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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Lei foi Abolida? - Parte II

Paulo e a Torá - Parte II
Por Igor Miguel, quando ainda era membro da AMES.

Introdução:

Este breve estudo é continuação do tratado anterior em que discorremos sobre alguns versículos paulinos que necessitavam de explicação quanto a questão da "lei" Torá. Recebi muitas solicitações de leitores e alunos para que explicasse outros versículos que são considerados por muitos intérpretes da Bíblia como sendo contrários a Torá e a seus princípios. Se você leitor está lendo esta matéria sem ter consultado a anterior (Paulo e a Torá - Parte I), aconselho que você o leia, ao menos a introdução.

"Os profetas e a lei profetizaram até João" (Mateus 11.13)

Este texto apesar de não ser de Paulo, infelizmente é mal interpretado por alguns supondo que a Torá só teve duração até João Batista. A pergunta que se deve fazer ao ler este texto é: Profetizaram o quê?

Todos os profetas e a Torá profetizaram o Messias. Pela tradição judaica o profeta Elias viria para anunciar o Messias, encerrando as profecias concernentes à sua manifestação. Tanto é assim que pelo contexto (v.14) diz: "E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir". Sim, esta é a profecia que se encerra com João. As profecias messiânicas.

A interpretação errada deste texto está em afirmar que a Torá e os Neviim deixaram seu valor em João. Esta é uma interpretação tendenciosa e sem sentido. Para piorar a situação a Versão Almeida Revista e Atualizada, edição largamente utilizada entre evangélicos e cristãos no Brasil, em Lucas traz uma tradução diferente do original: “A Lei e os Profetas vigoraram até João...” (Lucas 16.16 – ARA). Mas, uma vez uma demonstração clara da tendenciosidade de algumas traduções cristãs em relação a lei. Vejamos como está no original grego: o nomoV kai oi profhtai ewV Iwannou (Ró nómos kai ori profetai eôs Iôannú). Simplesmente não existe a palavra “vigoraram”, no original a tradução literal deveria ser: “A Lei e os Profetas até João”. Simplesmente o tradutor inseriu sua teologia antinominista (contra a lei) em sua versão, subtendendo que Torá e os Profetas tiveram validade até João Batista, o que se dúvida é um erro, conforme vimos nos comentários iniciais.

"Pois quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei (...) Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade" (Hb 7.12 e 18)

Em que aspecto houve mudança de lei? Se observarmos com cuidado o contexto perceberemos que o autor trata da substituição (de certa forma) da lei do sacerdócio levítico por um sacerdócio superior conforme o Sl 110.4 que é citado no versículo 17 que diz: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". Claro se o sacerdócio de Melquisedeque é declarado eterno (para sempre) o sacerdócio levítico é inferior àquele. Por isso diz ainda o versículo 14: "pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes". e ainda v.15: "quanto à semelhança de Melquisedeque, se levanta outro sacerdote..." Quem é este sacerdote? YESHUA.

Yeshua não podia exercer sacerdócio segundo a carne, pois era da tribo de Judá, ofício restrito (na terra) aos da tribo de Levi. Mas, ele exerce superior sacerdócio junto ao pai segundo a ordem de Melquisedeque. Pois o sacerdócio de Yeshua não é: "...segundo a regra de uma prescrição carnal, mas de acordo com o poder de uma vida imperecível" (v.16 - Verão da Bíblia de Jerusalém - Edições Paulinas).

O que quer dizer este texto? Que a lei é carnal? Que os mandamentos são carnais? Obviamente que não, pois como disse Paulo: "Porque sabemos que a lei é espiritual..." (Rm 7.14). Na verdade o texto se refere a linhagem de sacerdotes segundo a carne, o sacerdócio levítico. A prescrição da Torá que estabelece o sacerdócio terreno, ou seja, os da Casa de Levi.

A Bíblia de Jerusalém comenta que esta regra "carnal" é: "Aquela que reserva o sacerdócio de Levi exclusivamente à sua descendência carnal". Neste aspecto podemos concluir que não foi a Torá que foi suplantada, mais uma lei da Torá, a lei do sacerdócio levítico, deu lugar ao sacerdócio superior, o de Yeshua HaMashiach. Mesmo assim, observe que o princípio de mediação através de um sacerdote foi mantido. Este princípio está na Torá, a necessidade de um mediador é um princípio eterno.

Percebemos então que Yeshua é um sumo sacerdote, cujo serviço é prefigurado no ministério do sacerdote Melquisedeque, soberano e acima do sacerdócio levítico. Sendo assim, a lei da Torá que dizia que só os sacerdotes levitas podiam se achegar em intercessão a D'us foi suplantada por um sacerdócio celestial e superior. Por isso ainda diz: "Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus (...) Porque a Torá constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a Palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre" (Hb 7.26 e 28). A "palavra do juramento" se refere a promessa que o Eterno fez no Salmo 110.4: "O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque", este juramento perpetua o sacerdócio de Yeshua.

O texto em nenhum momento faz referência a mudança da Torá por outra Torá. Mas, na mudança de uma lei, a do sacerdócio levítico.

Nota: Melquisedeque foi o misterioso Sacerdote-Rei de Salém (Gn 14.18-20 ler) que abençoa Abraão. Uma doutrina judaica do Iº Século era que Melquisedeque foi uma prefiguração do Messias. Salém era o antigo nome de Jerusalém, cuja raiz vem de Shalom (Paz), e Melquisedeque vem do hebraico: MALKI-TSEDEK que pode ser traduzido como: Rei da Justiça.

"Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda (...) Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer" (Hebreus 8.7 e 13).

Sem dúvida busca-se uma Nova Aliança, foi o próprio profeta Jeremias quem a profetizou, por isso o autor de Hebreus cita-o nos versículos de 7 à 11. A primeira aliança era imperfeita por causa do endurecimento do coração do homem. Um coração não queria andar voluntariamente nos mandamentos do Senhor. Por isso procurou-se a Nova Aliança. V.13

"Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está preste a desaparecer". Sem dúvida! Está preste, mas ainda não desapareceu. O fato de uma aliança ser antiga, não quer dizer que ele tenha desaparecido. Obviamente a Nova Aliança não se cumpriu plenamente, quando isto se cumprir a Antiga Aliança será plenamente suplantada dando lugar à eternidade.

A idéia dispensacionalista de que uma aliança anula a anterior é vaga, todas as alianças estão de pé, obviamente que os acréscimos trazidos por uma última aliança são superiores aos dos pactos anteriores, mas isto não quer dizer que necessariamente "abolição".

O problema está em desassociar a Torá (lei) da Aliança. A imagem que um cristão geralmente tem é que a Nova Aliança é um pacto de "graça" enquanto a Primeira Aliança é de "lei". Esta idéia é imprecisa, pois quando a Nova Aliança foi prometida pelo Eterno através do profeta Jeremias (citado pelo próprio autor de Hebreus) ele disse: "(...) firmarei Nova Aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá (...) porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Na sua mente imprimirei AS MINHAS LEIS, também sobre o seu coração as inscreverei..." (Jr 31.31-34 e Hb 8.8,10). A Nova Aliança não é uma aliança sem lei (antinominiana). Então o que muda? Ou em que aspecto a Nova Aliança é melhor que a primeira? Ela é melhor e diferente porque a Torá agora muda de posição. Antes, ela estava em tábuas de pedras, a pedra é um reflexo do coração endurecido do homem. Mas, graças ao sangue da Nova Aliança, hoje esta Torá está impressa no coração de todo aquele que é fiel a Yeshua HaMashiach, corações regenerados estão condicionados a receberem os preceitos eternos.

"Porque a lei do Espírito da vida, no Messias Yeshua, te livrou da lei do pecado e da morte" (Rm 8.2)

Lendo este texto sem meditar, podemos ser levados a acreditar que existem duas "leis". Uma lei que é do Espírito no Messias e outra, a lei do pecado e da morte.

Na verdade Paulo não está fazendo referência a uma lei do pecado (judaica) e outra lei espiritual (de Cristo). Quando se diz lei neste caso, faze-se referência, a Torá do Messias, que não é outra se não a mesma que foi dada a Moisés no Monte Sinai, mas em novas condições.

Vejamos o contexto: "Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez D'us enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou D'us, na carne, o pecado, a fim de que a ordenança da Torá se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Rm 8.3 e 4).

A expressão usada no versículo 3 "impossível" é a palavra grega "adynaton". Ela é formada pela preposição negativa "a" e pela raiz "dinâmis" (poder). Na verdade esta palavra significa precisamente: "sem poder". Com esta informação vamos analisar o versículo com mais atenção.

A Torá tem poder quando aplicada de forma correta. Mas, torna-se ineficaz quando praticada por um coração incircunciso, não regenerado. O texto ainda diz que a Torá estava enferma por causa da carne ou da carnalidade do homem. Observe, que o problema não é a lei, mas o homem escravo do pecado e sua frustrada tentativa de se tornar justo através de seu esforço em cumprir a 'lei'. Nesta tentativa carnal de ser obediente aos preceitos de D'us, a Torá ao invés de ser um instrumento de vida para o homem, torna-se para este indivíduo não restaurado, um instrumento de "pecado" e de "morte", o que é um desrespeito aos estatutos e mandamentos do Eterno. Por isto ela (a Torá) estava "sem poder".

Então qual foi a solução de D'us para este problema da obediência carnal? Diz ainda:"enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou D'us, na carne, o pecado...". Perfeita a obra de D'us! Já que o problema do homem em cumprir os mandamentos de D'us era a carne, então D'us envia seu filho como o homem, semelhante ao pecador, para destruir o pecado que tanto impedia o homem de cumprir os mandamentos de D'us. D'us fez tudo isso para quê?

"A fim de que o ESTATUTO DA LEI se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" (v.4). Agora, libertos do pecado pelo sacrifício do Messias o estatuto da Torá se cumpre no indivíduo. Antes cumpríamos a Torá, mas agora ela se cumpre em nós. Sendo assim, agora, a Torá volta ao seu propósito original: SER UMA TORÁ DO ESPÍRITO DA VIDA e não mais UMA TORÁ DO PECADO E DA MORTE (v.2).

Este dualismo Torá Vida x Torá Morte é comum na tradição judaica conforme o Talmud: “Rabi Iehoshua ben Levi disse: Qual é o significado do versículo, E esta é a Torá que Moshê colocou perante os Filhos de Israel [Deuteronômio 4:44]? Isso significa que se uma pessoa é meritória [merecer], ela [a Torá] será para a mesma um elixir que concede vida; mas se não, ela [a Torá] se tornará um veneno mortal. Isso é o que Rabá quis dizer quando ele disse: se ele usá-la de modo direito, ela [a Torá] é uma medicina de vida para ele, mas se alguém não usá-la de modo direito, ela é um veneno mortal” (Yomá 72b).

"Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las" (Gl 3.10)

Paulo constantemente faz uso das expressões "obras da lei" e "sob a lei". O intérprete deve tomar cuidado com estas expressões. De forma alguma Paulo pode está dizendo que a prática de Torá (lei) traz maldição e tão pouco que a Torá é maldita, obviamente. Pois, o mesmo Paulo diz que a Torá é santa, justa e boa (Rm 7.12). Na verdade, este texto é uma exortação direta de Paulo ao legalismo.

Mas, o que é "legalismo"? Legalismo é a prática da Torá com fins de justificação (salvação), sem fazer uso da fé no Messias e em sua obra no madeiro, o que é um erro. A Torá nunca foi dada para salvar o pecador ela tem a função de preservar o salvo no Messias. Como não existia a expressão "legalismo" em grego, Paulo usa a expressão "sob a lei" e "obras da lei" como sinônimos da prática legal a fim de se alcançar salvação. Citarei um famoso hermeneuta cristão: "Os argumentos de Paulo em Gálatas não eram contra a lei, mas contra o legalismo - essa perversão que diz que a salvação pode ser obtida mediante a observância da lei...O legalismo nada mais era do que a tentativa de ganhar a salvação mediante a guarda da lei" (Virkler, Henry A. - Hermenêutica Avançada - Editora Vida - Pg. 109 - 1998 - 5º Impressão).

Uma pessoa que tenta se justificar unicamente pela prática da Torá estará sob maldição. Por quê? Ao tentar se justificar pelas obras do Torá esta pessoa: Primeiro: Nega a obra do Messias, pois ao confiar em si mesma para justificação, nega-se a obra do madeiro. Segundo: Teria que praticar toda a lei de forma correta, pois automaticamente ao quebrar um mandamento, estaria sendo passível ao recebimento das maldições descritas na Torá aos que não cumprem seus mandamentos. A não prática da Torá induz à maldição. Por isso Paulo continua: "... é evidente que, pela Torá, ninguém é justificado diante de D'us, porque o justo viverá pela fé [fidelidade]" (v.11).

"O Messias nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro" (Gl 3.13)

Sim, louvado seja o Eterno por isto! Pois, não estamos mais passíveis à maldição. Pois, não confiamos em nosso esforço humano para sermos justificados. Antes, confiamos na maravilhosa obra de Yeshua e na capacitação que o Espírito de D'us nos dá de sermos justos (ver comentário acima sobre Romanos 8.2). Nossa justiça vem pela firme fidelidade à obra que Yeshua realizou por nós. Obviamente, depois que fomos alcançados por sua obra salvadora, recorremos a vida justa, não porque simplesmente queremos vive-la, mas porque ela brota naturalmente de nossas vidas, pois temos uma Torá viva em nossos corações que nos leva a uma vida justa (Jr 31.31 e seg). Não praticamos a Torá para sermos salvos, mas porque já somos salvos.

Yeshua levou as maldições da Torá, o apedrejamento, o enforcamento, os açoites, no madeiro, afim de que sejamos obedientes, não por ameaças, mas por amarmos profundamente o Eterno, dedicando nossas vidas à sua maravilhosa obra.

Concluímos com tudo isto, que é necessária uma revisão cautelosa dos conceitos teológicos que são adotados hoje pelo cristão. E também pelo judeu que afirma que Paulo era contra a Torá. Vai minha crítica também ao dogmatismo dispensacionalista*, que insiste em dividir a Bíblia em duas principais dispensações (digo duas, pois comumente é aceito que existem 7 dispensações bíblicas), a dispensação da lei (mosaica) e a dispensação da graça. Estes conceitos são aceitos hoje como quase canônicos, mas em nenhum momento Paulo ou os apóstolos se preocuparam em dividir as escrituras desta forma. Obviamente, porque esta divisão nunca existiu na era apostólica (I séc.).

"Anulamos a Torá pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a Torá" (Romanos 3.31).
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*Nota: Alguns textos analisados, para alguns, não são de autoria paulina. Hebreus por exemplo pelo ponto de vista pessoal do autor desta matéria foi escrito pelo Apóstolo Paulo.

*O dispensacionalismo: Escola teológica que insiste dividir as escrituras em múltiplas dispensações, ou períodos, onde D’us agia de forma diferente. Destacam-se J.N. Darby 1830, Scholtfield, Charles Ryrie, Stanley Horton, Dwint Pentecost, e outros. Donde surgiu a idéia de sete dispensações: Inocência, Consciência, Governo Humano, Monarquia, Lei, Graça e Milênio. A Bíblia nunca se dividiu desta forma. A Bíblia descreve alianças ou pactos. Mesmo assim, um pacto nunca aboliu o outro, por isso Paulo disse que os gentios no Messias foram aproximados das ALIANÇAS: “naquele tempo, estáveis sem o Messias, separados da comunidade de Israel e estranhos às ALIANÇAS DAS PROMESSAS (...) Mas, agora no Messias Yeshua, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue do Messias”. (Ef. 2.12 e 13).

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A Lei foi Abolida? - Parte I

Paulo e a Torá - Parte I
Por Igor Miguem - Quando ainda era membro da AMES.

Introdução:

Muitos teólogos durante a história foram defensores da teologia que afirma que Paulo era oposto ou contra a Torá (Lei). Até mesmo os judeus afirmam isto, que Paulo não viveu como judeu porque desmotivou os judeus a viverem como tais. Tentaremos provar de forma resumida a inverdade contida neste conceito.

A Primeira coisa para entender a relação Paulo x Lei, é entender o verdadeiro sentido desta palavra nos originais grego e hebraico.

O termo "lei" usado em nossas bíblias é um termo limitado e inadequado, pois não expressa com exatidão seu sentido original. A palavra hebraica usada no chamado "Antigo Testamento" (Tanach) é o substantivo "Torá", que pode ser traduzido como "instrução". Sem dúvida é importante observar que só nesta adequada definição do termo "Torá" teremos removido toda a idéia "legal" associada à expressão "lei". Na verdade esta tradução de Torá para lei nas bíblias modernas está sob influência da Vulgata Latina que traduz tendenciosamente a expressão por "Lex", trazendo a idéia de que a Torá só tem aplicação legal, o que uma inverdade.

A Torá é uma instrução divina dada prioritariamente à Casa de Israel com o objetivo de preservar o povo, como um povo separado dentre todos os povos do mundo. Uma cultura divinamente revelada com princípios morais, espirituais, sanitários, administrativos, alimentares e também legais. A Torá possui leis, mas ela não é somente "leis" como alguns pensam, é um engano achar que ela é apenas legal, pior ainda acreditar que o termo Torá pode ser traduzido por "LEI", para esta palavra existe um termo apropriado chamado "Daat" em hebraico que tem o sentido legal. Mas, Torá sem dúvida melhor traduzida com "instrução" ou "ensino".

A segunda coisa que devemos entender seria a opinião de Yeshua (Jesus) sobre a Torá. Paulo como apóstolo do Messias Yeshua, jamais iria contrariar a opinião de seu mestre sobre o assunto. Sendo assim disse Yeshua: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir" (Mt 5.17 - ARA). Para uma compreensão sincera deste texto deve-se observar novamente as palavras chaves, neste caso "revogar" e "cumprir". A palavra grega usada nesta passagem que foi traduzida por "revogar" é o verbo grego katalisai [katalusai] que pode ser traduzido como: anular, abolir, destruir, desfazer, revogar, etc. A edição bíblica de Almeida Revista e Corrigida traduz primeiramente a palavra como "destruir" que é mais clara. Baseados neste princípio deve-se entender primeiro que: YESHUA DISSE CLARAMENTE, QUE ELE NÃO VEIO PARA DESTRUIR, ABOLIR, ANULAR OU DERRUBAR A TORÁ (LEI). Este é um princípio básico, mas Yeshua veio fazer mais, ele veio também para "cumprir". Só que este verbo grego que no original é plerosai que é melhor traduzido como: completar, acrescentar, aperfeiçoar, “plenificar”, etc. Yeshua em nenhum momento foi contra a Torá, muito pelo contrário ele veio apresentar o sentido pleno da torá, veio completar seu significado, ele veio "plenificar" seu objetivo. Como diz o Talmud (a tradição oral dos judeus): "Não vim para tira a Torá de Moisés, mas pelo contrário, vim para acrescentar" (Tratado Shabat 116b).

Lição I - A Torá (Instrução - "lei") foi Abolida?

"Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede de separação que estava no meio, a inimizade, ABOLIU, na sua carne, A LEI DOS MANDAMENTOS EM FORMA DE ORDENANÇAS, para que dos dois criasse em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz" (Ef 2.14-15).

Esta parece ser uma contradição entre as palavras de Yeshua (Jesus) e as palavras do apóstolo. Yeshua disse que não veio para "abolir" a Torá e o apóstolo dos gentios (Paulo) disse que Yeshua aboliu na sua carne a "Torá dos Mandamentos na Forma de Ordenanças". Na verdade são os detalhes do texto que provam que não! Muitos teólogos se baseiam neste texto para afirmarem que YESHUA ABOLIU A LEI. Mas, cometem um erro básico de interpretação. Paulo é explicito ao afirmar que, o que YESHUA aboliu foi: A LEI? Não! Foi a "LEI DOS MANDAMENTOS EM FORMA DE ORDENANÇAS" isto é apenas um elemento com várias expressões. Na verdade deve-se entender a palavra "ordenanças" no original para uma compreensão precisa.

"Ordenanças" no grego é o substantivo "dogmas" [dogmaV], esta expressão pode ser traduzida como interpretação, dogma, doutrina de homens, etc. Esta expressão grega aparece no Novo Testamento sempre associado com "ordenanças de homens" nunca com ordenanças dadas por D'us. A palavra grega para ordenanças no N.T. é dikaioma [dikaiwma] e não dogma. Esta é a diferença básica.

Concluímos com isto que, o que Yeshua aboliu foram "AS ORDENANÇAS DO HOMEM, OU AS INTERPRETAÇÕES DOS HOMENS SOBRE A TORÁ QUE É FORMADA POR MANDAMENTOS".

Se observarmos o início do trecho citado e analisarmos a história perceberemos que isto faz sentido. O texto diz que Yeshua derrubou a parede de separação que estava entre judeus e gentios, fazendo a paz. Esta parede era literal, no templo de Jerusalém existiam compartimentos para os visitantes do templo. Estes compartimentos eram separados por paredes ou muros, existia o pátio dos sacerdotes, dos homens judeus, dos gentios e das mulheres. Sendo assim os judeus estavam mais próximos do templo e os gentios separados destes, estavam mais distantes. Mas, pergunta-se: Onde está na Torá ou nos Profetas uma ordenança que diz que os gentios que temiam o D'us de Israel deveriam ficar longe dos judeus ou separados por um muro dos mesmos? Em lugar nenhum! Na verdade esta era uma "INTERPRETAÇÃO ou UMA ORDENANÇA DE HOMENS", um dogma que afastava os não-judeus da Torá e da presença de D'us. Foi exatamente esta distinção que Yeshua veio abolir. Para que dos judeus e gentios fizesse apenas um povo, nele, cada um cumprindo seu chamado, mas tendo Yeshua como o centro de todas as coisas. Isto é o que Rav Shaul (apóstolo Paulo) chama de "Mistério". Sem dúvida algo maravilhoso para refletirmos.

Lição II - As Festas Bíblicas Acabaram?

"Guardais dias, meses e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalho em vão para convosco" (Gálatas 4.10 e 11).

Se lermos este versículo isolado e não observarmos o contexto que está envolvido neste texto teremos problemas teológicos sérios. Uma pessoa ávida por refutar a Torá (lei) pode tomar este versículo facilmente como um suposto argumento contra as Festividades da Bíblia. O que é um equívoco e um desrespeito ao contexto do trecho. Aproveitando a oportunidade gostaria de fazer uma observação saudável à Versão de Almeida Revista e Corrigida, que intitula o trecho supra citado como: "O valor transitório dos ritos judaicos". Este título é tendencioso e carregado de interpretações pessoais. Na verdade ele está baseado na interpretação do versículo acima, que afirma serem as palavras de Paulo, exortações direcionadas a judeus ou judaizantes que insistiam em guardar dias sagrados como: o Shabat (Sábado), Páscoa, Pentecostes, Dia do Perdão, Tabernáculos, etc.

Se lermos com cuidado simplesmente os dois versículos que antecedem o trecho, perceberemos que não é bem isso, o que Paulo estava dizendo, na verdade o versículo nem se quer foi direcionado aos judeus, mas aos gentios de Gálatas. Observe: "Outrora, porém, não conhecendo a D'us, servíeis a deuses que, por natureza não o são; mas, agora que conheceis a D'us ou, antes, sendo conhecidos por D'us, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?" (v.8 e 9).

Primeiro detalhe: No versículo 8 diz: "...outrora servíeis a deuses...". Sabemos que desde o retorno dos judeus da Babilônia, Israel estava completamente curado da idolatria, o pavor dos judeus em relação a este pecado é tão intenso até em nossos dias, que muitos deles não recebem Yeshua simplesmente com medo de caírem em idolatria. Sem dúvida, o texto se refere a gentios (não-judeus) de Galácia (a quem é endereçada a epístola), que haviam se convertido ao D'us de Israel e a seu Messias (Yeshua - Jesus) e que agora estariam voltando ao culto pagão em memória dessas falsas divindades.

Paulo é ainda categórico ao afirmar: “... estais voltando outra vez aos RUDIMENTOS..." (ARA). Mais uma vez precisa-se da ajuda dos originais, assim compreenderemos a expressão "rudimentos" com maior precisão. O que significa esta expressão? A palavra grega usada é o substantivo pluralizado "stoikeion" [stoiceion] que segundo o Dicionário do Novo Testamento Grego do professor W.C. Taylor é: "as causas materiais do universo pyr (fogo), ydôr (água), aêr (ar) e gê (terra)... os corpos celestes, sinais do zodíaco, etc, rudimento, princípio elementar, ou astro ou talvez (?) espírito, demônio". Na verdade estes princípios de elementos da natureza, signos, elementares, espíritos cósmicos, sempre foram princípios da antiga mitologia greco-latina e babilônica. Sem dúvida estes crentes estavam sendo escravizados por estes elementos, por isto Paulo encerra dizendo: "Guardais dias, e meses, e tempos, e anos" (v. 11). Na verdade estes dias que estavam sendo guardados pelos Gálatas não tinham nada haver com as Festas da Torá. Eram festas pagãs em honra aos "stoikeion". Seria como se uma pessoa advinda na bruxaria, da umbanda, ou de uma religião esotérica, depois de convertida ao Senhor Yeshua (Jesus), ainda fosse atraída para as festividades pagãs outrora celebradas em honra às respectivas divindades. Sem dúvida, isto seria um 'trabalho vão' conforme as palavras do apóstolo do Messias.

Concluímos com isto, que em nenhum momento Paulo neste texto está fazendo referência a afirmativa de que "Os Ritos Judaicos são Transitórios" conforme a "ARA" (Almeida Revista e Atualizada). Mas, sim exortando os crentes recém convertidos do paganismo “galaciano”, para que não voltem às suas festividades demoníacas e cheias de misticismo pagão.

"De sorte não és escravos, porém filho; e, sendo filho também herdeiro por D'us" (Gálatas. 4.7).

Lição III - A Antiga Aliança foi Removida?

"Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até o dia de hoje, quando [os judeus] fazem a leitura da Antiga Aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, no Messias (em Cristo), é removido" (II Coríntios 3.14).

Outro problema de interpretação tendenciosa. Recentemente ouvi um pregador conhecido fazendo uma aplicação deste texto, como se a Antiga Aliança tivesse sido abolida por Yeshua, afirmando ainda que em 'Cristo a Antiga Aliança é removida'. Não há nada pior do que sermos desonestos com o que está claro no texto. Não podemos ir a um texto das escrituras com uma teologia formada, mas devemos formar a nossa teologia das escrituras. Do contrário não estaremos sendo sinceros com as pessoas e nem com D'us.

Novamente um problema de contexto, no versículo 13 Paulo diz: "Não somos como Moisés, que punha VÉU sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que desvanecia." Observe que Paulo neste versículo faz um comentário sobre o véu que Moisés teve que pôr sobre seu rosto a fim de que ninguém olhasse para ele, pois sua face estava resplandecendo, quando da sua descida do Monte Sinai (com as segundas Tábuas da Torá). Mas, no versículo 14 ele explica o motivo deste comentário. Neste caso ele explica que até hoje quando os judeus fazem a leitura da Antiga Aliança - aqui Paulo está fazendo referência ao costume judaico de ler porções do Tanach ("Antigo Testamento") todos os Shabatot (sábados) - claramente ele continua: "... o mesmo véu permanece...". Na verdade Paulo está querendo dizer, que os judeus estão com seus sentidos "espirituais" inativos, eles estão cegos, pois não perceberam que Yeshua é o Messias, pois se eles tivessem fé Nele, este "VÉU" e não a "ANTIGA ALIANÇA" seria removido.

Paulo ainda complementa: "Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado" (v.15 e 16). Está claríssimo, que a referência de Paulo no texto não está sendo aplicada a uma suposta remoção da Antiga Aliança, mas a remoção da cegueira espiritual dos judeus quanto a revelação de Yeshua na mesma "Leitura da Antiga Aliança". O apóstolo demonstrou isto claramente em Atos 13.14 e seguintes, em uma sinagoga em Antioquia, exatamente na leitura da Torá e dos Profetas.

Lição IV - As Leis Alimentares foram Abolidas?

"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e EXIGEM ABSTINÊNCIA DE ALIMENTOS QUE D'US CRIOU para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis..." (I Tm 4.1-3).

Este texto é mais um que não pode ser aplicado aos judeus. Pois sem dúvida perceberemos que Paulo agora está fazendo referência ao Gnosticismo.

O Gnosticismo era uma filosofia esotérica, uma religião de mistérios, que concorreu intensamente com o cristianismo no primeiro e no secundo século de nossa era. Eles ensinavam em síntese, que existiam dois mundo paralelos e ambíguos. Este mundo físico e histórico habitado pelos homens (este pensamento é influência do platonismo) e o espiritual e metafísico habitado por D'us e por anjos ou demiurgos (pequenos deuses).

Baseados neste conceito elementar, eles entendiam que quanto mais eles se desligassem da vida terrena, mais próximo de D'us e do mundo espiritual eles estariam. Assim eles seriam mais "pneymáticos" (espirituais) e menos "sarkikos" (carnais). Assim, eles praticavam o que nós chamamos de ascetismo. Abstiam-se de alimentos, de casamento, do sexo, de algumas bebidas, de festas, de alegrias terrenas, etc. Aparentemente isto parece bom, mas não é! A bíblia nunca foi um livro de 'ascetismos', segundo o pensamento judaico, a abstenção de um prazer lícito pode ser tão pecado, quanto algo ilícito.

Infelizmente estes gnósticos estavam sendo levados por espíritos imundos, a ensinarem a abstinência de "Alimentos que D'us criou...". Algumas pessoas, dizem: "Viu? Paulo disse que a abstinência de alimentos e diabólica!". Sem dúvida, a abstinência de "ALIMENTOS QUE D'US CRIOU" é um erro. Mas, pergunto: O que é alimento segundo a Bíblia? Alimento segundo a bíblia é o descritos em Levítico 11. Porco não é alimento, Urubú não é alimento, Cobra não é alimento, etc. O problema dos Gnósticos é que eles estavam exigindo a abstinência de alimentos bíblicos, pois estes D’us criara para nossa alimentação. Não somente isto, ainda escravos de seus princípios ascéticos, ensinavam a abstinência do casamento, como se o sexo e a vida a dois fossem um problema espiritual. Um exemplo da influência do gnosticismo no cristianismo católico romano é o celibato dos sacerdotes, como se o sexo fosse um problema.

Claro que o gentio está isento desta lei, mas o princípio é claro, "alimento" são os que realmente estão descritos em Levítico. Outros animais podem ser tomados por alimentos, mas os "alimentos que D'us criou" são descritos com clareza no trecho citado. Um princípio que pode ser vivido por crentes em Yeshua sem legalismos, sendo que deve-se deixar claro que não há nenhuma obrigação bíblica para que os gentios guardem as leis alimentares. Mas, os que optarem em guardar estes princípios sem dúvida serão abençoados, pois a palavra de D'us nunca volta vazia.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Como entender as aparentes contradições da Bíblia. Parte IV

Por Julio Dam rabino messiânico renovado
Traduzido e adaptado por Metushelach Ben Levy

Recomenda-se ler as Partes I e II e III para melhor compreensão do que se segue.



Outro erro deliberado como o anterior é o que aparece em Mateus 7:23: "E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." A palavra grega usada aqui e que foi traduzido como "iniqüidade" é anomia, (a = não; nomos = Lei “Torá”). O que realmente diz este versículo é que o Senhor Yeshua dirá "Eu nunca os conheci", vocês que não cumprem a Torá, as instruções de D-us.

Outro erro deste tipo está em 1 Coríntios 9:21, onde existe acréscimos à Escrituras de Elohim para justificar as doutrinas dos homens, é a seguinte: "(.Embora eu não esteja sujeito à lei") Tudo o que está entre parênteses não existe no grego, nem a versão King James em Inglês e foi adicionado, como o verso anterior de Mateus 7:23.

Em Apocalipse 4:8 a palavra “Santo” está no grego nove vezes, enquanto que em Inglês e vários outros está apenas três vezes. (NT Interlinear Grego-Inglês Versão Thomas Nelson, pg. 480).
 
Uma aparente contradição que levou a uma exegese não tão feliz são as palavras de Yeshua no madeiro (estaca) (a palavra "cruz" não existe na versão grega) em Mateus 27:46: "Meu Deus, meu Deus, porque tu me abandonaste? " Quantos sermões e livros já ouvimos e lemos sobre como Yeshua tinha sido abandonada por YHWH , devido a suportar os pecados da humanidade"? A Exegese provem de ser usando o pensamento helênico, em vez do pensamento judaico.

Yeshua não estava reclamando de ter sido abandonado! Nosso Senhor, que 59 vezes na Bíblia é chamado de "Rabi" (que significa "Mestre" ou "rabino") estava simplesmente dando a sua última aula na Terra! É habitual para crianças judias aprender a Torá de memória , a partir da idade de cinco anos. Um dos métodos mnemônicos (para lembrar) é citar o primeiro verso de uma passagem, de modo que o talmidim (estudantes) mentalmente lembrem o resto da passagem! O que o rabino Yeshua fez em Mateus 27:46 foi lembrar sua platéia judaica, que estava em torno do madeiro (Estaca) que estava preso, o Salmo 22, que começa com "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste? incluindo, no versículo 18 da seguinte profecia , escrito pelo rei Davi 1000 anos antes: "Dividiram as minhas roupas entre si, e sobre a minha roupa lançaram sortes", Yeshua estava dizendo: Veja como as Escrituras que falam de mim é cumprida neste dia! Veja "Lembre-se do Salmo 22!".
 

Um erro adicional, neste caso, também teológica, é o de Ef. 6:17: "Tomai também o capacete da salvação / libertação, e a espada do Espírito, que é (a palavra) “Rhema” de Elohim." Este versículo é freqüentemente citado, dizendo que as Escrituras, a Palavra escrita de Elohim é a "espada do Espírito". No entanto, em grego, há duas palavras traduzidas para o português como "palavra" logos e rhema. (João 1:1). O logos é a palavra escrita, em geral, para todas as Escrituras. Em vez disso, a Rhema é a palavra específica para uma pessoa em um momento específico para um problema específico. Esta Rhema pode vir de uma palavra de profecia (1 Co 12:10), ou de uma palavra “logos” nas Escritura que Elohim nos dá para um problema específico em um determinado momento e que se torna em Rhema porque Elohim assim o desejou.então Ef. 6:17 diz é que as rhema de D-us é a espada do Espírito, e não a Palavra escrita de D-us, a menos que Elohim nos dê em um momento determinado para que seja seguido por nós.
 

Outro erro adicional no início do verso é a tradução da palavra “Soteria”. A palavra Soteria, significa três coisas, dependendo de seu contexto: "salvação", mas também a "libertação" e "vitória". Conforme Dicionário Vine de termos gregos bíblicos, Vol. 3, pág. 316 diz de Soterias: "denota a libertação, preservação, salvação."
Soteria é uma tradução do grego da palavra hebraica usada por Paulo (Shaul) "Iasháh" que, segundo o Dicionário Ben-Yahudá, pg. 123, significa a "vitória da salvação." Observe a semelhança com a palavra "Yasháh" com o nome de Yeshua!
Quando usamos esta palavra, devemos ter cuidado e procurar qual dos três significados é mais apropriado para o versículo em questão. No entanto os tradutores tem traduzido soterias apenas como "salvação", sem levar em conta as outras conotações.

 Outro erro que custou muito tem sido desjudaizar nomes de toda a Escritura, especialmente no Pacto Renovado (Novo Testamento). Deve ficar claro que isso não foi feito acidentalmente pelo inimigo do D-us de Israel, mas de propósito. A intenção do diabo é remover todos os vestígios do judaísmo das Escrituras, até que não vejamos a verdade, que nós seguimos um rabino judeu, Yeshua, que é a Palavra Falada (Davar, logos) de D-us Pai, encarnado, (Jo 1 : 14) e não um deus Romanizado,
 

Em Inglês, todas as referencias ao nome de Elohim foram alterados para "The Lord", acrescentando mais confusão à confusão, pois quem sabe quando estamos a falar de YHWH e quando de Yeshua! Como nos disse pessoalmente um missionário com desdém "É a mesma coisa!" confusão mental aludiu a isso, quando dizemos que rezamos ao Senhor (Yeshua) e agradecemos esta oração "em nome do Senhor!" Quantas vezes você ouviu alguém orar à Jesus e agradecer em nome de Jesus? "

O desjudaização das Escrituras, por outro lado, tenha retirado qualquer contexto e qualquer sabor real da Santa Palavra de Elohim. Veja abaixo Mt 1:1 KJV e realmente a que deve ser e compare você mesmo.

 

ACF: "O Evangelho Segundo São Mateus: Livro da genealogia de Jesus Cristo, Filho de Davi, filho de Abraão." Veja agora o que o texto realmente diz em grego se re-traduzirmos do original hebraico que falavam tanto Rabi Yeshua como seus discípulos;
 

De acordo com 1:1 Matatias: "O rolo da Torá sobre a linhagem do Yeshúa HaMashiach David Ben (" Ben David "é um título messiânico) Ben Avraham." Pode notar o sabor judaico, que oferece a versão original? Nas palavras gregas originais não existe a palavra "O Santo Evangelho" ou "São" Mateus, que a Igreja da Babilônia, usa para designar os seus "santos". Matityahu é um nome hebraico, como convém a um (estudante) talmid de um rabino.

 
Vamos dar um último exemplo de como realmente tem que ouvir Lucas 1:5, por exemplo. Compare a sua versão e você vai encontrar o que o diabo fez para a Santa Palavra de Elohim com toda a intenção de afastar-se das verdadeiras raízes da Igreja, as nossas raízes judaicas.


"Havia no momento da Jerod, Rei Judá, um Kohen, um sacerdote chamado Zacaríah, da turma (no Templo de Jerusalém), do Abiyah, e sua esposa foi Batei Aaron (das filhas de Arão) e se chamava Eletiva (Isabel). " Como compreender as aparentes contradições, paradoxos na Escritura, então? "Subindo" a Jerusalém, ao invés de simplesmente "ir" para Atenas. A primeira é ir em peregrinação, enquanto a outra se vai como qualquer outra cidade à turismo. Subindo com o nosso espírito e a nossa mente para Kiryat Melech (para a Cidade do Grande Rei), como o chama a Escritura, mas com humildade, sabendo em nosso coração que só vamos encontrar o único e verdadeiro Elohim ali, Jerusalém é um refúgio e um lugar de encontro com o Grande Rei. Você se achega a ela com esperança e amor, sabendo que ali vai se encontrar com aquele que fez "os céus e a terra"! Mas mais do que qualquer coisa, subindo como ele volta para casa! Se você é um crente, você está voltando para casa, como o filho pródigo, que desperdiçou sua fortuna no mundo, até que ele percebeu que a casa de seu Pai, vivia muito melhor e decidiu voltar. A Igreja tem necessidade desta atitude de humildade para o Pai, e especialmente ao seu irmão mais velho, o judaísmo. Se queremos unidade na Igreja, ela só virá quando costurarmos o tecido, onde ele quebrou: o desjudaização e posterior separação das raízes e ramos enxertados. O filho pródigo foi longe de casa por muito tempo. É hora de voltar. É hora de abraçar o pai e dizer: "Pai, pequei contra ti e contra o meu irmão. Eu sempre desprezaei, não percebendo que ao fazê-lo também te desprezam." Só então você pode começar a entender o que foi proibido por séculos de negação, o verdadeiro entendimento das Escrituras em toda a sua profundidade.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Birkat Kohanin - Benção Araônica

Números 6:24-26

O Eterno te abençoe e te guarde;
O Eterno faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti;
O Eterno sobre ti levante o rosto e te dê Shalom.


Em Hebraico:

במדבר פרק ו

כד - יְבָרֶכְךָ יְהוָה, וְיִשְׁמְרֶךָ.

כה - יָאֵר יְהוָה פָּנָיו אֵלֶיךָ, וִיחֻנֶּךָּ.

.כו - יִשָּׂא יְהוָה פָּנָיו אֵלֶיךָ, וְיָשֵׂם לְךָ שָׁלוֹם


Transliterado:

"Ievarekhekha Adonai veishmerekha.

Iaer Adonai panaiv eleikha, vichunekha.

Issa Adonai panaiv eleikha, veiassem lekha shalom."

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Judeus sem saber

Perseguidos na Europa pela Inquisição, centenas de judeus se exilaram na América no fim da Idade Média. Cinco séculos depois, descendentes tentam descobrir suas raízes.

por Baudouin Eschapasse

Obra mostra cena de explusão de judeus da Espanha em 1492. Muitos deixaram o país, mas outros optaram por ficar e se onverter ao catolicismo. (Xilogravura, Michaly von Zichy, 1880, posteriormente colorizada)

Eduardo Manet não esquece aquela noite de junho de 1943. O tempo estava bom em Havana. Ele e a mãe tinham ido ao cinema. Na volta para casa, o futuro escritor cubano ouviu a mãe explicar que ela havia nascido em uma família “marrana”. O menino não entendeu imediatamente o que aquilo queria dizer. “Creio que não ouvi direito... o ruído do mar, meus ouvidos zumbiam...”

A frase não fazia sentido para Manet. “Marrano” significa “porco” em espanhol. Confuso, ele perguntou: “Como assim? Você nasceu com os porcos?”. O adolescente, prestes a completar 13 anos, compreendeu na hora que acabara de ferir profundamente a mãe. Com uma expressão séria no rosto, ela explicou ao filho o sentido religioso do termo: “Chamamos de marranos os judeus sefarditas que foram obrigados a se converter à religião católica no fim do século XV. Eles não tinham escolha: era o exílio ou a conversão. Os que não quiseram abandonar a terra de seus ancestrais nem se converter ao catolicismo acabaram na fogueira”.

Sessenta anos depois, o escritor manteve gravado na memória esse dia em que descobriu o segredo de sua família. Ele era judeu sem o saber. Ou melhor, era um criptojudeu. Inspirado por essa revelação, decidiu pesquisar mais a fundo a história de seus antepassados. Em 2007, reuniu o resultado de seus estudos para escrever o livro Marrane! (Marrano!), publicado pela editora francesa Hugo et Compagnie. A obra não é apenas uma emocionante viagem à Cuba da juventude do autor, mas também um interessante relato sobre a trajetória de uma família marrana que se refugiou no Novo Mundo para fugir da Inquisição. Em busca das origens, o autor se debruçou sobre sua árvore genealógica e retrocedeu no tempo até chegar a doña Asunción, judia sefardita que foi obrigada a dissimular sua religião na Espanha do século XV.

Naquela época, os judeus eram alvo de uma feroz perseguição religiosa na península Ibérica. O antissemitismo não era novo. As primeiras manifestações desse tipo de preconceito remontam à Antiguidade, mas só no fim do século XIV a intolerância assumiu a forma de grandes massacres de judeus, os chamados pogroms. A situação dos filhos de Israel só piorou quando, cem anos depois, a rainha Isabel de Castela, conhecida como “a Católica”, assinou vários decretos reais condenando severamente todos os hebreus que não abraçassem a fé cristã.

Há quem garanta que Colombo foi judeu, assim como grande parte da tripulação de suas três caravelas. (Chegada de Colombo na América em 1492, óleo sobre tela John Vanderlyn, séc. XIX)

Milhares de judeus passaram então a esconder sua religião. A Inquisição se mostrou especialmente implacável com eles. Em 1481, muitos Talmudes (livros que registram as leis e costumes dos hebreus) foram queimados em autos de fé organizados em toda a Espanha. Em 1492, os reis católicos tomaram Granada, expulsando definitivamente os muçulmanos da península Ibérica. Senhores absolutos da Espanha e contando com o apoio do papa Sisto IV, que reconheceu oficialmente a Inquisição espanhola em uma bula de 1478, os soberanos de Castela e Aragão assinaram o Decreto de Alhambra em 31 de março de 1492, que expulsou os judeus do reino espanhol. De acordo com esse texto, todos os súditos hebreus deveriam se converter ao catolicismo ou partir. Apesar da enérgica ação de Isaac Abravanel, funcionário da corte de Isabel de Castela que tentou obter a anulação do decreto, as perseguições se intensificaram.

Centenas de milhares de israelitas (entre 200 mil e 400 mil pessoas, dependendo da fonte) escolheram deixar o país. Alguns foram para Portugal, de onde foram expulsos em 1497. Outros atravessaram o estreito de Gibraltar para viver livremente sua fé do outro lado do Mediterrâneo, no Marrocos. Muitos fugiram para o Oriente – para a Itália, para o leste da Europa, para o Egito ou para a Palestina. Houve os que encontraram refúgio no Império Otomano, onde o sultão Bayazid II lhes ofereceu sua hospitalidade. Os que ficaram (cerca de 150 mil) se converteram, mas um grande número continuou a viver secretamente de acordo com a tradição judaica.

Não era fácil professar a fé na clandestinidade, principalmente na ausência de rabinos e de ensino religioso. Praticados de forma secreta, os ritos e as festas perdiam às vezes o sentido, mas os gestos sobreviveram e foram transmitidos de pai para filho. A comunidade dos marranos na Europa, também chamados de “conversos”, contava com algumas celebridades, como o filósofo Baruch Spinoza (que acabou rompendo com o judaísmo), ou Antoine de Luppes, avô materno do filósofo Michel de Montaigne.

Há quem diga que o próprio Cristóvão Colombo era um criptojudeu, mas não há provas que corroborem tal afirmação. A única certeza é que grande parte dos financiadores de sua expedição de 1492 era judia. Entre eles estavam Abraão e Isaac Abravanel, Juan Cabrero, Luis de Santángel, Gabriel Sánchez e Alfonso de la Caballeria. Segundo Lee Friedman, autor de um estudo sobre os pioneiros judeus do Novo Mundo intitulado Jewish pioneers and patriots (Pioneiros e patriotas judeus), vários membros da tripulação das três caravelas da expedição de Colombo seriam judeus. Alguns teriam, inclusive, criado raízes na América desde a primeira missão, em agosto-setembro de 1492. Cada nova onda de conquistadores trouxe novos criptojudeus.

Página original do decreto, assinado pelos soberanos de Castela e Aragão, que determinou a expulsão dos judeus no século XV

Desde a década de 60, diversas comunidades marranas vêm sendo identificadas no continente americano. Não só em Cuba, mas também em Porto Rico, no Brasil (a partir dos anos 80), no México e nos Estados Unidos. Um dos casos mais interessantes é o de um grupo de moradores da região do Novo México, nos EUA, que, apesar de oficialmente cristãos, seguem há várias décadas as tradições judaicas sem sequer ter consciência disso.

A revelação sobre as raízes israelitas dessa comunidade do sudoeste dos Estados Unidos foi feita pelo historiador Stanley Hordes em 2005 e gerou polêmica entre a população local. Segundo Hordes, o Novo México abrigaria uma das mais antigas comunidades criptojudaicas da América. O historiador de Santa Fé revelou que centenas de viejitos – como são conhecidos lá os velhos habitantes hispanófonos – ignoram que mantêm vivos diversos elementos da tradição israelita há centenas de anos, mesmo se considerando oficialmente católicos.
Eles evitam, por exemplo, comer carne de porco e acendem duas velas nas sextas-feiras à noite. A oração que recitam em enterros seria muito próxima de uma prece judaica chamada kaddish, mas não existe sinagoga alguma em um raio de mil quilômetros e eles não conhecem a Torá.

Hordes divulgou sua pesquisa no livro To the end of the Earth – A history of the crypto-jews of New Mexico (Até o fim do mundo – Uma história dos criptojudeus do Novo México), publicado em 2005. Nessa obra, o historiador defende a ideia de que os ancestrais dessa “tribo perdida” seriam marranos vindos no rastro de Hernán Cortez, explorador espanhol que conquistou o México em 1519. Segundo Hordes, esses descendentes de judeus teriam se instalado na fronteira norte do império colonial espanhol, no território correspondente ao atual Novo México, onde era mais fácil escapar da autoridade da Igreja e do Estado e praticar sua fé livremente.

Para sustentar sua tese, Hordes cita várias biografias de conquistadores investigados por tribunais espanhóis por causa de suas crenças religiosas. O principal caso seria o de um certo Luis de Carvajal, sobrinho do governador da província de Nuevo León, no México. Ele, sua mãe e sua irmã foram condenados à morte em 1596 por serem judeus. Seu tio e outros 170 marranos teriam então deixado a cidade de Cerralvo, no atual México, marchando em direção ao norte, sem dar nunca mais nenhum sinal de vida. Stanley Hordes acredita que os criptojudeus do Novo México sejam descendentes desses homens e mulheres.

Eduardo Manet, escritor cubano, que se descobriu marrano: pesquisa resultou num livro que vai da inquisição à Cuba do século XX .

O isolamento dessa comunidade se revelou uma faca de dois gumes. Desenraizados e tendo adotado o calendário romano, eles teriam perdido o sentido das tradições que, no entanto, continuaram observando. Nos últimos anos, alguns desses marranos têm realizado o movimento que os judeus chamam de techuva, o “retorno às origens”.

Stanley Hordes conta o caso de uma moradora da cidade católica de Ruidoso, no Novo México, que empreendeu esse resgate de suas origens ancestrais. Sonya Loya diz sempre ter se sentido judia, mas só recomeçou a observar o Shabbat depois de descobrir a história de suas origens ao ler o livro de Hordes. Na verdade, essa revelação não a surpreendeu. Um de seus tios, ao retornar da Segunda Guerra Mundial, disse ter visto o nome da família em uma lista de prisioneiros dos campos de concentração. Criptojudia, ela decidiu se converter ao judaísmo para se tornar “plenamente” judia.

O caso de Bill Sanchez é ainda mais impressionante, pois esse marrano chegou a ser ordenado padre católico. As revelações de Hordes o abalaram de tal modo que ele decidiu mandar analisar seu DNA. O exame revelou que ele possuía uma série de marcadores genéticos em seu cromossomo Y presentes em 30% dos homens judeus (os cientistas reiteram, no entanto, que não existe um cromossomo “judeu”). Bill Sanchez não renegou a fé católica, mas hoje ele usa uma correntinha no pescoço com a estrela de Davi ao lado de um crucifixo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Verdadeiro Sentido do Natal

Escrito por Marcelo M. Guimarães

As comemorações natalinas acontecem e julgo oportuno compartilhar deste tema com todos do Corpo do Messias.

Inicialmente gostaria de afirmar bem claro que não tenho a menor intenção em agredir suas tradições e seus costumes quanto à comemoração do natal, quer pelos católicos, protestantes, evangélicos, espíritas e por qualquer outra forma mesmo que ela não esteja filiada a uma religião denominada cristã. Mesmo nos países orientais de religião predominantemente budista muitos celebram a festa de natal.

Portanto, o objetivo de minha mensagem é esclarecer os fatos históricos, confrontar tradições e costumes com os ensinamentos bíblicos e deixar que cada leitor tire suas próprias conclusões, sem com isto, querer impor à ninguém aceitar meu ponto de vista.

Se você ler esta mensagem com este espírito com certeza tirará bom proveito.

Pensando bem, o que é o Natal?
Nesta época é comum enfeites nas portas das casas e no seu interior grandes ou pequenas árvores de Natal. Decorações nas ruas da cidade com bolas coloridas variadas, perus, leitões recheados, patos, gansos, muitas nozes, castanhas, passas de uvas, whiskys, champanhe, etc., não faltam para um família de classe média-alta. Enfim, todos dão um jeitinho, nem que seja comer um franguinho com farofa.

Às vezes acontece que muitas pessoas gastam muito dinheiro e herdam uma grande dívida para ser paga em suaves prestações no ano que vem, pois afinal, quem recebe um presente de natal se vê quase na obrigação de retribuir, tudo bem! Mas, quando não se pode, a coisa se complica e constrange até mesmo numa humilhação.

Para as pobres crianças de rua é tempo de tentação, pois vêem presentes e guloseimas expostas nas vitrines das lojas e fica por isso mesmo. Mas com certeza, as esmolas neste tempo se dobram também, pois é Natal. Afinal vamos dar uma trégua às dificuldades e problemas; vamos esquecer um pouquinho das coisas ruins, nos alegrando com a família, desejando a todos um "feliz natal" cheio de saúde, muita paz, e porque não dizer "boas festas".

Mas afinal, o que se comemora no Natal? Muitos dirão: "Comemora-se o nascimento de Jesus Cristo". Mesmo para a maioria dos cristãos o que isto significa não é muito fácil de se entender. Mas atualmente, até o Japão que é um país budista, comemora também o Natal. Então se pergunta: "Que espírito é este do Natal"?

Com toda consideração ao leitor, gostaria de compartilhar um pouco sobre as origens da festa natalina, pois não temos a intenção de criticá-lo ou tão pouco condená-lo porque você ainda comemora o Natal. Mas a verdadeira intenção é que você entenda o verdadeiro sentido do Natal, suas tradições e costumes, a fim de que você como salvo no Messias, esteja livre de todo paganismo do mundo hodierno.

Se pesquisarmos um pouco, veremos que o Natal atual tem todas as características de uma festa pagã. Vejamos alguns exemplos:

Pinheiros

Os escandinavos adoravam árvores e sacrifícios eram feitos debaixo das árvores ao deus Thor. A Enciclopédia Barsa descreve que a árvore de Natal tem origem germânica, datando do tempo de São Bonifácio (800 d.C.). Os pagãos germânicos faziam sacrifícios ao carvalho sagrado de Odim (demônio das tempestades) e ao seu filho Thor.

O ato de cortar as árvores para enfeitá-las é bem antigo. Vejamos o que diz o profeta Jeremias (10:3 e 4): "... porque os costumes dos povos são vaidades, pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam para que não se movam...". Quando os pagãos se tornaram cristãos, normalmente sem uma profunda experiência com Yeshua ( Jesus), levaram consigo todos os costumes pagãos.

Presépio

Foi instituído no século XIII por São Francisco de Assis, que quis representar o cenário no qual Yeshua nasceu.

Papai Noel

Noel, em francês, significa Natal. Porém, esta palavra não consta na Bíblia e sua origem, conforme minha pesquisa, é incerta. Há contudo, aqueles que ligam o mito Papai Noel com a lenda de São Nicolau, Bispo de Mira, na Ásia Menor, no século IV. A Holanda o escolheu como patrono das crianças e neste dia era costume dar presentes. Este costume, então, se espalhou pela Europa. Os noruegueses criam que a deusa Hertha aparecia na lareira e trazia consigo sorte para o lar. A lenda conta que as crianças colocavam seus sapatinhos na janela e São Nicolau passava de noite colocando chocolates e caramelos dentro dos sapatos. Tudo isto foi descaracterizando o verdadeiro espírito do Natal.

NASCIMENTO DE YESHUA (JESUS)

Até o ano 300 d.C. o nascimento de Yeshua era comemorado pelos cristãos em diferentes datas.
No ano 354 d.C. o papa Libério, sendo imperador romano Justiniano, ordenou que os cristãos celebrassem o nascimento de Yeshua no dia 25 de dezembro. Provavelmente, ele escolheu esta data porque em Roma já se comemorava neste dia o dia de Saturno, ou seja, a festa chamada Saturnália. A religião mitraica dos persas (inimiga dos cristãos) comemorava neste dia o NATALIS INVICTI SOLIS, ou seja, "O Nascimento do Sol Vitorioso".
Na tentativa de "cristianizar" cultos pagãos, o clero da era das trevas (de Constantino até a Idade Média) tentou de todas as formas conciliar o paganismo com o cristianismo. Um bom exemplo disto foi a criação dos santos católicos, substituindo as festas e padroeiros pagãos. Vênus, deusa do amor; Ceres, deusa da colheita; Netuno deus do Mar; assim como São Cristovão é o padroeiro dos viajantes; Santa Bárbara, protetora dos trovões e o famoso Santo Antônio é o padroeiro do casamento.
No Brasil ainda foi muito pior quando os santos se misturaram com os demônios e guias do candomblé, umbanda, vodu, etc.
Paulo, na carta aos romanos (1.25) diz que mudaram a verdade de D'us em mentira.

AFINAL, QUANDO NASCEU YESHUA? (Creio eu, ser uma verdade revelada - Hb 1.1)

Lucas foi o evangelista mais minucioso. Vejamos algumas passagens:

Lucas 2.8 - diz que haviam pastores guardando seus rebanhos durante as vigílias da noite. O inverno em Israel é rigoroso e isto é pouco provável que tenha acontecido no inverno.

Lucas 2.1 - diz que César Augusto convocou um recenseamento para o povo judeu. É pouco provável que realizariam um recenseamento no inverno, onde povo deveria percorrer a pé ou no máximo em lombo de animal, grandes distâncias durante o inverno. Além do mais, Yosef (José) não iria expor uma mulher grávida a andar a céu aberto nestas condições.

Lucas 1.5 - diz que naquele exato momento Zacarias servia no templo como sacerdote no turno de ABIAS. Isto é, os sacerdotes se revezavam no templo em turnos, (cada turno tinha um nome; ABIAS era o 8º turno, sendo portanto, um dos 24 turnos de revezamento dos sacerdotes).

Lucas 1.8,9 e 13 - diz que neste exato momento Zacarias recebe a anunciação do nascimento de Yohanam Ben Zechariah (João Batista - filho de Zacarias).

Lucas 1.23 e 24 - diz que Isabel estava grávida de João Batista.

Vejamos, portanto, quando realmente Yeshua(Jesus) nasceu. Analisando atentamente alguns versículos bíblicos, podemos concluir que Yeshua não nasceu em dezembro e sim nos prováveis meses de setembro ou quando muito outubro, meses em que os judeus comemoravam a Festa dos Tabernáculos, como diz João 1.14: "... e a Palavra se fez carne e habitou entre nós...", "habitou" no original grego é 'skenesei' que se traduz como 'TABERNACULOU'.

Êxodo 12.1 e 2 e Deuteronômio 16.1 - mencionam que a Páscoa é a principal festa do ano e acontece no primeiro mês.

Êxodo 23.15 - diz que Aviv é o primeiro mês do calendário religioso judeu (bíblico).

I Crônicas 24.7-10 - diz que os sacerdotes se revezavam em turnos de dois turnos/mês e que ABIAS era o oitavo turno.

Qual é, portanto, a dedução lógica para descobrir o mês do nascimento de Yeshua (Jesus)?

Nosso D'us, é um D'us lógico e para Ele não há coincidências. É bem provável que o primeiro turno dos sacerdotes deveria começar no primeiro mês religioso do calendário judaico, por quê? Imaginem, se os sacerdotes faziam rodízio para servir no templo, eles deveriam ter um mês de referência para que, antecipadamente, pudessem conhecer seus respectivos turnos e meses nos quais eles (os 24 sacerdotes) fariam o revezamento. E é bem lógico que eles escolheriam o mais importante dos meses judaicos, que era o primeiro mês, Aviv, no qual se comemora Páscoa. Então, se isto é lógico e aceitável, não restam dúvidas que o turno de ABIAS de Zacarias que era o oitavo da escala e coincidiu com o mês chamado TAMUZ. Ora, a Bíblia diz que poucos dias após Zacarias ter recebido a anunciação do anjo sobre o nascimento de João Batista (Yohanam Ben Zechariah), Isabel, sua mulher ficou grávida.

Lucas 1.25 e 36 - diz que estando Isabel no 6º mês de gravidez (mês de Tevet), foi ela visitada por Miriam (Maria mãe de Yeshua) que acabara de ficar grávida. Ora, se contarmos 6 meses no calendário judaico vamos concluir que Maria ficou grávida de Yeshua no mês de TEVET e, se contarmos nove meses a partir de TEVET chegaremos à conclusão que Yeshua HaMashiach (Jesus o Messias) nasceu nos meses de setembro ou no mais tardar em outubro, meses estes que coincidem sempre com o mês do calendário judaico de Tishrei (7º mês do calendário), no qual os judeus comemoram a Festa dos Tabernáculos.

O Calendário judaico é lunar e por isso há diferença entre os meses do calendário gregoriano, que é baseado no sistema solar.

À propósito, no jornal "Estado de Minas" do dia 16 de dezembro de 1990, foi publicada uma matéria pelo Prof. Nelson Travnik, do observatório Municipal de Campinas - SP, que os computadores já calcularam com base em dados astronômicos, que a data provável do nascimento de "cristo" foi em 15 de Setembro do ano 7 E.C.

Não tenho ferramentas ou argumentos científicos para endossar essa data e nem tão pouco informação Bíblica para contradizê-la. Mas, uma coisa eu sei, esta publicação veio exatamente confirmar essa mensagem, na qual eu já cria pela fé e por meio dos fatos bíblicos e históricos aqui mencionados.

CONCLUSÃO:

Fique, portanto, no coração de cada um esta mensagem. Ore a D'us, peça para entendê-la bem. Julgue também a palavra. Mas, tenho certeza que grande libertação virá na sua vida e com certeza você se sentirá mais livre das tradições mundanas, não sendo cúmplice e nem comungando com outros "espíritos" os quais não testemunham da verdade, que é o próprio YESHUA !

Seja sábio! Não saia agora por aí condenando tudo e todos. Você nasceu para ser luz onde há trevas.

Creio, também, não ser essencialmente importante saber ou não que Yeshua nasceu em dezembro.

No Verdadeiro Shalom do Messias, Yeshua HaMashiach. Amém.



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(*) Marcelo M. Guimarães - Engenheiro Industrial, MBA em Economia, Teólogo, Rabino Messiânico ordenado pelo Netivyah Bible Instruction Ministry-Jerusalém-Israel. Fundador do Ministério Ensinando de Sião, do Cates, da Abradjin e da Congregação Har Tzion em Belo Horizonte-Brasil.

Coisas para serem lembradas no Natal Cristão


Escrito por Elhanan Ben Avraham - ISRAEL

Coisas para serem lembradas durante o “Natal” cristão

Grande parte da população mundial já começa a comemorar o nascimento de um judeu chamado Yeshua (mais tarde chamado Jesus), que nasceu de uma mãe judia chamada Miriam (chamada mais tarde de Maria). Como todo judeu,ele foi circuncidado ao oitavo dia de vida e viveu quase todos os seus dias na Terra de Israel. Morreu e ressuscitou em Jerusalém. Ele foi crucificado pelos romanos como "O Rei dos Judeus". Ele viveu como um judeu de acordo com a Torá e manteve todos os costumes judaicos do povo judeu. Todos os seus discípulos eram judeus e todos viveram de acordo com a Torá, incluindo a guarda do Shabat (sétimo dia) e as leis alimentares (Kashrút). De acordo com o Livro dos Atos, havia dezenas de milhares de judeus crentes em Yeshua em Israel, incluindo judeus ortodoxos. Todos os seus seguidores eram "zelosos da lei". Outros Judeus escreveram todos os feitos e ensinos da vida de Jesus, entre tais feitos a promessa em se fazer uma Nova Aliança com a casa de Judá e Israel, de acordo com o que foi dito pelo profeta Jeremias (cap. 31:31). Tal Aliança foi compilada e deu origem ao que é conhecido hoje como o “Novo Testamento”.

O primeiro grupo de seguidores de Jesus eram apenas Judeus. Foram esses apóstolos judeus que levaram as Boas Novas da graça do D'us de Israel para os não-judeus das nações da Terra. Um dos seguidores de Jesus chamado Shaul (chamado em latim “Paulus”), foi o apóstolo judeu escolhido por Jesus para ensinar aos gentios. Paulo descreve a si mesmo no Novo Testamento dizendo: "Eu sou judeu". Ele guardava a Torá e viveu todos os dias de sua vida mantendo os costumes e tradições de seus pais e seu povo (como Jesus e todos os judeus que o seguiam). Está determinado por D-us que Yeshua (Jesus) deverá retornar como o "Leão da tribo de Judá", ou seja, ainda como um judeu.

Infelizmente, esses fatos foram virtualmente escondidos pelos cristãos atrás de uma névoa de costumes e festividades de origens pagãs as quais estão repletas de anti-semitismo. Mas, me alegro em ver que este véu está lentamente sendo retirado do rosto de muitos cristãos, e esse fato também ajudará a retirar outro véu que também está sobre os olhos do meu povo, o povo judeu. Este meu povo está agora novamente reunido por D'us na Terra Prometida e de posse novamente de Jerusalém, após 2000 de exílio. Muitos desses judeus hoje em Israel são verdadeiramente zelosos para com o D'us de Israel e aguardam diariamente e fielmente a vinda do Messias.

Por isso, peço a todos: orem pelo o povo judeu e pela paz de Jerusalém!

Shalom,

Elhanan Ben Avraham
Jerusalém - ISRAEL
Publicado em
http://www.ensinandodesiao.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=193&Itemid=28

Cronologia dos Patriarcas - De Adão à Isaque - Gráfico





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Quase um mês se passou e ninguem comentou nada, sendo assim eu mesmo olhando para o gráfico por algum tempo, resolvi escrever algumas impressões que tive, e se alguem quiser comentar, o artigo é "A Toráh "Lei" antes do Sinai"

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Bom Testemunho Operado Pela Fé dos Justos - Gráfico




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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Como entender as aparentes contradições da Bíblia?. Parte III

Por Julio Dam rabino messiânico
Traduzido e adaptado por Metushelach bem Levy

Recomenda-se ler as Partes I e II para melhor compreensão do que se segue.

Falando da salvação, a salvação se perde, como dito por Armínio ? Ou, pelo contrário, "uma vez salvo, sempre salvo", como diz a doutrina calvinista? Deixamos que "a Bíblia interprete a si mesma!" Os arminianos citam Hebreus 6:4-6: "Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo,experimentaram a bondade da palavra de D-us e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de D-us, sujeitando-o à desonra pública.” E também: I Pedro 1:10: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” O fato de que diz que "fazendo isto” implica necessariamente que há a possibilidade de que se não as fazendo, então, poderás tropeçar.

Em vez disso, os calvinistas citam: Yochanan/João10.28 “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos.” e 1 Ped. 1:5: "que sois guardados pelo poder de D-us, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo."

Proposições a cerca da Torá (as "Instruções"), tem David HaMelech (Rei David) a chama de "delícia", Shaul (Paulo) tem a chamado de "ministério da morte", "jugo da escravidão" e "maldição".... - "QUAIS DOS DOIS SE LAVOU? "Você poderia perguntar ao rabino da lição de Pilpul das partes anteriores.
Um dos títulos do Senhor Yeshua é o "Príncipe da Paz", enquanto em Mateus 10:34, diz: ". Eu não vim trazer paz, mas espada".
Um verso diz Faraó "endureceu o seu coração", enquanto outro diz que D-us foi quem endureceu o coração de Faraó.
O Mestre Yeshua é chamado de "Cordeiro de Deus", e em outra passagem "Leão de Yahudá".
O Senhor diz que para nós encontrarmos a nossa vida temos que perder-la (Matityahu/ MT. 10:39), Em 2 Coríntios 12:10 diz que quando somos fracos é quando somos fortes. Lucas 14:11 diz que o caminho para a nossa exaltação é a nossa humilhação. (E poderíamos continuar e continuar dando exemplos de aparentes contradições, algumas delas são tão importantes, que têm feito cair muitos irmãos da fé, porque não podem lidar com elas!)

Uma área que tem feito muitos irmãos perderem a fé é a questão da "inerrância" da Bíblia. Tem erros na Bíblia? Os fundamentalistas têm como dogma centrail de sua fé é a que “a versão King James da Bíblia não tem nem um errinho.” Isso não falado é gritado, e tome cuidado, quem se opor a este dogma! Evangélicos segundo John D. Woodbridge têm a inerrância como um dos princípios fundamentais de sua fé, apesar de, segundo este autor, isso não é tão forte hoje em dia.

Nós cremos que as Escrituras em suas línguas originais não tem um único erro, já que provem de Deus. Em contrapartida, a tradução para qualquer idioma, existem centenas de erros, dos quais iremos citar alguns exemplos abaixo. Mas, primeiro, analisaremos a origem desta doutrina de infalibilidade das Escrituras.
Agostinho o paladino e coluna da Igreja da Babilônia, disse algo de muito revelador, que tem muito a ver com o que declaramos no início deste artigo acerca do pensamento helenístico e de sua fragilidade, comparado com o pensamento judaico, e sua capacidade de gerenciar paradoxos facilmente. Agostinho disse: "As consequências mais desastrosas seguirá se acreditarmos que há algo de falso nos livros sagrados." Outros apologistas da inerrância dizem coisas muito semelhantes como: "A idéia de que se um erro foi encontrado na Escritura, a sua autoridade será prejudicada."

Na frase anterior, acreditamos, está a chave para todo o problema: a fragilidade inerente do pensamento binário (sim / não) é tal, que mesmo se um único erro for encontrado, então o conjunto teológico todo, desmorona. E não só encontramos um erro, como dissemos, mas centenas - tanto na tradução, como nos originais, principalmente no hebraico, a fé de muitos desmoronou por causa do distanciamento que houve do pensamento imerso no contexto judaico que o escritor das Escrituras estava implantado, assim as raízes judaicas são as únicas ferramentas com capacidade de oferecer uma explicação para as aparentes contradições e paradoxos. Como vimos na lição Pilpul, o Rabino lidava perfeitamente com três explicações simultâneas e contraditórias entre si, sem que sua fé na história fosse abalada.


Alguns erros de tradução

. Alguns deles são tão graves que tem produzido erros teológicos que se perpetuaram pela história. Tentaremos ir em ordem de importância, do maior para o menor.

Um dos erros com más conseqüência para nosso entendimento é o de Shemot/Exodo 3:14: "E D-us disse a Moisés:". Eu sou o que eu sou "Ele disse: “Diga aos filhos de Israel: Eu SOU me enviou a vós ". Quantos sermões você já ouviu, caro leitor, acerca do “EU SOU O QUE SOU”, não é verdade? No entanto, a verdade é que não existe tal expressão em hebraico! Além disso, é impossível dizer "eu sou" em hebraico!
O que é dito é: EHEIÉ ASHER EHEIÉ, que significa, “Serei o que serei ”



O que quer dizer Elohim com esta definição de si mesmo?
Cada um de nós é algo hoje, mas em 20 anos, se você seguir a Ruach HaKodesh vai ser muito diferente, pois Elohim terá o feito mudar, e por sua vez, essa pessoa terá uma visão muito diferente de Elohim em 20 anos da que tem hoje. Em outras palavras, D-us “será o que será” na vida desta pessoa, um D-us muito diferente do que é hoje - aos olhos desta pessoa. Por isso, também, D-us se chamava de "O D-us de Abraão, o D-us de Isaac e o D-us de Jacó" e não "o D-us de Abraão, Isaac e Jacó, porque ele é um D-us diferente para cada um de nós; O D-us que acabou sendo o D-us de Avrahan foi distinto do que acabou sendo o D-us de Isaque, porque tanto Avraham como Isaque eram diferente.

Cremos ter a chave para explicar este erro, que compromete a própria compreensão de quem é o D-us YHWH , e se continua a traduzir igual depois de quase 2.300 anos, a partir da tradução da Septuaginta, no ano 280 E.C. em Alexandria, no Egito.

Primeiro, o erro já estava lá. É emocionalmente muito difícil para qualquer um que precisa ser aprovado por seus pares, chegar e dizer: "Ei, aqui é um erro que já tem 2.000 anos!" Isso significa que você pode ser apontado e chamado de herético! E há poucas pessoas dispostas a se expor e a sair dos cânones para “dar a cara a tapa” pela verdade. Em segundo lugar, nunca procurou consultar com os judeus! Leia uma história incrível, mas, definitivamente, relacionadas com o Mar Morto, descobertos em 1947 em cavernas no deserto Qumran. O patriarca de uma Igreja Oriental, que teve os rolos em seu poder, depois de te-los comprado de vendedores árabe, viveu no em Jerusalém, por volta de 1950. Você pode acreditar se dissermos que ele nunca consultou os milhares de judeus ao seu redor para saber o que diziam os rolos, mas escreveu cartas para os EUA que levavam anos para ser respondida, quando tinha 200.000 judeus disponíveis em redor de seu escritório, aos quais poderia ter perguntado? Infelizmente, essa atitude não é a exceção mas a regra. Agora podemos entender, talvez porque “EU SOU O QUE SOU” continua sendo um erro durante séculos.

Outro erro de tradução que tem sérias implicações teológicas é o de Êxodo 20:13 "Não matarás". Quantas denominações pacifistas foram formadas e continuam até hoje, com base neste erro de tradução? Quantos "objectores de consciência" existiu ao longo da história, com base nessa tradução ruim? A palavra hebraica usada aqui é ratzág, que significa "assassinar", enquanto a palavra para "matar" é Harag, que não é a encontrado aqui. A diferença é crucial: o que é proibido é que você assassine alguém por sua conta, porque ele bateu em seu carro, por exemplo. Não é proibido matar na guerra, comandada por seu governo, entretanto as Escrituras, a propósito, tem vários exemplos de ordens de YHWH para matar "homens, mulheres e crianças."

Nós poderíamos continuar e continuar com o exemplo após exemplo de erros de tradução. Uma das mais flagrantes foi recentemente corrigida na KJV. Desde o início do século até a versão 1995, em milhares de versos, mudaram a palavra original do Shabat, que significa "Sábado", e Sabaton, em grego, por "dia de repouso", par que mentalmente leiamos "Domingo" e assim justificar a celebração do dia pagão do deus Sol, Mitra ("Sun-day" em Inglês). Agradecemos ao Senhor que desde 1995 temos uma versão em nossa língua, sem esse erro!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A mão sustenta o mundo - Parte II

Guemilut chassadim e tzedaká (Atos de Bondade e Justiça Social)

Como vimos, guemilut chassadim é definido por qualquer ato realizado com o objetivo de beneficiar o outro. Um ato de bondade ocorre quando uma pessoa doa algo de si para outro, seja dinheiro, energia, tempo ou afeição. Em hebraico, o termo guemilut chassadim é sempre utilizado no plural, pois cada ato de bondade é recíproco, beneficiando o receptor e o doador também. Ensinam nossos sábios que cada ato de bondade tem dupla conseqüência: ajuda o que recebe e abençoa o que dá.
A tzedaká é um dos sustentáculos do judaísmo. Mas nossos sábios ensinam que os atos de guemilut chassadim são, geralmente, superiores. O Talmud explica: "Os sábios ensinaram: de três maneiras os atos de bondade são maiores que a caridade. A caridade é realizada com dinheiro; a bondade é feita quando alguém dá de si. A caridade é dada ao pobre; a bondade pode ser feita tanto para o pobre quanto para o rico. A caridade é para os vivos; a bondade é para os vivos e para os mortos" (Sucá, 49b).
O Maharal de Praga, Rabi Yehudá Loew, afirmava que por mais louvável e necessária que fosse a tzedaká, muitas vezes é impulsionada por um sentimento momentâneo de compaixão. É difícil não ajudar alguém quando somos defrontados com a dor ou fome de outro ser. Mas, explica o Maharal, para que o homem se "aproxime" de D'us, ele precisa ir além de momentos passageiros de compaixão; o homem que deseja elevar-se espiritualmente precisa se tornar um verdadeiro homem de chessed. Para tal homem, agir para beneficiar outros não é uma resposta frente a uma necessidade, mas uma qualidade intrínseca de sua personalidade. O coração e a mente de um homem de chessed estão sempre atentos, percebendo as necessidades dos que estão a sua volta e agindo para atendê-las.
Maimônides, o maior dos filósofos judeus e codificador da Lei Judaica, explicou qual a diferença entre tzedaká e chessed. Tzedaká vem da palavra tzedek, cujo significado é justiça. Justiça quer dizer dar a alguém algo que é seu por direito - no judaísmo, a caridade é considerada uma forma de justiça e não bondade gratuita. Chessed, por sua vez, é uma atitude em relação àqueles que não necessariamente precisam de gestos de bondade - ou na proporção na qual são receptores. Assim, Maimônides conclui que enquanto a tzedaká está relacionada a um ato de generosidade, geralmente feito por alguém que deseja aperfeiçoar a sua própria alma, chessed aplica-se à realização da beneficência sem limites.
Praticando o bem
A prática de atos de bondade é necessária para se constituir uma sociedade saudável e justa. Mas, para que a generosidade seja canalizada de forma positiva, deve incluir medidas de empatia, discernimento e respeito. Deve-se tomar, sempre, o maior cuidado para salvaguardar os sentimentos e o amor próprio de quem necessita de ajuda. A Torá ensina que se uma pessoa der a outra os mais valiosos presentes do mundo, porém de má-vontade, será como se não tivesse dado nada. Por outro lado, se um indivíduo for recebido com um sorriso de boas-vindas, ainda que não seja possível dar-lhe algo, será como se os presentes mais valiosos do mundo lhe tivessem sido ofertados. D'us nos ordena ser gentis não apenas com atos, mas também com palavras - falar gentilmente com os menos afortunados e estimulá-los. Na Torá, D'us promete abençoar aqueles que assim agem.
Atos de bondade cobrem uma gama quase infinita de possibilidades, pois qualquer ser humano é "pobre" em relação ao que lhe falta. Alguns precisam de ajuda financeira, outros de afeição e outros, ainda, de conhecimento. Da mesma maneira que temos a obrigação de cuidar física e mentalmente dos outros, devemos fazer o mesmo em relação a seu espírito. É isto que D'us nos ordena na Torá: "... se há um necessitado entre vós... certamente deveis estender-lhe vossa mão e emprestar-lhe o suficiente para suas necessidades, seja o que for que lhe falte". (Deuteronômio,15:7-8). Este é um mandamento amplo, que não se limita às necessidades materiais do indivíduo. Guiar os outros, ensinando-lhes a Torá, é um elemento essencial de guemilut chassadim.
Todo aquele que segue o mandamento de estudar a Lei tem também a obrigação de ensiná-la não apenas às crianças, mas a qualquer um. Nossos sábios ensinam que desviar alguém do caminho da Torá é pior do que feri-lo fisicamente, pois o dano espiritual é maior do que o físico. O dever de cuidar do bem-estar espiritual dos necessitados ultrapassa, muitas vezes, a obrigação de prover-lhes de bens materiais.
Ensinam nossos sábios que o verdadeiro altruísmo, a verdadeira bondade, são realizados quando não se espera nada de volta. Freqüentemente, mesmo se de forma inconsciente, ao darmos algo de nós mesmos para outro, temos a expectativa de receber algo em retorno. Mas o verdadeiro amor, a verdadeira bondade, devem ser dados incondicionalmente, sem esperar nada em troca.
É por isso que o judaísmo considera que o verdadeiro ato de bondade, chamado de Chessed shel Emet, é feito aos mortos, pois os falecidos jamais poderão dar algo para aquele que tudo faz para que sejam enterrados com dignidade e respeito. A passagem de um ser humano desta vida terrena para a sua Morada Celestial é um dos ciclos de sua existência, não o seu fim. Portanto, o corpo do falecido deve ser enterrado com dignidade e conforme as leis judaicas e deve-se recitar o Kadish, estudar a Torá e realizar atos de tzedaká, para ajudar a elevar a alma do falecido.
Mais do que um
No judaísmo, o conceito de guemilut chassadim não é uma sugestão ou uma convenção social desejável. É uma obrigação religiosa, uma ordem Divina. Guemilut chassadim literalmente quer dizer "devolver chessed". Cada um de nós recebe do Todo-Poderoso, todos os dias, um fluxo inesgotável de bondade. Basta olhar em nossa volta e prestar atenção a todas as bênçãos que recebemos, dia após dia. A única maneira de pagar por este chessed é fazendo algo pelos outros.

O judaísmo ensina que o homem é uma criatura que mantém hábitos; à medida que a prática da bondade se torna uma constante em sua vida ele vai-se elevando e se torna um ish chessed, um homem de bondade. Desta forma, realizará a missão Divina de consertar e santificar o mundo e torná-lo um reino de D'us.

A mão sustenta o mundo - Parte I

Shimon, o Justo, um dos últimos participantes da Grande Assembléia, afirmava: "Sobre três coisas se sustenta o mundo: o estudo da Torá, o serviço Divino (a oração) e guemilut chassadim, os atos de bondade". (Pirkei Avot - A Ética dos Pais).

O judaísmo ensina que o homem é o único ser que possui livre arbítrio e que pode, de forma consciente, beneficiar seus semelhante são praticar atos de bondade - guemilut chassadim, em hebraico. A Torá e nossos sábios ensinam que a bondade, a generosidade, a ética e a responsabilidade coletiva constituem parte integral dos mandamentos Divinos transmitidos para o povo judeu no deserto do Sinai. O mandamento de guemilut chassadim vai além da prática da tzedaká e inclui qualquer ato de bondade que é feito a outro. Mais especificamente, inclui emprestar dinheiro ou objetos, ser hospitaleiro, visitar e confortar os doentes, dar roupas a quem o necessita, auxiliar e alegrar noivas e noivos, enterrar os mortos, consolar os enlutados e promover a paz entre pessoas. Um simples sorriso, uma palavra bondosa e um ouvido atento em um momento de aflição são também atos de bondade. Cada vez que estendemos a mão a alguém que precisa de ajuda estamos cumprindo esse mandamento.
Desde seus primórdios, o judaísmo e a prática de guemilut chassadim são inseparáveis e entrelaçados, pois sem compaixão, moralidade e justiça social não há como manter uma sociedade ou sustentar a humanidade. Ensinam nossos sábios: "Se Israel considerasse as palavras da Torá que lhe foi dada, nenhuma nação ou reinado teria domínio sobre esse povo. E o que a Torá pede que se faça? Que se aceite sobre si o jugo do Reinado Celestial e que os membros do povo de Israel pratiquem, uns com outros, atos de bondade".
O Midrash vai mais longe e revela que a prática de atos de bondade é a pedra fundamental, o pilar sobre o qual se ergue todo o universo.
O judaísmo ensinou ao mundo que o homem foi criado à "imagem de D'us". Isto significa que o ser humano é um microcosmo dos atributos e qualidades Divinas. Portanto, assim como a bondade, a generosidade e a compaixão do Todo-Poderoso se estendem a todos, o homem deve buscar fazer o mesmo.
A Torá nos ordena: "Deves seguir D'us e ser fiel a Ele" (Deuteronômio 13:5). Ao comentar este verso, nossos sábios afirmam que o ser humano só pode apegar-se a D'us e se aproximar Dele se emular Suas qualidades. D'us é Misericordioso e Generoso. De fato, um dos nomes de D'us mais usado no Talmud é Rachmaná - "O Misericordioso", então o homem também deve ser misericordioso, generoso e bondoso com todos. Portanto, afirmam nossos sábios, assim "como D'us veste os que não possuem roupa... visita os doentes...consola os enlutados... cuida dos mortos... alegra os noivos e noivas..., também tu deves assim proceder".
Os rabinos do Talmud consideravam a bondade uma das três marcas singulares do judeu. Guemilut chassadim é tão fundamental no judaísmo que, se alguém não pratica atos de bondade, deve-se questionar se realmente faz parte da Nação Judaica, pois, está escrito que "Israel, o povo sagrado, é caracterizado por três qualidades: a modéstia, a misericórdia e a prática da bondade" (Yevamot, 79a). O Talmud vai além e afirma que alguém que só estuda Torá, mas não pratica a bondade, repudia a D'us e não adquire nem mesmo o mérito do estudo. Pois, como ensinou Rabi Akiva, o maior mestre do Talmud, o mandamento "Amarás a teu semelhante como a ti mesmo" (Levítico 19:18) é o princípio fundamental da Torá.

Ser um ish chessed (Homem de Bondade)
Uma das principais metas do judaísmo é ajudar o homem a se aperfeiçoar espiritualmente para que ele se torne um ish chessed, um homem de bondade. Não surpreende, portanto, que o primeiro patriarca judeu, Avraham, personifique a Sefirá, o atributo Divino, de chessed - benevolência, generosidade e amor infinito.
Bondoso e altruísta, Avraham estava sempre preocupado com o bem-estar dos outros, respeitando e amando todos os seres e cercando-os de atos de bondade e generosidade.
Hospitaleiro, o primeiro judeu usou sua riqueza para acomodar os viajantes; as portas de sua tenda estavam sempre abertas a todos aqueles que por lá passavam. Qualquer um, anjo, mendigo ou mesmo idólatra, podia entrar em seu lar e comer à sua mesa, ou descansar em uma de suas tendas. Avraham também compartilhava com outros sua sabedoria e seu conhecimento. Para salvar alguém do sofrimento e da morte, não hesitava em tomar a medida necessária, mesmo arriscando a própria vida. Avraham é o paradigma do judeu ideal - bondoso com D'us e com os homens; o Talmud ensina que qualquer pessoa que tenha compaixão por outras certamente descende do patriarca.
Na Cabalá, a Sefirá de Chessed, simbolizada por Avraham, representa a bondade, o altruísmo, o compartilhar, o dar incondicional, o amor. É o fluxo de energia que nos abre para o mundo e nos leva a estender a mão ao outro. Em hebraico, a palavra que significa "amar" é ohev e advém de hav, "dar". O verdadeiro amor, ensina o judaísmo, é constituído por atos de doação e bondade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O redescobrimento da família: uma perspectiva judaica

por Bernardo Kliksberg

As pesquisas não deixam lugar para dúvidas. No início de um novo milênio e em meio a mudanças tecnológicas vertiginosas e uma crescente perplexidade sobre qual era o futuro de uma humanidade afogada em profundas contradições, há uma instituição que, em vez de perder vigência, tem concreta relevância, cada vez maior - a família. Em um recente congresso internacional sobre a família, as contribuições das mais variadas disciplinas foram unânimes.
A família cumpre, atualmente, funções decisivas nos campos cruciais para o ser humano e a sociedade. É a principal unidade de saúde preventiva da sociedade. A atenção e cuidado com a criança na primeira infância são centrais para os níveis de saúde futuros de toda a sua vida. O desempenho educativo de crianças vindo de lares onde os pais apóiam e acompanham seus estudos é muito melhor do que o das crianças provenientes de lares enfraquecidos, desarticulados ou pouco responsáveis. O modelo de pensamento, análise e discussão recebidos no lar afetam profundamente o desenvolvimento de habilidades intelectuais importantes no mundo de hoje, como as do pensar independente e criativo. As pesquisas determinaram que o tipo de relação pai-mãe tende a ser reproduzido nos lares dos filhos. Entre outros aspectos, determinou-se que os maridos que praticam a violência doméstica, uma aberração muito freqüente no mundo atual, provêm em um percentual altíssimo de lares onde viram seus próprios pais agir desta forma.
Em uma época em que a criminalidade aumenta desenfreadamente, observa-se que o que se aprende do aspecto moral no âmbito familiar, nos primeiros anos de vida, é decisivo para que, mais tarde, o jovem caia ou não em condutas delituosas. Assim sendo, a família é percebida como o instrumento mais eficaz de prevenção do delito, a serviço da sociedade. Alguns economistas indicam, ainda, que não há nenhuma unidade produtora de serviços sociais, seja pública ou privada, que se possa comparar em eficácia à família. Esta gera serviços nutricionais, educacionais, de saúde e outros a seus membros, com a mais alta qualidade e os maiores níveis de eficiência existentes.
Sempre se conheceu o papel espiritual, emocional e ético da família. Mas agora se lhe agregam avaliações que indicam seu peso fundamental sobre aspectos concretos e básicos das sociedades, como todos os mencionados e muitos outros ainda por agregar.
A instituição criada por D'us como base do gênero humano, como afirma a Torá, é hoje "redescoberta", no início do Século 21, pelas ciências, como a unidade social mais capaz e efetiva com que conta o homem.Pode parecer que tal redescobrimento chega um pouco tarde, já que a família vivencia sérias dificuldades em diversos aspectos. Nas sociedades ricas e nas classes altas de países como os latino-americanos, a busca desenfreada por bens materiais e de poder como objetivos finais da vida, e o consumismo exagerado, relegaram à marginalidade valores e instituições não utilitárias, entre elas a família. Esta aparece para os yuppies, e aos que visam a ascensão social, como um obstáculo, com suas mensagens morais e suas exigências de fidelidade e respeito a pais e irmãos.
Nos setores pobres da América Latina e de outras regiões, a família sofre o embate das agudas penúrias econômicas. Estima-se que de 1980 a 1996 o número de pessoas abaixo da linha de pobreza sofreu um aumento de 63 milhões. Uma vítima desse processo de pauperização foi, sem dúvida, a família. Hoje, mais de 30% dos domicílios na região ficaram sob a responsabilidade da mãe, apenas, e em sua imensa maioria, de mães humildes. O desemprego e a miséria foram determinantes na ruptura do núcleo familiar. Políticas econômicas totalmente insensíveis a suas conseqüências sobre a família foram também responsáveis por estas realidades,cada vez mais agudas. Urge fortalecer a família e, para tanto, toda a sociedade deve empenhar-se ao máximo. Sem essa fonte inesgotável de valores, afeto e contribuições diários, o futuro das gerações jovens será sombrio e o da sociedade será um grande ponto de interrogação.
O judaísmo tem idéias estruturadas a este respeito desde suas origens, e sua consagração da família como entidade pilar da vida judaica é uma das características centrais da identidade judaica. "Honrarás teu pai e tua mãe" já prescreviam os Dez Mandamentos. No texto bíblico há um alerta drástico: "Amaldiçoado seja aquele que ultraja seu pai ou sua mãe" (Devarim, 27:16).
As normas básicas não deixam lugar a dúvidas nem a ambigüidades. Honrar os pais - aspecto básico da relação familiar - é um dever inevitável. As relações entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos entre si e parentes imediatos são cuidadosamente definidas, buscando assegurar a harmonia do núcleo familiar. Maimônides ensina como devem ser as relações entre esposos: "Nossos Sábios sentenciaram que o marido deve honrar sua mulher mais do que a si próprio e amá-la como a si próprio".
Esta regra determinante foi ditada em períodos da mais virulenta discriminação entre os gêneros. Os pais, segundo prega o judaísmo, não devem favorecer um dos filhos, pois isto seria um erro. Devem, sim, cuidar da educação de seus filhos, isto é ponto pacífico, um compromisso vital básico. Os filhos, por sua vez, devem esforçar-se para dar satisfações legítimas a seus pais.
A Torá, em Gênese, assim narra o encontro de José, filho supostamente assassinado, e seu pai Jacob (Israel), após 25 anos de separação: "E aprontou José sua carroça e subiu ao encontro de Israel, seu pai. Em Goshen, se lhe apareceu diante dos olhos, atirou-se sobre seu pescoço, e chorou muito sobre seu pescoço." (Bereshit 46:29). Os rabinos enfatizam que com a expressão "se lhe apareceu diante dos olhos", o texto bíblico enfatiza que, apesar de tantos anos de separação, o pensamento de José estava fixo no prazer que tinha seu pai ao vê-lo. Entendeu que seu próprio prazer era secundário frente ao que sentia seu pai (citado pelo Rabino Zelig Plinskin, na obra "Ama teu próximo").
As normas judaicas alertam que um irmão não deve falar mal de seus irmãos. Estipulam expressamente a honra aos sogros, protegendo a força e a estrutura de toda a família.
A sabedoria judaica se pergunta de que forma um judeu pode honrar seus pais. Uma das respostas é: "Ocupar-se do estudo da Torá e praticar boas ações é a honra maior que um filho pode brindar a seus pais, vivos ou mortos, porque então está dito: "Quão dignos de louvor são esse pai e essa mãe que criaram semelhante filho", (citado por Rabi Hayim Halevy, em O ser judeu).
A importância atribuída pelo judaísmo a se constituir uma família é tal que no Talmud da Babilônia (Tratado Meguilá, 27a.) está escrito: "É permitido vender um rolo da Torá se isto for necessário para se celebrar um casamento".
Soam, com freqüência, em nossos dias, vozes negativas sobre a família. De forma aberta ou velada, dizem que é uma instituição fora de época, antiquada. Apregoam que os filhos, para desenvolver seu potencial, devem afastar-se ao máximo de seus pais. Alegam que há que se deixar de lado as considerações familiares na busca pela ascensão profissional. Elogiam a conduta daqueles que relegam a um segundo lugar a esposa e os filhos, em sua escalada social . Transmitem, como definitiva, a mensagem de que há coisas mais relevantes do que a família e que esta pode, até mesmo, ser um estorvo.
O argumento das fontes e a sabedoria judaica sobre a família lhes dão uma contundente resposta. A despeito de seus detratores, a instituição familiar é fonte de contribuições cada vez mais relevantes e, em muitos casos, seus vários papéis não podem ser substituídos por ninguém nem por nada. As novas pesquisas científicas sobre o especial valor da família em uma infinidade de campos práticos não fazem mais do que refletir suas excepcionais potencialidades. Mas ainda há muito mais, face aos graves problemas que afligem o ser humano neste início de um novo século, como a ausência de valores, a solidão, as dificuldades de comunicação, o individualismo exacerbado. A família aparece como um dos poucos pontos de referência confiáveis, válidos e cálidos. Como muitos outros jovens judeus de meu tempo, aprendi no seio de uma família humilde, mas transbordante de calor familiar, que, como ensinava minha saudosa mãe, Clara, Z'L, a vivência familiar, ao invés de uma exigência forçada, é uma oportunidade de realização e desenvolvimento permanente. Judaísmo e família são uma unidade. A família é uma expressão viva dos valores do judaísmo e um âmbito privilegiado para seu desenvolvimento.

Esta instituição "antiquada" é uma das maiores esperanças que o homem leva em sua caminhada ao novo milênio. Abracemo-la e lutemos por ela com todas as nossas forças!


Bernardo Kliksberg - Prêmio por Mérito Intelectual Judeu do Congresso Judaico Latino-americano, Prêmio AMIA. Assessor especial da ONU, UNESCO e de outros organismos internacionais. Autor de inúmeras obras.
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