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Shemá Yisrael Adonai Elohêinu Adonai Echad

domingo, 25 de julho de 2010

Passeio na História: Os cristãos da Igreja primitiva ensinavam que D-us é uma trindade?

De aproximadamente meados da morte do último discípulo, até o fim do segundo século DC, surgiram eclesiásticos que são hoje conhecidos por apologistas. Escreveram para defender o cristianismo, que eles conheciam, das filosofias hostis prevalecentes no mundo romano daquela época. Sua obra apareceu perto do fim, e depois, do período dos escritos dos Pais Apostólicos.

Justino, o Mártir, Taciano, Atenágoras, Teófilo e Clemente, de Alexandria, estavam entre os apologistas que escreveram em grego. Tertuliano foi um apologista que escreveu em latim. Será que ensinavam a Trindade — três pessoas co-iguais (Pai, Filho e Espírito Santo) numa Divindade, cada pessoa um D-us verdadeiro, sem que haja, contudo, três D-uses, mas apenas um D-us?

"O Filho É Subordinado"

O Dr. H. R. Boer, em sua obra A Short History of the Early Church (Breve História da Primitiva Igreja), comenta o objetivo principal do ensino dos apologistas:

"Justino [o Mártir] ensinou que antes da criação do mundo D-us estava sozinho e não existia nenhum Filho. . . . Quando D-us desejou criar o mundo, . . . gerou outro ser divino para criar o mundo para ele. Esse ser divino foi chamado . . . Filho, porque nasceu; foi chamado Logos, porque foi tomado da Razão ou Mente de D-us. . . .

"Justino e os outros apologistas, portanto, ensinavam que o Filho é uma criatura. Ele é uma criatura elevada, uma criatura suficientemente poderosa para criar o mundo, mas, não obstante, uma criatura. Na teologia, esta relação do Filho com o Pai se chama subordinacionismo. O Filho é subordinado, isto é, secundário ao Pai, dependente dele e causado por ele. Os apologistas eram subordinacionistas."1

A respeito do entendimento mais antigo sobre a relação do Filho com D-us, o Dr. Martin Werner, em sua obra The Formation of Christian Dogma (A Formação do Dogma Cristão), diz o seguinte:

"Essa relação foi entendida inequivocamente como de 'subordinação', i.e., no sentido de subordinação de Cristo a D-us. Toda vez que no Novo Testamento se considera a relação de Jesus com D-us, o Pai, . . . ela é imaginada e representada categoricamente como subordinação. E o mais decisivo subordinacionista do Novo Testamento, segundo o relato sinóptico, foi o próprio Jesus . . . Essa posição original, firme e manifesta como era, pôde ser mantida por muito tempo. 'Todos os grandes teólogos pré-Nicéia representaram a subordinação do Logos a D-us.'"2

Concordando com isso, R. P. C. Hanson, na obra The Search for the Christian Doctrine of God (A Busca da Doutrina Cristã Sobre D-us), declara:

"Não há teólogo na Igreja Oriental ou Ocidental antes da erupção [no quarto século] da Controvérsia Ariana que de algum modo não considere o Filho subordinado ao Pai."3

O Dr. Alvan Lamson, em The Church of the First Three Centuries (A Igreja dos Primeiros Três Séculos), acrescenta este testemunho a respeito do ensino das autoridades eclesiásticas antes do Concílio de Nicéia (325 DC):

"A inferioridade do Filho foi geralmente, se não de modo uniforme, afirmada pelos Pais Pré-Nicéia . . . Que eles consideravam o Filho distinto do Pai é evidente do fato de que afirmavam claramente a inferioridade dele. . . . Eles o consideravam separado e subordinado."4

Da mesma forma, no livro Gods and the One God (D-uses e o Único D-us), Robert M. Grant diz o seguinte sobre os apologistas:

"A cristologia das apologias, como a do Novo Testamento, é essencialmente subordinacionista. O Filho é sempre subordinado ao Pai, que é o único D-us do Velho Testamento. . . . O que encontramos nesses autores antigos, pois, não é uma doutrina da Trindade . . . Antes de Nicéia, a teologia cristã era quase universalmente subordinacionista."5

A Trindade supostamente cristã ensina que o Filho é igual a D-us, o Pai, em eternidade, poder, posição e sabedoria. Mas os apologistas diziam que o Filho não era igual a D-us, o Pai. Eles consideravam o Filho subordinado. Este não é o ensino da Trindade.

Reflexo do Ensino do Primeiro Século

Os apologistas e outros antigos Pais da Igreja refletiam em grande medida o que os cristãos do primeiro século ensinavam sobre a relação entre o Pai e o Filho. Note como isto é expresso no livro The Formation of Christian Dogma:

"Na primitiva era cristã, não havia nenhum sinal de espécie alguma de problema ou controvérsia trinitária, como a que mais tarde produziu violentos conflitos na Igreja. A razão disso sem dúvida está em que, para o cristianismo primitivo, Cristo era . . . um ser do elevado mundo celestial de anjos, que foi criado e escolhido por D-us para a tarefa de trazer, no fim das eras, . . . o Reino de D-us."6

Além disso, a respeito do ensino dos primitivos Pais da Igreja, The International Standard Bible Encyclopedia (Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão) admite:

"No pensamento mais antigo da Igreja, a tendência, ao se falar sobre D-us, o Pai, é entender que Ele é primeiro, não como o Pai de Jesus Cristo, mas como a origem de todo ser. Assim, D-us, o Pai, é como que D-us por excelência. A Ele pertencem descrições tais como sem origem, imortal, imutável, inefável, invisível e incriado. Foi Ele quem fez todas as coisas, incluindo a própria matéria da criação, a partir do nada...
"Isto pode parecer sugerir que o Pai é o único devidamente D-us, e que o Filho e o Espírito o são apenas secundariamente. Muitas afirmações antigas parecem apoiar isto."7

Embora esta enciclopédia passe a desacreditar essas verdades e a afirmar que a doutrina da Trindade era aceita naquela época antiga, os fatos negam essa afirmação. Considere as palavras do Cardeal John Henry Newman, famoso teólogo católico:

"Admitamos que todo o círculo de doutrinas, das quais nosso Senhor é o tema, foi coerente e uniformemente confessado pela Primitiva Igreja . . . Mas certamente é diferente com a doutrina católica da Trindade. Não vejo em que sentido se pode dizer que há um consenso das primitivas [autoridades eclesiásticas] em seu favor . . .

"Os Credos daquela época primeva não fazem menção . . . da [Trindade] de forma alguma. Fazem menção, sim, de um Três; mas quanto a existir algum mistério na doutrina, que os Três são Um, que Eles são co-iguais, co-eternos, todos incriados, todos onipotentes, todos incompreensíveis, não está declarado e jamais se poderia deduzir deles."8

O Que Justino, o Mártir, Ensinava

Um dos mais antigos apologistas foi Justino, o Mártir, que viveu de cerca de 110 a 165 DC. Nenhum de seus escritos existentes menciona três pessoas co-iguais em um só D-us.

Por exemplo, segundo A Bíblia de Jerusalém, uma versão católica, Provérbios 8:22-30 diz a respeito do pré-humano Jesus: "Iahweh me criou, primícias de sua obra, de seus feitos mais antigos. . . . Quando os abismos não existiam, eu fui gerada . . . Antes das colinas, eu fui gerada . . . Eu estava junto com ele [D-us] como mestre-de-obras." Considerando estes versículos, Justino diz no seu Diálogo com Trífon:

"A Escritura declara que essa Prole foi gerada pelo Pai antes de serem criadas todas as outras coisas; e que aquilo que é gerado é numericamente distinto daquele que gera, isso qualquer pessoa admitirá."9

Visto que o Filho nasceu de D-us, Justino usa, de fato, a expressão "D-us" com relação ao Filho. Ele declara na sua Primeira Apologia: "O Pai do universo tem um Filho; que, também, sendo o primogênito Verbo de D-us, é D-us mesmo."10

A Bíblia também se refere ao Filho de D-us pelo título de "D-us". Em Isaías 9:6, ele é chamado "D-us Poderoso". Mas, na Bíblia, anjos, humanos, D-uses falsos e Satanás também são chamados "D-uses". (Anjos: Salmo 8:5; compare com Hebreus 2:6, 7. Humanos: Salmo 82:6. D-uses falsos: Êxodo 12:12; 1 Coríntios 8:5. Satanás: 2 Coríntios 4:4.) Nas Escrituras Hebraicas, a palavra para "D-us", ´El, simplesmente significa "Poderoso" ou "Forte". Nas Escrituras Gregas, o equivalente é the•ós.

Além disso, o termo hebraico usado em Isaías 9:6 mostra uma distinção definida entre o Filho e D-us. Ali, o Filho é chamado "D-us Poderoso", ´El Gib•bóhr, não "D-us Todo-Poderoso". Esse termo em hebraico é ´El Shad•daí, e aplica-se unicamente a Iahweh, o Pai.

Note, porém, que, ao passo que Justino chama de "D-us" ao Filho, nunca diz que o Filho seja um de três pessoas iguais, sendo cada um deles D-us, mas formando os três apenas um D-us. Em vez disso, ele diz em seu Diálogo com Trífon:

"Há . . . outro D-us e Senhor [o pré-humano Jesus] sujeito ao Criador de todas as coisas [D-us Todo-Poderoso]; que [o Filho] é chamado também de Anjo, porque Ele [o Filho] anuncia aos homens o que quer que o Criador de todas as coisas — acima de quem não há outro D-us — deseja que lhes anuncie. . . .

"[O Filho] é distinto Daquele que fez todas as coisas, — numericamente, quero dizer, não [distinto] na vontade."11

Há uma passagem interessante na Primeira Apologia de Justino, no capítulo 6, em que ele faz uma defesa contra a acusação da parte dos pagãos de que os cristãos são ateístas. Ele escreve:

"Tanto Ele [D-us] como o Filho (que se originou Dele e nos ensinou estas coisas, e a hoste de outros anjos bons que o seguem e são feitos semelhantes a Ele), e o Espírito profético, veneramos e adoramos."12
Um tradutor desta passagem, Bernhard Lohse, comenta: "Como se não bastasse que nesta enumeração os anjos sejam mencionados como seres honrados e adorados por cristãos, Justino não hesita em citar anjos antes de mencionar o Espírito Santo".13 — Veja também An Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio Sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã).14

Assim, ao passo que Justino, o Mártir, parece ter-se desviado da doutrina pura da Bíblia na questão sobre quem deve ser objeto de adoração por parte do cristão, ele claramente não considerava o Filho igual ao Pai, assim como os anjos não eram considerados iguais a Ele. A respeito de Justino, citamos de novo da obra de Lamson, The Church of First Three Centuries:

"Justino considerava o Filho distinto de D-us, e inferior a ele: distinto, não no sentido moderno, como se formasse uma das três hipóstases, ou pessoas, . . . mas distinto na essência e na natureza; com subsistência real, substancial, distinta de D-us, de quem ele derivou todos os seus poderes e títulos; constituído debaixo dele, e sujeito à vontade dele em todas as coisas. O Pai é supremo; o Filho é subordinado: o Pai é a fonte do poder; o Filho, o recipiente: o Pai origina; o Filho, como seu ministro ou instrumento, executa. Eles são dois em número, mas concordam, ou são um, na vontade; a vontade do Pai sempre prevalece sobre a do Filho."15

Além disso, em parte alguma diz Justino que o espírito santo seja uma pessoa igual ao Pai e ao Filho. Portanto, em nenhum sentido se pode dizer honestamente que Justino ensinava a Trindade conforme é ensinada atualmente nas igrejas que se dizem cristãs.

O Que Clemente Ensinava

Clemente, de Alexandria, (c. 150 a 215 DC) também chama o Filho de "D-us". Ele até mesmo o chama de "Criador", um termo nunca usado na Bíblia com referência a Jesus. Queria ele dizer que o Filho era igual em todos os sentidos ao todo-poderoso Criador? Não. Clemente referia-se evidentemente a João 1:3, onde diz a respeito do Filho: "Todas as coisas vieram à existência por intermédio dele."16 D-us usou o Filho como agente nas Suas obras criativas. — Colossenses 1:15-17.

Clemente chama o Supremo D-us de "o D-us e Pai de nosso Senhor Jesus",17 e diz que "o Senhor é o Filho do Criador".18 Ele diz também: "O D-us de todos é apenas um Criador bom e justo, e o Filho [está] no Pai."19 Portanto, ele escreveu que o Filho tem um D-us acima dele.

Clemente fala a respeito de D-us como o "primeiro e único provedor da vida eterna, que o Filho, que a recebeu Dele [D-us], nos dá."20 O Doador da vida eterna é claramente superior àquele que, por assim dizer, é o transmissor. Assim, Clemente diz que D-us "é o primeiro, e o mais elevado".21 Além do mais, ele diz que o Filho "está mais próximo Daquele que é unicamente o Todo-Poderoso" e que o Filho "pede todas as coisas em harmonia com a vontade do Pai".22 Vez após vez, Clemente mostra a supremacia do D-us Todo-Poderoso sobre o Filho.

A respeito de Clemente, de Alexandria, lemos o seguinte em The Church of the First Three Centuries:

"Poderíamos citar numerosas passagens de Clemente em que a inferioridade do Filho é distintamente afirmada. . . .

"Ficamos espantados de que qualquer pessoa que leia Clemente com atenção normal possa imaginar por um único instante que ele considerasse o Filho numericamente idêntico — um — com o Pai. Sua natureza dependente e inferior, conforme se parece a nós, é reconhecida em toda a parte. Clemente acreditava que D-us e o Filho eram numericamente distintos; em outras palavras, dois seres — um supremo, o outro subordinado."23

Além disso, pode-se dizer de novo: mesmo que às vezes Clemente pareça ir além daquilo que a Bíblia diz a respeito de Jesus, em parte alguma fala de uma Trindade composta de três pessoas iguais em um só D-us. Apologistas como Taciano, Teófilo e Atenágoras, que viveram entre a época de Justino e a de Clemente, tinham conceitos similares. Lamson diz que "não eram melhores trinitaristas do que o próprio Justino; isto é, não acreditavam num Três indivisível, co-igual, mas ensinavam uma doutrina totalmente inconciliável com essa crença".24
A Teologia de Tertuliano

Tertuliano (c. 160 a 230 DC) foi o primeiro a usar a palavra latina trinitas. Conforme observado por Henry Chadwick, Tertuliano propôs que D-us é 'uma substância que consiste em três pessoas'.25 Isto não significa, porém, que tivesse em mente três pessoas co-iguais e co-eternas. Entretanto, suas idéias foram usadas como ponto de partida por escritores posteriores que elaboravam a doutrina da Trindade.

O conceito de Tertuliano sobre Pai, Filho e espírito santo era bem diferente da Trindade da cristandade, pois ele era subordinacionista. Ele considerava o Filho subordinado ao Pai. Na obra Against Hermogenes (Contra Hermógenes), ele escreveu:

"Não devemos supor que haja algum outro ser, exceto unicamente D-us, que seja não gerado e incriado. . . . Como pode algo, exceto o Pai, ser mais velho, e por isso deveras mais nobre, do que o Filho de D-us, o Verbo unigênito e primogênito? . . . Esse [D-us] que não precisou de um Criador para lhe dar existência, será muito mais elevado em categoria do que [o Filho] que teve um autor que o trouxe à existência."26
Também, na obra Against Praxeas, ele mostra que o Filho é diferente do Todo-Poderoso D-us e é subordinado a ele, ao dizer:

"O Pai é a inteira substância, mas o Filho é uma derivação e parcela do todo, conforme Ele Próprio reconhece: 'Meu Pai é maior do que eu.' . . . Assim, o Pai é distinto do Filho, sendo maior do que o Filho, visto que um é Aquele que o gera e outro Aquele que é gerado; também, um é Aquele que envia, e outro Aquele que é enviado; e, além disso, Aquele que cria é um, e Aquele por meio de quem a coisa é feita é outro."27

Tertuliano, em Against Hermogenes, declara além disso que houve tempo em que o Filho não existia como pessoa, mostrando que ele não considerava o Filho um ser eterno no mesmo sentido que D-us era.28 O Cardeal Newman disse: "Tertuliano deve ser considerado heterodoxo [crente em doutrinas não ortodoxas] na doutrina sobre a geração eterna de nosso Senhor."29 A respeito de Tertuliano, Lamson declara:

"Essa razão, ou o Logos, como foi chamado pelos gregos, foi mais tarde, segundo acreditava Tertuliano, mudado para o Verbo, o Filho, isto é, um ser real, tendo existido desde a eternidade apenas como um atributo do Pai. Tertuliano atribuiu a ele, porém, uma categoria subordinada ao Pai . . .

"A julgar por qualquer explicação geralmente aceita da Trindade da atualidade, seria inútil tentar salvar Tertuliano da condenação [como herege]. Ele não suportaria o teste nem sequer um momento."30

Não Há Trindade

Se lesse todas as palavras dos apologistas, descobriria que, embora se tenham desviado em alguns pontos dos ensinos da Bíblia, nenhum deles ensinava que o Pai, o Filho e o espírito santo eram co-iguais em eternidade, poder, posição e sabedoria.

O mesmo se dá também com respeito a outros escritores do segundo e terceiro séculos, tais como Irineu, Hipólito, Orígenes, Cipriano e Novaciano. Embora alguns tenham igualado o Pai e o Filho em certos respeitos, em outros eles consideravam o Filho subordinado a D-us, o Pai. E nenhum deles sequer especulou que o espírito santo fosse igual ao Pai e ao Filho. Por exemplo, Orígenes (c. 185 a 254 EC) declara que o Filho de D-us é "o Primogênito de toda a criação" e que as Escrituras "conhecem a Ele como a mais antiga das obras de criação".31

Uma leitura objetiva dessas antigas autoridades eclesiásticas mostra que a doutrina da Trindade, ensinada atualmente pelos líderes das igrejas que se dizem cristãs, não existia no seu tempo. Conforme diz a obra The Church of the First Three Centuries:
"A moderna doutrina popular da Trindade . . . não deriva apoio da linguagem de Justino: e esta observação pode ser estendida a todos os Pais Pré-Nicéia; isto é, a todos os escritores cristãos durante três séculos após o nascimento de Cristo. É verdade que falam do Pai, do Filho e do Espírito profético ou santo, mas não como co-iguais, não como uma só essência numérica, não como Três em Um, sentidos hoje aceitos pelos trinitaristas. O diametralmente oposto é a realidade. A doutrina da Trindade, segundo explicada por esses Pais, era essencialmente diferente da doutrina moderna. Isto afirmamos como fato tão irrefutável como qualquer fato da história das opiniões humanas."32

Na realidade, antes de Tertuliano, a Trindade nem sequer era mencionada. E a Trindade "heterodoxa" de Tertuliano era muito diferente daquilo que se crê hoje. Como, então, se desenvolveu a doutrina da Trindade, segundo se entende hoje? Foi no Concílio de Nicéia, em 325 EC?

Referências:

1. A Short History of the Early Church, de Harry R. Boer, 1976, página 110.
2. The Formation of Christian Dogma, de Martin Werner, 1957, página 125.
3. The Search for the Christian Doctrine of God, de R. P. C. Hanson, 1988, página 64.
4. The Church of the First Three Centuries, de Alvan Lamson, 1869, páginas 70-1.
5. Gods and the One God, de Robert M. Grant, 1986, páginas 109, 156, 160.
6. The Formation of Christian Dogma, páginas 122, 125.
7. The International Standard Bible Encyclopedia, 1982, Volume 2, página 513.
8. An Essay on the Development of Christian Doctrine, do Cardeal John Henry Newman, Sexta Edição, 1989, páginas 14-18.
9. The Ante-Nicene Fathers, editado por Alexander Roberts e James Donaldson, Reimpressão Americana da Edição de Edimburgo, 1885, Volume I, página 264.
10. Ibid., página 184.
11. Ibid., página 223.
12. Ibid., página 164.
13. A Short History of Christian Doctrine, de Bernhard Lohse, traduzido do alemão para o inglês por F. Ernest Stoeffler, 1963, segunda edição em brochura, 1980, página 43.
14. An Essay on the Development of Christian Doctrine, página 20.
15. The Church of the First Three Centuries, páginas 73-4, 76.
16. The Ante-Nicene Fathers, Volume II, página 234.
17. Ibid., página 227.
18. Ibid., página 228.
19. Ibid.
20. Ibid., página 593.
21. Ibid.
22. Ibid., página 524.
23. The Church of the First Three Centuries, páginas 124-5.
24. Ibid., página 95.
25. The Early Church, de Henry Chadwick, impressão de 1980, página 89.
26. The Ante-Nicene Fathers, Volume III, página 487.
27. Ibid., páginas 603-4.
28. Ibid., página 478.
29. An Essay on the Development of Christian Doctrine, páginas 19, 20.
30. The Church of the First Three Centuries, páginas 108-9.
31. The Ante-Nicene Fathers, Volume IV, página 560.
32. The Church of the First Three Centuries, páginas 75-6.

• Não surpreende que os Trinitaristas não gostem da versão apresentada na Tradução do Novo Mundo. Mas João 1:1 não foi falsificado a fim de provar que Jesus não é o D-us Todo-poderoso. As Testemunhas de Jeová, entre muitos outros, já objetavam a usar "D-us" com letra maiúscula muito antes de surgir a Tradução do Novo Mundo, que se empenha em traduzir com exatidão a língua original. De modo similar, cinco tradutores da Bíblia, alemães, usam a expressão "um D-us" naquele versículo. Pelo menos 13 outros usaram expressões tais como "da espécie divina" ou "da sorte semelhante a D-us". Essas traduções concordam com outros trechos da Bíblia para mostrar que Jesus, no céu, é sim um D-us, no sentido de ser divino. Mas Jeová e Jesus não são o mesmo ser, o mesmo D-us. — João 14:28; 20:17.

Em João 1:1 ocorre duas vezes o substantivo grego the•ós (D-us). A primeira ocorrência se refere ao D-us Todo-poderoso, com quem a Palavra estava ("e a Palavra [ló?gos] estava com D-us [uma forma de the?ós]"). Este primeiro the?ós é precedido pela palavra ton (o), uma forma do artigo definido grego que aponta para uma identidade distinta, neste caso o D-us Todo-poderoso ("e a Palavra estava com o D-us").

Por outro lado, não existe artigo antes do segundo the?ós, em João 1:1. Assim, uma tradução literal seria "e D-us era a Palavra". Todavia, temos visto que muitas versões traduzem este segundo the?ós (um substantivo predicativo) como "divino", "semelhante a D-us", ou "um D-us". Com que autoridade fazem isso?

A língua grega coiné tinha artigo definido ("o"), mas não tinha artigo indefinido ("um"). Assim, quando um substantivo predicativo não é precedido por artigo definido, pode ser indefinido, dependendo do contexto.

A Revista de Literatura Bíblica diz que expressões "com um predicativo anartro [sem artigo] precedendo ao verbo, têm primariamente sentido qualificativo". Como diz a Revista, isto indica que o ló?gos pode ser assemelhado a um D-us. Diz também a respeito de João 1:1: "A força qualitativa do predicado se destaca tanto que o substantivo [the?ós] não pode ser considerado como determinativo."

Assim, João 1:1 destaca a qualidade da Palavra, que ela era "divina", "semelhante a D-us", "um D-us", mas não o D-us Todo-poderoso. Isto se harmoniza com o restante da Bíblia, que mostra que Jesus, ali chamado de "a Palavra" em seu papel de Porta-voz de D-us, era um subordinado obediente enviado à terra por seu Superior, o D-us Todo-poderoso.

Há muitos outros versículos bíblicos nos quais quase todos os tradutores em outras línguas coerentemente inserem o artigo "um" ao traduzirem sentenças gregas com a mesma estrutura. Por exemplo, em Marcos 6:49, quando os discípulos viram Jesus andar sobre a água, a versão Almeida, atualizada (ALA), diz: "Pensaram tratar-se de um fantasma." No grego coiné não existe "um" antes de fantasma. Mas, quase todas as traduções em outras línguas acrescentam "um" para que a tradução se ajuste ao contexto. Do mesmo modo, visto que João 1:1 mostra que a Palavra estava com "D-us", a Palavra não podia ser D-us, mas sim "um D-us", ou "divina".

Joseph Henry Thayer, teólogo e perito que trabalhou na American Standard Version (Versão Padrão Americana), diz simplesmente: "O Logos era divino, não o próprio Ser divino." E o jesuíta John L. McKenzie escreveu em seu Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia): "Jo 1:1 deve rigorosamente ser traduzido . . . 'a palavra era um ser divino'."
o 3 meses atrás
Fonte(s):
Note, também, como outras versões traduziram esta parte do versículo:

1808: "e a palavra era um D-us." The New Testament in an Improved Version, Upon the Basis of Archbishop Newcome's New Translation: With a Corrected Text.

1864: "e um D-us era a palavra." The Emphatic Diaglott, versão interlinear, de Benjamin Wilson.

1928: "e a Palavra era um ser divino." La Bible du Centenaire, L'Evangile selon Jean, de Maurice Goguel.

1935: "e a Palavra era divina." The Bible—An American Translation, de J. M. P. Smith e E. J. Goodspeed.

1946: "e a Palavra era de espécie divina." Das Neue Testament, de Ludwig Thimme.

1950: "e a Palavra era [um] D-us." Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs.

1958: "E a Palavra era um D-us." The New Testament, de James L. Tomanek.

1975: "e um D-us (ou: da espécie divina) era a Palavra." Das Evangelium nach Johannes, de Siegfried Schulz.

1978: "e da sorte semelhante a D-us era o Logos." Das Evangelium nach Johannes, de Johannes Schneider.

8 comentários:

  1. Gostei muito de ler teu artigo.
    Impressionante, como o amor a misericórdia e a graça dO Eterno, Bendito para sempre!!!,nos alcançam...
    Ele nos avisa no decorrer de toda a Escritura: "OUVE, Israel, O Senhor é UM!"
    Que Ha Shem continue te usando para confirmar a nossa vocação. E para, que pelo Espírito, sejam esclarecidas dúvidas. E que não haja nunca em teu coração lugar para a soberba, pois, por causa dela, tenho visto muitos caírem. Pessoas que começaram a achar que eram inteligentes demais para se submeterem a autoridade, o mesmo erro de Satanás. O que O Mashiach nos ensina é exatamente o contrário. Ele se esvaziou da sua condição junto aO Pai, ensinando a obediência, em sujeição, mesmo que isso o tenha conduzido ao madeiro...
    Apocalipse 12:14 diz: "Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de D~us e a fé em Yeshua."
    Shalom!!!

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  2. O que Paulo quiz dizer em 2 Co 13:13, quando no grego a palavra comunhao se refere a relacionamento entre pessoas, de acordo com algumas fontes.

    Me questionaram sobre isso a favor da trindade, e sei que vc poderá me ajudar a desvendar essa traduçao.

    Obrigado.

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  3. Teófilo,

    Segue o texto em Grego de 2 Coríntios 13:13(14):

    Ἡ χάρις τοῦ κυρίου Ἰησοῦ Χριστοῦ καὶ ἡ ἀγάπη τοῦ θεοῦ καὶ ἡ κοινωνία τοῦ ἁγίου πνεύματος μετὰ πάντων ὑμῶν. “HĒ charis tou kyriou Iēsou Christou kai hē agapē tou Theou kai hē koinōnia tou hagiou pneumatos meta pantōn hymōn ”

    Vemos que nas mais de quinze saudações e despedidas de Paulo em suas cartas, em todas ele faz distinção entre D-us Pai e o Filho Yeshua, colocando-os em papel de cooperação e subordinalidade do Filho ao Plano projetado pelo Pai, e com exceção deste versículo acima o Espírito Santo não aparece em nenhuma outra saudação e despedida, sendo que é muito pobre usar tal versículo como argumento para defender o dogma da trindade.

    Outro ponto levantado seria o da pessoalidade (Aplicação somente para pessoas) de se usar o termo comunhão, koinōnia no grego, sendo que isso também é um erro descaracterizado pelo mais variado uso deste termo nas Escrituras, pois vemos que nas 19 ocorrências do termo e suas variações, em nada indica que ele seja usado somente para caracterizar união, parceria ou comunhão entre pessoas, mas para constar segue um exemplo como em 2 Coríntios 6.14 “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a transgressão? Ou que comunhão, da luz com as trevas? ”, vemos aqui que nem luz e nem trevas são pessoas mas o termo grego usado é o termo koinōnia, e o próprio memorial da ceia é chamado de comunhão do sangue e do corpo, apesar de saber que isso seja uma referência a uma união mística como o Messias, vemos que gramaticalmente não se refere ao uma comunhão de pessoas como os maus intencionados trinitários propõe, não sei se ficou claro, mas o sentido intrínseco da ceia é de comunhão de pessoas mas gramaticalmente o texto fala de elementos não pessoais.

    2 Coríntios 13.13 A graça do Senhor Yeshua HaMashiach, e o amor de D-us, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

    Podemos ver a ação tripla dos agentes da Restauração do Homem, mas propor uma Trindade de um D-us único apresentado em três pessoas distintas é extrapolar e muito o sentido do versículo.

    Vemos aqui a ação de D-us na elaboração e apresentação de seu plano Salvífico, Ele em seu imenso AMOR oferece o seu Filho em sacrifício (João 3:16), e através da obediência de Yeshua em se oferecer em sacrifício substitutivo ele promove a continuação do plano de D-us em oferecer um favor imerecido ao homem, portanto a GRAÇA de Yeshua de ter se oferecido à morte em nosso lugar, o faz responsável direto por nossa Salvação, mas não esquecendo que se não fosse pelo Amor de D-us em oferecê-lo, nada aconteceria.
    A COMUNHÃO dada pelo Espírito Santo, que não é um pessoa da trindade mas sim uma emanação dos atributos do próprio D-us, faz com que nós os que nos arrependemos de nosso pecado e morremos com Yeshua para a nossa antiga vida sejamos UNIDOS misticamente com o Messias para que assim como Ele ressuscitou nós possamos ressuscitar com Ele em novidade de vida para que frutifiquemos para D-us com os Frutos do Espírito, e a ação generalizada da manifestações destes Frutos entre os membros do Corpo Místico do Messias faz com que o Espírito Emane sobre todos o sentimento de sermos um no Messias, portanto a COMUNHÃO se faz presente em nós pela ação sobrenatural de D-us em emanar o Seu Espírito no meio do Corpo Místico de seu Filho, a saber, a Própria IGREJA.
    Espero ter ajudado, Shalom.

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    1. Você tem Facebook? Sou cristão monoteísta, não creio na trindade!!!

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  4. Metushelach,

    Agradeço por sua resposta. Entendi sua explicação apesar de ser muito profunda e filosofica o entendimento.

    E para complicar um pouco mais o assunto a mesma fonte me colocou outra situação:

    a- Nos originais Grego e Hebraico, são usadas a mesma palavra para traduzir a referência ao Espírito em Rm 1:9; 15:16,17,19,30; 1Co 6:11,19; 12:3-13?

    b- A palavra Espírito na Bíblia está sempre traduzida por Ruach ou Pneuma? Digo de Genesis a Apocalipse?

    c- E em Rm 1:9 nao dá a entender que temos um espírito separado do corpo tal como alma, sendo que eu vejo o ser humano no sentido holístico? Como entender?

    Obrigado.

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  5. Caro Chaver,mais uma vez escrevo para tirar uma dúvida.
    Eu entendi pela análise das escrituras que Yeshua não é o próprio YHWH como muitos alegam,não vou citar aqui os versículos em que Ele alega ser menor que o Pai porque você já deve os conhecer bem.Estes que alegam que Ele é o próprio YHWH se usam de Fp 2 para alegar que Ele apenas se "despiu",ou abriu mão dos seus atributos De Elohim para ser um homem comum.Sinceramente eu não concordo com isso,mas não chego ao extremo de acusar os irmãos de apostasia,isso é algo que tem de ser discutido sob a orientação do Ruach HaKodesh,para que no final haja um consenso e O Nome de Yeshua seja glorificado.Gostaria que você resumisse a sua opnião sobre este debate.

    Shalom!!

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  6. Yoel,

    Eu escrevi alguns textos sobre estte assunto, segue os links:

    http://judeu-autonomo.blogspot.com/2010/07/yeshua-jesus-qual-devemos-nossa.html

    http://judeu-autonomo.blogspot.com/2011/05/conversas-sobre-o-verbo-ser-d-us-ou-d.html

    http://judeu-autonomo.blogspot.com/2011/07/evangelho-de-joao-11-14-transliteracao.html

    Recomendo estes texto bem como todos os comentários pois estes ajudam muito a dar mais subsidios ao tema, mas depois de lê-los ainda ficar algum ponto obscuro fique a vontade para perguntar.

    Shalom.

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  7. O Rach ha KOdesh PODE se apresentar em forma física???
    Como explicar Mt. 3:16. "Depois que Jesus foi batizado, o Espírito Santo desceu em forma de uma pomba, "......NUNCA ENTENDI MUITO BEM ESTE TRECHO!....Sempre entendi o Rach hakodesh como O PODER DE D'US! ... Como "ESPIRITO" pode ser "PESSOA"? espirito NÃO tem forma física! ENTÃO COMO EXPLICAR Mt. 3:16!!??,,,,,,,SHALOM ADONAI!
    YABUKIMARCOS@GMAIL.COM

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