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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Genealogias de Jesus - A conciliação

Por Metushelach Ben Levy


Uma vez que a genealogia de Yeshua nos é dada de diferentes maneiras por Mateus e Lucas, supondo-se em geral que estejam em desacordo em suas afirmações, e uma vez que todo crente, pelo desejo de conhecer a verdade, tem sido levado a emprender alguma investigação para explicar certas passagens, sentimo-nos no dever de transcrevermos relatos e dos mais antigos e de grande confiabilidade para explicarmos mais esta aparente contradição.





Nos utilizaremos dos relatos de Eusébio de Cesaréia (263-340 E.C.) em (História Eclesiástica, Livro I, Cap VII, pgs 31-34) que preservou alguns trechos de um epístola de Sexto Júlio Africano para Aristides, na qual há uma harmonização da genealogia dos Evangelhos, e tal explicação passa ao longe daquela que diz ser uma genelogia de Yossef (José) e outra de Mirian (Maria), ou a de que houve erros e inserções posteriores.

Em princípio iremos mostrar as características dos autores de cada genealogia, isto nos revelará o porquê de cada um fazer a sua abordagem especifica .
Mateus o antigo Levy, cobrador de impostos, ao produzir seus relatos não tem a mesma preocupação acadêmica de um historiador, por se pautar em documentos comprobatórios da legalidade de suas palavras, isto não significa que devamos menosprezar as suas contribuições; O interesse mais patente neste Evangelho é o de admoestar aos Judeus acerca da Messianidade de Yeshua , principalmente relacionando a trajetória dele ao cumprimento das profecias da vinda e origem do Mashiach (Ungido), tanto que existem 129 referências à Tanach (A.T.), essa ênfase indica que ele estava escrevendo a leitores para os quais o cumprimento de profecias era importante e significativo.
A genealogia considerada por Mateus portanto leva consigo as características acima relatadas, isto é, Mateus não se utiliza dos documentos oficiais que comprovam as descendências legais que se encontravam no “Registro de Pessoas Civis” da época, o Templo de Jerusalém, mas sim à linha genealógica sanguínea, guardada por tradições familiares que se apoiava nas listas oficiais mas se diferiam destas quando da ocorrência de paternidades legais mas não naturais, isto é, na ocorrência da Lei do Levirato.
(“Obs.: Levirato, era uma instituição que existia entre os israelitas e outros povos do Oriente Médio antigo (como os assírios e os hititas), e consistia na recomendação de que às mulheres viúvas se casarem com o irmão mais novo do falecido marido. Assim, o cunhado tinha a responsabilidade de, através deste casamento com a viúva de seu irmão, dar um herdeiro do sexo masculino ao falecido, de modo que o nome deste não desaparecesse em Israel e mantivesse a propriedade em seu nome. Desta forma, o primogênito, levava o nome do pai “legítimo” (ou seja, o primeiro marido falecido), sendo o tio (pai biológico) o representante do pai. A importância desta lei, que já é consuetudinária antes de Dt 25:5-10, reside não só em manter o nome da família, já que proibia o casamento da viúva fora da família do marido, mas talvez sobretudo na manutenção das propriedades dentro do clã.”)

Mateus ao querer relatar suas impressões ao seu publico alvo, que estava mais suscetível ao que era comprovado de “fato e não de direito”, é que ele transcreve a genealogia de Yeshua de forma a ligá-lo às figuras proeminentes da História Judaica através de sua ancestralidade sanguínea e não a sua ancestralidade legal, tanto que além das divergências nominais com a genealogia de Lucas tem-se a questão da quantidade de nomes listados que não leva em consideração o encadeamento seqüencial mas sim o encadeamento histórico da linhagem, omitindo por vezes nomes não muito significativos ou até de má reputação.

Lucas, médico, e nas horas vagas historiador, diferentemente de Mateus, tem a preocupação acadêmica de legalmente comprovar seus relatos, além do fato de o publico alvo de seu Evangelho ser menos ligado a tradições, como o publico de Mateus, e mais ao encadeamento histórico e legal dos fatos, (“isso deve ao fato de serem Judeus de origem estrangeira e prosélitos de origem grega, que por questão cultural é mais racional”). Por esta motivação Lucas transcreve a genealogia de Yeshua pautado exclusivamente pelas listas legais, que se encontravam devidamente documentadas e preservadas junto ao Tempo de Jerusalém.

Após isto posto, declaramos veementemente que ambas as genealogias são legítimas e se traçam por Yosef (José), mas que para isso, contudo, possa tornar-se evidente, iremos estabelecer as séries de gerações, calculando-se na genealogia de Mateus, as gerações desde David, passando por Salomão, descobre-se que o terceiro de trás para frente é Matã, que gerou Jacó, pai de José, mas calculando-se, como Lucas, desde Natã, o filho de David, descobrir-se-á, que o terceiro é Matat, cujo filho era Eli, o pai de José.
Sendo José, portanto, nosso objeto proposto, vamos mostrar como aconteceu de cada um ser registrado como seu pai: Jacó, conforme se liga de Salomão e Elim de Natã; também, como aconteceu de esses dois, Jacó e Eli, serem irmãos; e, além disso, como se comprova que os pais deles, Matã e Matat sendo de famílias diferentes, são avôs de José.
Matã e Matat, tendo se casado em sucessão com a mesma mulher, tiveram filhos irmãos pela mesma mãe, pois a lei não proibia a uma mulher que tivesse perdido o marido, quer por divórcio, quer pela morte dele, casar-se de novo. Matã, portanto, que remonta sua linhagem a Salomão, primeiro teve Jacó, por meio de Estah, nome conforme transmitida pela tradição. Com a morte de Matã, Matat, que remonta a sua descendência a Natã, casou-se com ela, pois era da mesma tribo, ainda que de outra família, e, conforme se disse, teve o filho Eli. Assim portanto, vamos encontrar dois de famílias diferentes, Jacó e Eli, irmãos pela mesma mãe. Um desses, Jacó, pela morte do irmão, casou-se, conforme a lei do Levirato, com a viúva, tornou-se pai de José, seu filho tanto pela natureza como por atribuição. Assim, está escrito: Jacó gerou José, mas de acordo com a lei de Levirato, era filho de Eli, pois Jacó sendo seu irmão, deu-lhe descendência, desse modo, a genealogia traçada também por intermédio dele não será considerada imprecisa, sendo de acordo com Mateus, dada da seguinte maneira: “ mas Jacó gerou a José”. Mas Lucas, por outro lado, afirma: “ que era filho conforme se supunha, o filho de José, o filho de Eli, o filho de Matat”. Visto que não era possível expressar a genealogia legal de modo mais distinto, ele omite por completo a expressão “ele gerou”. Africano o historiador ainda assevera que este fato não é impossível de provar nem conjectura vã, pois os parente de nosso Senhor Yeshua, de acordo com a carne, seja para apresentar as próprias origens ilustres, seja para simplesmente mostra o fato, mas de qualquer maneira apegados estritamente à verdade, também relatavam estas genealogias.



Concluímos citando o resumo dos fatos pelo próprio historiador Sexto Júlio Africano no final de sua epístola à Aristides: “ O Evangelho, em seu todo, declara a verdade": "Matã, cuja descendência remonta a Salomão, gerou a Jacó, com a morte de Matã, Matat, cuja linhagem vem de Natã, ao se casar com a viúva daquele, teve Eli. Assim Eli e Jacó eram irmãos pela mesma mãe. Morrendo Eli sem filhos deixando a viúva, Jacó lhe deu descendência, sendo José filho de Jacó de acordo com a natureza, mas filho de Eli de acordo com a Lei de Levirato, desse modo, José era filho de ambos”

14 comentários:

  1. Achei interessante o post. Gostaria de saber se há documentos, que ficavam no templo de Jerusalém, referências quanto aos irmãos sanguineos de Jesus que foram gerados após seu nascimento, uma vez que nos evangelhos se faz pouca referência a eles, apenas os cita durante o casamento em Caná da Galiléia e depois um dos discípulos escolhidos, após a morte de Judas Escariotes, afirma-se que era Judas irmão de Jesus, para diferenciá-lo de Escariotes... Também gostaria de saber se há algum registro a respeito do que tenha acontecido com José, visto que não se fala mais dele depois do retorno do exílio. Acredito que Maria provavelmente havia ficado viúva, pois dentro do costume judáico o filho mais velho cuida da mãe viúva e na cruz Jesus a deixa aos cuidados de João, ou por ela não ter realmente quem a amparasse, pois não haveria um filho mais moço que pudesse cuidar dela, ou para consolá-la naquele momento de aflição já que estava presenciando uma morte lenta e dolorosa de seu primogênito... Mas é certo que José não estava presente naquele momento e não há referência bíblica nenhuma quanto ao motivo.

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  2. Luciana desde já agradeço a visita e o comentário.

    Temos várias passagens que se referenciam aos irmãos de Yeshua como:
    Mateus 13:55 “Não é este o filho do carpinteiro?, e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?
    João 2:12 “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.”
    Atos 1:14 “Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.”
    Gálatas 1.19 e não vi outro dos apóstolos, senão Tiago, o irmão do Senhor.
    e mais algumas.

    Quanto aos documentos que comprovassem as genealogias,existiam no Templo sim, dos irmãos de Yeshua como de todos os judeus natos e prosélitos, mas estes documentos foram queimados por Herodes, ele assim o fez por ter uma linhagem impura e para se alto proclamar nobre acabou por queimar as provas de sua linhagem como a de todos até então, este fato histórico foi registrado por Eusébio, neste mesmo livro que eu me utilizei para fazer a análise da genealogia (História Eclesiástica, Livro I, Cap VII, pg 33-34), como tambem por Flavio Josefo, Hegésipo e até mesmo por São Jerônimo.
    e segundo este mesmos autores as cartas universais de Tiago e Judas são destes dois irmãos de Yeshua.
    Quanto a Yossef (José) pai de Yeshua, não se tem dados históricos nenhum.
    Quanto a passagem da cruz, João é dado a Maria por filho apenas naquela ocasião, pois os irmãos de Yeshua bem como seu discípulos se dispersaram para que não morressem juntamente com o mestre.
    Mas relatos históricos mostram que Maria ficou aos cuidados do segundo filho mais velho, que era Tiago, o lider da Igreja em Jerusalém.

    Fique na Shalom de Yeshua, e volte sempre

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  3. Shalom Adonay Elohenu.

    Muito boa sua postagem, bem esclarecedora.

    Convido vc a dar uma olhada nessa pergunta e se possível responde-la no mesmo endereço.

    http://adonayechad.forumeiros.com/t176-quem-e-o-avo-de-yeshua-eli-ou-jaco#1849

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  4. jdautopecas,

    Agradeçemos as palavras,e já respondemos a pergunta no fórum.

    Fique na Shalom de Yeshua HaMashiach.

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  5. Olá...

    Obrigado pela resposta, fique a vontade em participar nos demais assuntos.

    Gostaria de saber se posso indicar seu Blog no fórum como uma fonte de pesquisa e tbm como um parceiro ??

    Shalom...

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  6. jdautopecas,

    Fique a vontade para indicar o Blog, nos agradecemos por podermos compartilhar as Boas Novas do Reino em seu contexto original.

    Fique na Shalom de Yeshua HaMashiach.

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  7. Shalom..

    Seu blog estará na primeira pagina do fórum como uma fonte confiável de pesquisa.

    Esperemos tbm sua participação para que nós possamos crescer em conhecimento.

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  8. Diego,

    Desde já agradeço a confiança, e pode deixar que eu apareço por lá para dar pitaco.

    Shalom

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  9. Sua explicação usando o levirato até que é boa,mas ela tem um problema,tendo em vista que o erro no número de gerações(14 dos que nasceram no cativeiro até o Mashiah) continua,o correto ao meu ver é entender que o copista que traduziu o livro de mateus pro grego cometeu um erro.Shalom!

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    1. Como eu digo no texto Mateus não se preocupou em nada com transcrever a ascendência completa pois como podemos ver em comparação à Crônicas diversos nomes foram suprimidos sendo que se falta diversos nomes num todo, argumento de 14 não fechar com a listinha somente se tiver um pai de Maria é fraco sem apoio cultural, linguístico, teológico e interpretativo, o número 14 é usado de maneira guematrica, isto é, aponta para algum oculto, sendo David o foco com o número 14 se repetindo para fazer a referencia à PORTA que seria o descendente de David, mas tal estudo é algo que deveria ser feito com mais profundidade e minuscias dai sim é compreensível o uso do 14 e falta de preocupação matemática básica.

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    2. Entendi,então o 14 não é literal,na sua opinião Yeshua é filho literal de José,Deus usou a semente de José como alguns defendem,e qual passagem bíblica prova isso ,ou apenas legalmente?.

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    3. Espero que o artigo no link abaixo ajude: http://judeu-autonomo.blogspot.com.br/2011/01/jesus-filho-de-jose-portanto-tem-seu.html

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  10. Olá gostaria de saber se Yeshua é filho biologico de José e por que??

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    1. Espero que o artigo no link abaixo ajude: http://judeu-autonomo.blogspot.com.br/2011/01/jesus-filho-de-jose-portanto-tem-seu.html

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