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Shemá Yisrael Adonai Elohêinu Adonai Echad

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Romanos 7 - Um breve comentário - versos de 8 à 14

Romanos 7 nos mostra o Papel da Ketubáh
O Contrato de Casamento
que rege uma Relação Matrimonial

7.8 Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado.
C: Neste ponto vale a pena esclarecer que Shaul (Paulo) se utiliza de um método Rabínico muito comum que é o de se colocar na primeira pessoa dentro de um relato para melhor poder descrever os pormenores que ocorrem com o personagem, daqui até o versículo 25 ele se coloca como um tipo de Adam (Adão), que foi o único que viveu antes do pecado ser o senhor do homem.
Levando em conta o famoso adágio popular que diz “o que é proibido é mais desejado”, notamos que o homem tem em seu intimo uma inclinação a desejar aquilo que lhe é proibido, Antes de Adão ter conhecimento do bem e do mal, e portanto saber a lei de for intrínseca, ele não tinha concupiscências, pois nada lhe era proibido, mas no momento que algo lhe foi proibido se acendeu a vontade de saber o porquê da proibição e vemos as concupiscências dos olhos e da carne, e a soberba da vida (1 Jo. 2.16) criarem campo na mente de Eva e se concretizarem em ação que causou a queda e conseqüente casamento com o pecado, sendo ele o senhor do homem daí por diante.
Recuperando a idéia de Romanos 4.15, Shaul (Paulo) explicita novamente que sem Lei, está morto o pecado, pois levando em consideração que a Toráh é uma espécie de jurisprudência, somente em existir ela cria a violação embora seja santa, pois sem algo que determine o que é ou não a vontade de D-us, não há transgressão, outro paralelo que se pode fazer é de a Toráh como ensino de D-us e como provocação divina à consciência, “cria” pecado, utilizaremos uma passagem do Talmude para explicar tal pensamento: (Talmude Yerushalmi, Yoma VI, seção 4, 43d, Linha 21.) : “ A inclinação para o mal deseja somente o que é proibido, Rabbi Mena (no dia da Expiação, que é proibido se beber) foi visitar Rabbi Haggai, que estava doente. Rabbi Haggai disse: “Estou com sede.” Rabbi Mena disse: “Beba”, em seguida, saiu. Uma hora depois, ele voltou e disse: “E a sede?” Haggai respondeu: “Assim que me permitiste beber, o desejo passou.” Vemos então que os Rabinos assim com Shaul (Paulo) percebem que o Yetzer Hará (inclinação para o mal) é despertado pelas proibições da Lei.


7.9 Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri.
C: Aqui podemos ver a metodologia Rabínica de Shaul (Paulo), (já comentada), com mais propriedade, pois vemos Shaul se colocando num papel, que não pode ser dele, pois vemos elementos que não se encaixam com a vida de Shaul, pois quando foi que ele viveu sem Lei?, pois como ele mesmo proclama em Atos 23.6, Filipenses 3.5, ele sempre foi ensinado na Lei.
Aqui podemos vê-lo personificando Adão antes da queda ou como um gentio afastado do conhecimento de D-us, pois tanto como Adão antes da queda e o gentio sem conhecimento ambos não sabiam qual era a vontade de D-us, mas assim que lhes é revelada, a concupiscência é despertada, pois o pecado tomando a ocasião do conhecimento do certo e do errado cria a vontade inata do ser humano de saber o desconhecido e é esta situação que causa a morte.


7.10 E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte.
C: Shaul não é o único entre os escritores judeus a mostrar que a Toráh que vivifica produz morte quando rejeitada ou usada indevidamente, (compare com “1 Tm. 1:8-10” que fala da Legitimidade de usar a Lei que é boa, e o contraponto, de punição para com os injusto); (“ 2 Co. 2:14-16,” figura do cheiro de vida e de morte); (“Hb. 4:12” figura da espada de dois gumes assim como em Apoc. 1:16).

Podemos citar ainda duas passagens do Talmude que expressam esta mesma verdade a cerca da dupla característica da Toráh: (Êxodo Rabbah 5:9 - “A Voz do Senhor saia do Sinai de duas formas, ela matava os pagãos, que não a aceitavam, mas dava vida a Israel, que a aceitava.”); (Yoma 72b: “Se a pessoa usa a Toráh da maneira correta, ela é um remédio de vida, mas , para aquele que não a usa da maneira correta, ela é um veneno mortal”)
Mais uma vez eu recomendo a leitura e a compreensão da passagem de Deuteronômio 30:11-20, que relata a entrega da Toráh, na qual D-us oferece o direito de escolha ao povo, para que o povo possa escolher entre a benção e vida ou a maldição e morte, e Senhor ainda enfatiza dizendo: escolha porem a vida para que vivas, tu e tua semente; Vemos aqui novamente a dualidade da Toráh que vem para benção e dar vida àqueles que nela se apegam, mas também traz maldição e morte para aqueles que a transgridem.


7.11 Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou.
C: Seguindo o mesmo princípio dos versos anteriores, vemos a visão de que o mandamento que foi dado para proteger o homem de ir contra a vontade de D-us, foi utilizado pelo pecado para despertar no homem exatamente o contrario do proposto, isto é, causa o comichão de querer ir contra o que esta estabelecido, ou por concupiscências na vontade de satisfazer um desejo ou por pura curiosidade de se saber as implicações de tal mandamento ter sido dado, e é isso que engana o homem e acaba levando-o para a morte no acumulo das transgressões.



7.12 Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.
C: Aqueles que pensam que Shaul procurava uma brecha na Lei Judaica para tornar o cristianismo fácil para os convertidos pagãos devem achar difícil esse versículo. Ele prova que Shaul não tinha uma visão antijudaica da Lei, nem desejava anulá-la, o versículo testifica o grande respeito que Shaul sempre teve pela Toráh, que corresponde ao fato de ele a observar ao longo de toda a sua vida (veja Atos 13:9; 21:21, esta atitude teria sido fortalecida por seus estudos com Rabban Gamaliel (Atos 22:3), e não há razão para imaginarmos que sua conversão à fé em Yeshua - que não veio “para abolir a Toráh” (Mt. 5:17) - a teria mudado. Tantos erros sobre a opinião de Shaul acerca da Lei poderiam ter sido evitados se este versículo fosse compreendido como algo que limita tudo o que ele escreve sobre ela. A santa Toráh de D-us para viver santo não muda. Por quê? Porque o próprio D-us não muda (Ml. 3:6) e a santidade não muda. Alem disso, esse verso não é o único, neste mesmo capítulo temos os verso 10, 14, 16, 22 e no capítulo 8 os versos 2, 4, 7-8 mostram que Shaul tinha muito respeito pela Toráh.

7.13 Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno.
C: Shaul faz aqui uma pergunta retórica, sabendo que muitos teriam a falsa impressão que a Toráh é ruim, assim ele chama a Toráh de algo bom que parece se tornar algo ruim que causa a morte, mas ele mesmo responde no original assim: D-us não o permita, e começa a descrever o que leva ao entendimento de algo bom se tornar ruim que nada mais é que a apropriação que o pecado faz da regra para gerar a transgressão, sabemos que todo homem é pecador e destituído está da glória de D-us, sendo assim o pecado através da Lei, encerra todos debaixo da transgressão pois nenhum homem conseguiu viver sem transgredir ao menos uma pequena regra, a não ser Yeshua, desta maneira o que era para vida se torna o meio pela qual o homem é condenado a morte.


7.14 Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado.
C: Nota-se neste ponto mais uma vez que o problema não é Toráh, pois ela é espiritual, mas o problema é o homem, que em seu estado não regenerado não entende as coisas espirituais (Rom. 8:5), se o homem que ainda não foi regenerado lança mão da Toráh para se justificar ele o faz sem entendimento, pois a Toráh sendo espiritual não será entendida por alguém carnal, e ai que ocorre o erro, pois a Toráh foi dada para dar padrões celestes ao nosso cotidiano ou seja para aplicarmos princípios espirituais em nossas vidas, para nos santificarmos, isto é, para nos separar das práticas mundanas que não são da vontade de nosso D-us, em resumo a Toráh nos garante uma qualidade de fé e de vida e não uma forma de justificação.
E é isso que o homem regenerado entende, pois ele confia na justificação outorgada pelo sacrifício de Yeshua na cruz e não na auto-justificação pela obediência à Toráh, e esta justificação outorgada que o liberta da escravidão do pecado, e sendo agora livre ele pode obedecer a vontade de D-us expressa na Toráh, por amor e em espírito, pois seus olhos estão abertos para entender algo que é espiritual.

5 comentários:

  1. Elvis,

    Muito bom esses posts sobre Romanos, excelente analogia, com certeza está somando ao meu conhecimento entre outros do meu convívio.

    Shalom

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  2. Elvis,

    Agradecemos a D-us por podermos ser uteis ao próximo, compartilhando aquilo que recebemos.

    Que bom que você tambem tem compartilhado o que tem recebido, que o Senhor lhe abençoe neste intento.

    Fiquem na Shalom de Yeshua HaMashiach.

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  3. Muito bom, mas porque vocês escrevem D-us e não Deus? No teclado, a letra "E" está mais próxima do "D" do que o traço.

    giordanio@crc.srv.br

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  4. Anônimo,

    Nós escrevos assim por respeito e distinção ao nome de D-us, e para não confundir com qualquer divindade por ai, fora que tao significancia do nome comum tem suas origens pagãs enrraigadas no nome, por isso não usamos o usual.

    Shalom

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  5. Olá, gostaria de saber se tem uma análise dos capítulos, 9,10,11 de Romanos? E se poderia me mostrar alguma coisa sobre esse Teologia da Substituição, a qual fala que a Igreja substituiu Israel, eu sei que não substitui , mas quero saber como posso refutar sobre isso .

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