeu com quem Elohim fez o Pacto Mosaico, em outras palavras, o D-us de Israel fez a Nova Aliança com o povo judeu e depois presenteou os gentios! Quem quer se ligar à Elohim o D-us de Israel e ao Mashiach de Israel deve ser enxertado na Oliveira conforme (Romanos 11), já que não há uma árvore para cada povo, uma para os judeus aqui, e uma para os gentios em outro lugar a Igreja constituída e institucionalizada infelizmente criou uma árvore imaginária e atua como se esta árvore estivesse florescendo!

Influenciados pelo anti-judaísmo e anti-semitismo introduzidos pelos Padres da Igreja, esta cometeu, neste sentido, um erro cujos efeitos são sentidos até os dias hoje. Infectados pelos filósofos gregos, especialmente por Aristóteles e Platão, a Igreja se afastou de suas verdadeiras raízes judaicas, se rendendo ao pensamento de Atenas, justamente para ficar longe de tudo que fosse judaico, ao fazê-lo, tomou uma série de rolos de couro escrito em hebraico (as Escrituras judaicas, o chamado “Antigo Testamento", 78 % dela) e em papiro (22 % dela, o chamado “ Novo Testamento”); Estas Escrituras era um material estritamente Oriental, escrita por orientais para orientais, no entanto foi adicionada a elas uma capa Ocidental e um "par de óculos" Ocidentais para que através deles o leitor fizesse a leitura, e os efeitos desta decisão continuam a afetar a maneira de se compreender as Escrituras, sendo que o equivoco de se tirar o contexto oriental da compreensão tem alcançado os nossos dias.

A pergunta que é feita é : Podemos demonstrar a contraposição do modo de pensar Oriental e do Ocidental ?
Acreditamos que uma das melhores maneiras de entender o que estamos tentando dizer é dar um exemplo. A Dialética (Pilpul em hebraico) é um método de ensino no qual 34 Talmidin (discípulos) discorrem suas opiniões e são confrontados com a tarefa de correlacionar todas estas opiniões conflitantes. O Pilpul é altamente dialético, isto é, contraditório e analógico, manejando as mesmas contradições como parte da educação, para treinar as mentes das crianças judias na gestão de paradoxos e vários pontos de vistas simultâneos e contraditórios. Esse tipo de pensamento, dialético e analógico (que trabalha com alusões e reconhecimento das semelhanças) é o mesmo pensamento de Elohim evidenciado em Suas Escrituras, embora tendemos a erroneamente chamar de "pensamento judeu" e associá-lo a Jerusalém. O segundo exemplo é tirado do pensamento helenista e Ocidental, que é essencialmente binário (sim ou não) e não tem lugar para "sins" que podem ser simultaneamente "nãos" e tendemos à associá-lo com Atenas.

Vamos ver então.

A lição de Pilpul (Dialética ou Debate)

"Um gentio queria aprender o sistema de estudo dos judeus chamada Pilpul. O Rabino o desanimava dizendo-lhe que nunca entenderia, mas o gentio persistiu e finalmente o rabino levantou o seguinte paradoxo: "Dois homens caíram de um lareira, um deles caiu sujo e outro limpo. Qual deles foi se lavar?" “O sujo é claro!", disse o gentio. "Incorreto", disse o rabino "O sujo viu o limpo e pensou: Incrível nenhum de nós se sujou, mas o limpo viu o sujo e supondo que ambos se sujaram foi se lavar". O gentio sorriu satisfeito:".. Ah agora entendi"." Não! Você não entendeu ", disse o rabino." Eu vou fazer a seguinte pergunta: "Dois homens caíram de uma chaminé, um caiu limpo e o outro sujo, qual deles foi se lavar? " O gentio disse, "Bem, esta pergunta já me foi feita antes." "Não!" disse o rabino. "O primeiro estava sujo. Qual deles foi se lavar?" "O limpo", disse o gentio. "Errado de novo!" disse o rabino. . "O sujo viu ao limpo e disse para si mesmo: Como é estranho que ele não tenha se sujado, e ao ver suas mãos e braços sujos ele foi se lavar". "E agora a terceira questão. Dois homens caíram de uma lareira. Um estava sujo e o outro limpo. Qual dos dois foi se lavar?" O gentio, já confuso disse: "Eu não sei o que dizer, se foi o limpo ou o sujo". "Nenhum!" respondeu o rabino. "Isto é absolutamente ridículo!" "Como duas pessoas podem cair juntas de uma lareira e uma sai limpa e outra sai suja?" (Share The New Life With a Jew, by Moishe and Cecil Rosen, Moody Press, 1976, págs. 47-48).(Extraído com permissão escrita do autor)
Este trecho como dissemos anteriormente é um exemplo de pensamento analógico de Elohim que não é uma maneira de pensar linear e de forma binária, não está vinculada a uma lógica frágil e mecânica, que pode quebrar ao menor crack, mas é tão forte que ele pode suportar três soluções simultâneas e contraditórias entre si, sem que nossa mente seja afetada. Se lermos atentamente uma segunda vez, podemos ver como o gentio ao ouvir a explicação do rabino, acredita "entender", quando na realidade apenas está ouvindo uma das três explicações simultaneamente contraditórias que vem. Está claro que, quando o rabino faz a mesma pergunta pela terceira vez, o gentio está totalmente confundido e não sabe o que responder, sem mencionar a confusão mental que deve ter sentido quando o rabino dá a última "explicação", a única com lógica binária (sim / não) das três. Compartilhando o dilema do gentio perguntamos aos leitores, realmente como duas pessoas podem cair juntos por uma chaminé, uma sai limpa e uma sai suja? Se não aprendermos a lidar com um tipo de pensamento paradoxal e contraditório como este, será quase impossível de compreender - na prática - as Escrituras!

Quando a Congregação Messiânica de nosso Rabino Yeshúa abandonou suas raízes judaicas e se converteu contra a vontade de Elohim, como podemos ver em Romanos 11:17, em uma religião separada e até mesmo anti-semitas se formou uma lacuna conceitual e o pensamento dialético e analógico do Escritor das Escritura deixou de fazer parte da Igreja sendo substituído pelo pensamento binário de Atenas. O principal problema é que agora temos As Escrituras que foram escritas em Jerusalém que queremos, a todo custo, ler com óculos atenienses! O resultado direto dessa atitude é a mesma experimentada pelo gentio da história anterior: confusão mental, incapacidade de gerir os paradoxos e contradições aparentes e, como corolário desta, sérias dificuldades em interpretar as Escrituras corretamente.
Acreditamos que o autor da Escritura quer por fim nesta situação ele quer que a Igreja retornar às suas raízes originais, as raízes judaicas, quando isto ocorrer, Judeus e Gentios terão que se sentar junto para jogar um jogo duas vezes por milênio, onde os judeus são os portadores do tabuleiro e as gentios das peças! Separados não pode jogar, mas juntos descobrirão que tudo combina!

continua.....

Por Julio Dam
Rabino Messiânico.
Traduzido e adaptado por Metushelach Cohen
Faça um blogueiro feliz, Comente porfavooooooooooooor