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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Comentários Parashat Toledot - Ber'eshit 25:19-28:9

Gerações – Gênesis 25:19 – 28:9 

25:19 E estas são as gerações de Itschak, filho de Avraham: Avraham gerou a Itschak; 20 e era Itschak da idade de quarenta anos, quando tomou a Rivkah, filha de Betuel, arameu de Padan-Aram, irmã de Lavan, arameu, por sua mulher. 



21 E Itschak orou insistentemente ao SENHOR por sua mulher, porquanto era estéril; e o SENHOR ouviu as suas orações, e Rivkah, sua mulher, concebeu. 
Insistentemente demonstra a Fé constante de Itschak pois se compararmos as idades citadas no verso 20 e no verso 26 veremos que ele orou com sua esposa por vinte anos até que concebesse.

22 E os filhos lutavam dentro dela; então, disse: Se assim é, por que isso está acontecendo a mim? E foi-se a perguntar ao SENHOR. 23 E o SENHOR lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor.



24 E, cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre. 25 E saiu o primeiro, ruivo e todo como uma veste cabeluda; por isso, chamaram o seu nome Essáv
Nome Essáv: עֵשָׂו deriva da raiz Essah עָשָׂה no sentido de feito, completo por já nascer peludo como se estivesse envolvido em roupa de pelagens.

26 E, depois, saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Essáv; por isso, se chamou o seu nome Ya'akov. E era Itschak da idade de sessenta anos quando os gerou.
Nome Ya'akov: יַעֲקֹב deriva da abreviação da frase "ele irá nos calcanhares", mas em tese o nome é associado apenas à raiz Akev: עִקְּבֵ calcanhar,  por nascer agarrado ao calcanhar de seu irmão.

27 E cresceram os meninos. E Essáv foi homem perito na caça, homem do campo; mas Ya'akov era homem irrepreensível, habitando em tendas. 
A descrição aqui demonstra uma contraposição no modo de ser e viver dos irmãos, enquanto um é Yode'a Tsaid: יֹדֵעַ צַיִד exímio caçador, lembrando a descrição de Nimrod em Gn. 10:9 o outro é Tamתָּם tido assim como irrepreensível, integro, pleno, simples ou quieto e portanto levando-nos a entender que ser um "caçador" não é algo irrepreensível, íntegro ou seja não é algo bom.


28 E amava Itschak a Essáv, porque a caça era de seu gosto; mas Rivkah amava a Ya'akov.
Entre várias explicações sobre o porquê de Itschak preferir Essáv, tem a que diz que a caça que era do gosto de Itschak seria a bajulação com palavras de engano de Essáv que se mostrava interessado nos assuntos do pai, como as tradições e afins mas na que realidade nunca ligou para nada disso, sendo apenas um ator que interpretava um personagem diante do seu já velho e cego pai, mas que não enganava sua sempre atenta mãe.

29 E Ya'akov cozera um guisado; e veio Essáv do campo e estava ele cansado. 30 E disse Essáv a Ya'akov: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso, se chamou o seu nome Edom.
Essáv além de ter nascido com a pele avermelhada ele também tem ligada a sua trajetória a venda da primogenitura por um prato de comida de caldo avermelhado, definindo assim o seu apelido e nome de sua futura nação: Edom, Edomeus, Edomitas, Idumia e por fim Iduméia de onde saiu Heródes, o Grande.  

31 Então, disse Ya'akov: Vende-me, como o dia, a tua primogenitura. 32 E disse Essáv: Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura? 33 Então, disse Ya'akov: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Ya'akov. 34 E Ya'akov deu pão a Essáv e o guisado das lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e foi-se. Assim, desprezou Essáv a sua primogenitura.
"Como o dia" da expressão KaYom:כַיּוֹם quer dizer: claramente, de forma legítima e não as escuras ou de forma que possa ser contestado posteriormente.
Ya'akov quer a direito de primogenitura segundo os sábios por diversos motivos, alguns alegam que seria por ele saber da profecia do verso 23 que vaticinava que o menor dominaria o maior, outros alegam que seria pelo simples fato de o primogênito receber porção dobrados dos bens de seu pai ou seja 2/3 de tudo que Itschak havia conseguido ou herdado de Avraham, outros dizem porém que Ya'akov se preocupava mesmo com o sacerdócio ou seja o papel de representante espiritual da família diante de D-us, pois temia pela malignidade e engano que seu irmão utilizava para com as pessoas principalmente para com seu pai, e se questionava de como alguém assim poderia representar sua família nos assuntos espirituais ante à D-us.

Itschak vai a Gerar por causa da fome

26:1 E havia fome na terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Avraham; por isso, foi-se Itschak a Avimelech, rei dos filisteus, em Gerar. 
Localização de Lachai R´oi - Habitação de Itschak e Rivkah
e a jornada de mais de 80 Km para Gerar na terra dos Filisteus 
Guerar: גְּרָר  tem provável derivação do termo Garar: גָּרַר que significa dragado, raspado, varrido aludindo a situação do terreno do vale onde surgiu a cidade de Guerar, que por este entendimento se localizava onde havia um rio ou lago que fora dragado, seco deixando a sua várzea propicia para crescimento de uma cidade 

2 E apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser; 3 peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Avraham, teu pai. 4 E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, 5 porquanto Avraham obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus mandamentos, os meus estatutos e as minhas leis
Vemos aqui a repetição na vida de Itschak do que ocorreu com seu pai Avraham, onde D-us testa sua fé e obediência condicionando à esta atitude as promessas feitas a Avraham. 
Avraham tem o testemunho de D-us de que obedeceu os mandamentos, estatutos e as leis, isso antes mesmo da outorga da Torah no Sinai, demonstrando assim que a Torah é algo que foi passado a cada homem desde Adam no Éden e que segundo um Midrash são regulamentações inerentes a existência do ser humano, pois os mandamentos (mitsvot) são leis ditadas pela moral e consciência humana, isto é, algo instintivo para a manutenção da vida e das relações de um grupo de indivíduos; Os estatutos (chukim) são leis ditadas por D-us diretamente ao homem que exige fé para obedecê-las pois muitas das vezes não tem uma razão clara de seu estabelecimento; Leis (Toratot) são regras orais transmitidas de pai para filho ou de mestre para discípulo de geração em geração que estabelece uma forma de proceder tradicional ou relativamente cultural.

6 Assim, habitou Itschak em Gerar. 7 E, perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) me não matem os homens daquele lugar por amor de Rivkah; porque era formosa à vista.
8 E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Avimelech, rei dos filisteus, olhou por uma janela e viu, e eis que Itschak estava brincando com Rivkah, sua mulher. 9 Então, chamou Avimelech a Itschak e disse: Eis que, na verdade, é tua mulher; como, pois, disseste: É minha irmã? E disse-lhe Itschak: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela. 10 E disse Avimelech: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. 11 E mandou Avimelech a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá.
Itschak assim como seu pai Avraham mente sobre o parentesco com sua esposa, dizendo ser sua irmã, lembrando que no caso de Avraham, Sarah era sua sobrinha e quando da morte de seu pai, irmão de Avraham, foi criada por Terá seu avô como sendo filha e portanto legalmente meio-irmã de Avraham.
Segundo relatos esta necessidade de mentir de ambos se dava pela tradição dos filisteus de matar o esposo de uma bela mulher para a tê-la para si  

12 E semeou Itschak naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava. 13 E engrandeceu-se o homem e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande; 14 e tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam. 
Naquele mesmo ano indica no mesmo ano da seca e fome na terra, demonstrando ao filisteus o quão abençoado Itschak era, pois num ano de seca e fome a produção dar cem para um é algo que chama atenção tanto para admiração como para a inveja.

15 E todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de Avraham, seu pai, os filisteus entulharam e encheram de terra.
A prosperidade e o crescimento daqueles que temem à D-us buscando a sua justiça em primeiro lugar, sempre será alvo de inveja dos inimigos do povo de D-us, e tal inveja sempre se apresenta acompanhada de atitudes e métodos injustos ao criar dificuldades, e isso é o que vemos aqui nesta passagem que nada mais é que um reflexo de toda a trajetória do povo judeu na história,  bem como da vida dos servos de D-us nos dias de hoje, e o que se intensificará nos últimos dias, como forma de provar e refinar a cada um para o posterior estabelecimento do reino messiânico na Terra. 
 16 Disse também Avimelech a Itschak: Aparta-te de nós, porque muito mais poderoso te tens feito do que nós. 
Notamos aqui que em Avimelech crescia o mesmo temor que veio à afligir os que se deparavam com o crescimento do povo de D-us, tanto em número quanto em seus bens, como podemos comparar no passagem de Ex. 1:7-22 no caso dos Egípcios e em Nm. 22:3-6 com Moab e diversos outros casos cujo medo e inveja gerou expulsões, perseguições, genocídios e guerras contro o povo hebreu.
17 Então, Itschak foi-se dali, e fez o seu assento no vale de Gerar, e habitou lá.
Importante ressaltar a atitude de Avimelech de ao ver a inveja expressa nos atos dos filisteus junto ao poços de Avraham, e lembrando da aliança firmada pelos seus antecessores de que ninguém tocaria nos descendentes de Avraham e visse e versa Gn. 21:22-32 (que dura até o tempo de Shimshon: Sansão) , resolve pedir de forma amigável para que Itschak saísse da cidade com seus bens e tudo que conquistara, antes que algo pudesse acontecer a gerar um conflito maior; A atitude dócil de Itschak de não retrucar e sair rapidamente demonstra a sua personalidade pacífica que muito lhe trouxe mansidão ao contrário de outros patriarcas. 
18 E tornou Itschak, e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Avraham, seu pai, e que os filisteus taparam depois da morte de Avraham, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai. 19 Cavaram, pois, os servos de Itschak naquele vale e acharam ali um poço de águas vivas. 20 E os pastores de Gerar brigavam com os pastores de Itschak, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o nome daquele poço Essec, porque contenderam com ele. 21 Então, cavaram outro poço e também brigaram e fizeram acusações sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Sitnáh. 22 E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Rechobot e disse: Porque agora nos alargou o SENHOR, e crescemos nesta terra. 
Interessante notar o nome dos poços em questão nesta passagem, como que refletindo o que ocorre sempre na vida dos que temem à D-us, pois assim primeiro se tem a contenda (Essec derivado de A'sec: עָשַׂק) ao desentulharmos o acesso para o que nos é para vida, seja no novo nascimento onde tiramos os entulhos da velha vida, seja na pregação da verdade onde almejamos desentulhar a mente das pessoas para podermos acessar as fontes de águas límpidas, sempre haverá a contenda, a briga dos que não querem ver os entulhos sendo retirados, sejam os antigos amigos que acham que as novas atitudes são baboseiras, fanatismo, radicalismo e etc, sejam os falsos mestres que não querem que a verdade bíblica de um contexto íntegro capa a capa seja anunciado pois isso fará com que os seus membros comecem a pensar sozinhos e ao retirar o entulho verão o quanto foram enganados, usados e traídos. Depois disso vem as acusações ( Sitnáh derivado de Satan שָׂטַן) pois após sofrermos os ataques diretos com contendas e brigas agora sofremos ataques indiretos com as acusações e falácias dos que nos rodeiam que criam inúmeras situações de constrangimento relembrando de nossas falhas do passado, ou até mesmo criando falsas acusações quanto a nossa conduta tudo isso para nos impedir de prosseguirmos no processo de desentulhamento de nossas vidas ou da vida daqueles que foram postos em nosso caminho. mas enfim somos recompensados pois temos os nossos caminhos alargados pelo Senhor (Rechobot derivado de רָחַב alargar) e assim podemos ampliar nossas ações seja na nossa frutificação seja na expansão da palavra da verdade.
23 Depois, subiu dali a Be'er-Shev'a, 24 e apareceu-lhe o SENHOR naquela mesma noite e disse: Eu sou o D-us de Avraham, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Avraham, meu servo. 25 Então, edificou ali um altar, e invocou o nome do SENHOR, e armou ali a sua tenda; e os servos de Itschak cavaram ali um poço.


Saída de Itschak do Vale de Gerar para Be'er Shev'a, uma jornada de mais à 32 Km.
Juramento entre Avimelech e Itschak 

26 E Avimelech veio a ele de Gerar, na companhia de seus amigos, e Pichol, comandante de seu exército. 27 E disse-lhe Itschak: Por que viestes a mim, pois que vós me aborreceis e me enviastes de vós? 28 E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o SENHOR é contigo; pelo que dissemos: Haja, agora, juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto contigo. 29 Que nos não faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora, tu és o bendito do SENHOR. 30 Então, lhes fez um banquete, e comeram e beberam. 31 E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois, os despediu Itschak, e despediram-se dele, em paz. 32 E aconteceu, naquele mesmo dia, que vieram os servos de Itschak, e anunciaram-lhe acerca do negócio do poço, que tinham cavado, e disseram-lhe: Temos achado água. 33 E chamou-o Shiv'ah. Por isso, é o nome daquela cidade Be'er-Shev'a até o dia de hoje.
O poço foi chamado de Shiv'ah: שִׁבְעָה derivada de uma antiga expressão de promessa juramento Shav'a: שָׁבַע mas a cidade de Be'er-Shev'a tem este nome levando em conta o trocadilho entre Shav'a e Shev'a: שֶׁ֫בַע: sete, no contexto de Gn. 21:22-32 no qual Avraham para firmar o juramento com o outro Avimelech (que não é nome e sim um título real filisteu), verso 30, oferece sete ovelhas como demonstração pública do aceite do acordo por parte de Avimelech (que possivelmente poderia ter dado recibo disso), o número sete é tido como algo sagrado, portanto de obrigação contratual, por remeter aos sete dias da criação ou seja remete a tudo que foi criado, então tudo que foi criado é testemunha do juramento.
34 Ora, sendo Essáv da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Yehudit, filha de Beeri, Cheteu, e a Basmat, filha de Elom, Cheteu. 35 E estas foram para Itschak e Rivkah uma amargura de espírito.
Conforme alguns comentaristas os nomes das esposas Hititas de Essáv revelam que elas praticavam cultos idólatras com louvores e agradecimentos conforme a raiz de Yehudit ou seja יָדָה Yadah leva-nos a deduzir, e oferendas de incensos e especiarias  conforme a raiz do nome Basmat ou seja  בֹּשֶׂםBosem especiarias ou balsamo nos permite entender também, sendo estes procedimentos que amarguravam os espíritos de Itschak e Rívkah.
As Bençãos de Itschak

27:1 E aconteceu que, como Itschak envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Essáv, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho! E ele lhe disse: Eis-me aqui! 2 E ele disse: Eis que já agora estou velho e não sei o dia da minha morte. 3 Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça, 4 e faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma, e para que minha alma te abençoe, antes que morra. 5 E Rivkah escutou quando Itschak falava ao seu filho Essáv; e foi-se Essáv ao campo, para apanhar caça que havia de trazer.
6 Então, falou Rivkah a Ya'akov, seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pai que falava com Essáv, teu irmão, dizendo: 7 Traze-me caça e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma e te abençoe diante da face do SENHOR, antes da minha morte. 8 Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te mando. 9 Vai, agora, ao rebanho e traze-me de lá dois bons cabritos; e eu farei deles um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta; 10 e levá-lo-ás a teu pai, para que o coma e para que te abençoe antes da sua morte. 11 Então, disse Ya'akov a Rivkah, sua mãe: Eis que Essáv, meu irmão, é homem cabeludo, e eu, homem liso. 12 Porventura, me apalpará o meu pai, e serei, a seus olhos, enganador; assim, trarei eu sobre mim maldição e não bênção. 13 E disse-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; somente obedece à minha voz, e vai, e traze-mos. 14 E foi, e tomou-os, e trouxe-os à sua mãe; e sua mãe fez um guisado saboroso, como seu pai gostava. 15 Depois, tomou Rivkah as vestes de gala de Essáv, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Ya'akov, seu filho menor. 16 E, com as peles dos cabritos, cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço 17 e deu o guisado saboroso e o pão que tinha preparado na mão de Ya'akov, seu filho.
18 E veio ele a seu pai e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui. Quem és tu, meu filho? 19 E Ya'akov disse a seu pai: Eu sou Essáv, teu primogênito. Tenho feito como me disseste. Levanta-te agora, assenta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe. 20 Então, disse Itschak a seu filho: Como é isto, que tão cedo a achaste, filho meu? E ele disse: Porque o SENHOR, teu D-us, a mandou ao meu encontro. 21 E disse Itschak a Ya'akov: Chega-te agora, para que te apalpe, meu filho, se és meu filho Essáv mesmo ou não. 22 Então, se chegou Ya'akov a Itschak, seu pai, que o apalpou e disse: A voz é a voz de Ya'akov, porém as mãos são as mãos de Essáv. 23 E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam cabeludas, como as mãos de Essáv, seu irmão. E abençoou-o. 24 E disse: És tu meu filho Essáv mesmo? E ele disse: Eu sou. 25 Então, disse: Faze chegar isso perto de mim, para que coma da caça de meu filho; para que a minha alma te abençoe. E chegou-lho, e comeu; trouxe-lhe também vinho, e bebeu. 26 E disse-lhe Itschak, seu pai: Ora, chega-te e beija-me, filho meu. 27 E chegou-se e beijou-o. Então, cheirou o cheiro das suas vestes, e abençoou-o, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o SENHOR abençoou. 28 Assim, pois, te dê D-us do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto. 29 Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem.
30 E aconteceu que, acabando Itschak de abençoar a Ya'akov, apenas Ya'akov acabava de sair da face de Itschak, seu pai, veio Essáv, seu irmão, da sua caça. 31 E fez também ele um guisado saboroso, e trouxe-o a seu pai, e disse a seu pai: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que me abençoe a tua alma. 32 E disse-lhe Itschak, seu pai: Quem és tu? E ele disse: Eu sou teu filho, o teu primogênito, Essáv. 33 Então, estremeceu Itschak de um estremecimento muito grande e disse: Quem, pois, é aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o; também será bendito. 34 Essáv, ouvindo as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai. 35 E ele disse: Veio o teu irmão com sutileza e tomou a tua bênção. 36 Então, disse ele: Não foi o seu nome justamente chamado Ya'akov? Por isso, que já duas vezes me enganou: a minha primogenitura me tomou e eis que agora me tomou a minha bênção. E disse mais: Não reservaste, pois, para mim bênção alguma? 37 Então, respondeu Itschak e disse a Essáv: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora a ti, meu filho? 38 E disse Essáv a seu pai: Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Essáv a sua voz e chorou. 39 Então, respondeu Itschak, seu pai, e disse-lhe: Eis que a tua habitação será longe das gorduras da terra e sem orvalho dos céus. 40 E pela tua espada viverás e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém, que, quando te libertares, então, sacudirás o seu jugo do teu pescoço.
41 E aborreceu Essáv a Ya'akov por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Essáv disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; então, matarei a Ya'akov, meu irmão. 42 E foram denunciadas a Rivkah estas palavras de Essáv, seu filho mais velho; e ela enviou, e chamou a Ya'akov, seu filho menor, e disse-lhe: Eis que Essáv, teu irmão, se consola a teu respeito, propondo-se matar-te. 43 Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz: levanta-te e acolhe-te a Lavan, meu irmão, em Haram; 44 e mora com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão, 45 até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e se esqueça do que lhe fizeste. Então, enviarei e te farei vir de lá. Por que seria eu desfilhada também de vós ambos num mesmo dia?
46 E disse Rivkah a Itschak: Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Ya'akov tomar mulher das filhas de Hete, como estas são das filhas desta terra, para que me será a vida?

28:1 E Itschak chamou a Ya'akov, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Kna'an. 2 Levanta-te, vai a Padan-Aram, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de Lavan, irmão de tua mãe. 3 E D-us Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; 4 e te dê a bênção de Avraham, a ti e à tua semente contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que D-us deu a Avraham. 5 Assim, enviou Itschak a Ya'akov, o qual se foi a Padan-Aram, a Lavan, filho de Betuel, arameu, irmão de Rivkah, mãe de Ya'akov e de Essáv.
6 Vendo, pois, Essáv que Itschak abençoara a Ya'akov, e o enviara a Padan-Aram, para tomar mulher para si dali, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Kna'an; 7 e que Ya'akov obedecera a seu pai e a sua mãe e se fora a Padan-Aram; 8 vendo também Essáv que as filhas de Kna'an eram más aos olhos de Itschak, seu pai, 9 foi-se Essáv a Ishmael e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Machalat, filha de Ishmael, filho de Avraham, e irmã de Nebaiot.




Por Metushelach Cohen

Mapas Elaborados no Google Maps.
Informações baseadas nos diversos Midrashim de nossos sábios e algumas citações diretas dos comentários da Torá-Lei de Moisés da Editora Sêfer - Jairo Fridlin - 2001 e da Torá Viva da Editora Maayanot - Rav Aryeh Kaplan - 2013.

Nota: Os apóstrofos ( ' ) utilizados nas transliterações dos termos hebraicos servem para indicar que a próxima letra é gutural como nos casos das letras alef e aiyn, portanto a pronúncia terá que guturalizar as vogais, ou seja formar o som da vogal no fundo da garganta.

domingo, 5 de novembro de 2017

Comentários Parashat Chayê Sarah - Bereshit 23:1-25:18

Parashat Chayê Sarah - Bereshit 23:1-25:18.

23:1 Tendo Sarah vivido cento e vinte e sete anos, 2 morreu em Kyriat-Arbá, que é Hebron, na terra de Kna'an; veio Avraham lamentar Sarah e chorar por ela.
Vemos em Gn. 22:19 que Avraham morava em Bershevah, segundo o Midrash, Sarah sai de Bershevah e se encaminha para o Monte Moriah numa caminhada de mais de 96 Km em busca de Avraham e Itschac após HaSatan ter avisado do sacrifício pedido por D-us à Avraham, mas chegando em Kyriat Arbá (Hebron) HaSatan aparece novamente e diz que Avraham não sacrificou Itschak, Sarah exulta de tanta alegria e seu coração não resiste e para de bater.

Jornada de Sarah em busca de Avraham e Itschak,
e seu descanso em Kyriat Arbá - na cidade de Hebron 
3Levantou-se, depois, Avrahavam da presença de sua morta e falou aos filhos de Chet:
Chet Filho de K'naan filho de Cham filho de Noach.(os Hititas).
4Sou estrangeiro e peregrino entre vós; dai-me a posse de sepultura convosco, para que eu sepulte a minha morta.
Vemos os termos גֵּר־וְתושָׁב Ger e Toshav que nos remete a Efésios 2:19, estrangeiro e peregrino, onde os gentios são enxertados nas alianças de Avraham, e mesmo continuando a ser apenas estrangeiros e peregrinos na face da Terra, somos parte do povo de D-us formados por judeus e gentios tementes ao Senhor.
5 Responderam os filhos de Chet a Avraham, dizendo: 6 Ouve-nos, senhor: tu és príncipe de D-us entre nós; sepulta numa das nossas melhores sepulturas a tua morta; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para sepultares a tua morta
A expressão נשיא אלהים Nesi elohim, seria melhor traduzida por autoridade poderosa, fama esta adquirida por Avraham após o episódio do resgate de Lót conforme Gn. 14:14-24. 
7 Então, se levantou Avraham e se inclinou diante do povo da terra, diante dos filhos de Chet.
O verbo יִּשְׁתַּחוּ Yshitahu, se inclinou, mostra mais um vez o costume muito comum do Oriente em se inclinar em respeito e honra.
8 E lhes falou, dizendo: Se é do vosso agrado que eu sepulte a minha morta, ouvi-me e intercedei por mim junto a E'fron, filho de Zoar, 9 para que ele me dê a caverna de Machpelá, que tem no extremo do seu campo; que ma dê pelo devido preço em posse de sepultura entre vós. 10 Ora, E'fron, o Chetita, sentando-se no meio dos filhos de Chet, respondeu a Avraham, ouvindo-o os filhos de Chet, a saber, todos os que entravam pela porta da sua cidade: 11 De modo nenhum, meu senhor; ouve-me: dou-te o campo e também a caverna que nele está; na presença dos filhos do meu povo te dou; sepulta a tua morta. 12 Então, se inclinou Avraham diante do povo da terra; 13 e falou a E'fron, na presença do povo da terra, dizendo: Mas, se concordas, ouve-me, peço-te: darei o preço do campo, toma-o de mim, e sepultarei ali a minha morta. 14 Respondeu-lhe E'fron:15 Meu senhor, ouve-me: um terreno que vale quatrocentos siclos de prata, que é isso entre mim e ti? Sepulta ali a tua morta
O valor de 400 shekalim de prata seria algo exorbitante, mas segundo o Midrash, Avraham estava disposto pagar até 1.000 shekalim de prata sendo assim E'fron saiu perdendo.Para termos uma ideia superficial de quanto custou a gruta de Machpeláh, vamos usar uma referencia do Código de Hamurábi que nos diz que o salário de um ano de trabalho naquela época ficava em torno de 8 shekalim de prata, então trazemos isso para ano de 2016 onde o salário mínimo mensal é de R$ 880,00 portanto R$ 10.560,00 anuais, fazendo uma regra de três simples temos que:Um ano de salário = 8 shekalim = R$ 10.560,00 portanto 400 shekalim = R$ 528.000,00. assim podemos ter uma ideia de qual exorbitante foi a proposta de Efron, outro comparativo seria um terreno que Jeremias comprou por apenas 17 shekalim de prata cujo tamanho era maior que Machpela, conforme vemos em Jeremias 32:9.
16 Tendo Avraham ouvido isso a E'fron, pesou-lhe a prata, de que este lhe falara diante dos filhos de Chet, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores.
17 Assim, o campo de E'fron, que estava em Machpelá, fronteiro a Manre, o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia, e todo o limite ao redor 18 se confirmaram por posse a Avraham, na presença dos filhos de Chet, de todos os que entravam pela porta da sua cidade. 19 Depois, sepultou Avraham a Sarah, sua mulher, na caverna do campo de Machpelá, fronteiro a Manre, que é Hebrom, na terra de Kna'an.
O local do Túmulo de Sarah, atualmente se encontra na cidade de Hebron na Cisjordânia, na região de Kyriat Arbá à 40 Km ao sul de Jerusalém, sob a Mesquita Ibrahim, onde existe o Meharat Machpelá – “Túmulo das Sepulturas Duplas”, no qual estão sepultados segunda a tradição os Casais Adam e Chaváh, Avraham e Sarah, Ytschak e Rivkah e Yaakov e Lea.Curiosidades: Em 1995, um acordo deu ao setor administrativo muçulmano o controle da maior parte da Gruta de Machpelá, incluindo a seção sudeste, que contém os cenotáfios (monumentos) de Ytschak e Rivkah (“Ohel Ytschak”). Esta é também a área que contém a única entrada conhecida da Gruta, e que possivelmente está diretamente sobre a própria caverna. Os judeus circulam em outras seções do edifício na maior parte do ano, e somente têm permissão de visitar “Ohel Ytschak” dez dias por ano e um destes dias é o Shabat de Chaiê Sarah, quando lemos a porção da Torah que descreve a compra da gruta por Avraham. 


Monumentos sobre o Túmulo dos Patriarcas - Meharat Machpeláh e o leiaute interno das sepulturas, e a divisão entre judeus e muçulmanos onde a parte azul é usada como Sinagoga e amarela como Mesquita. 
20 E assim, pelos filhos de Chet, se confirmou a Avraham o direito do campo e da caverna que nele estava, em posse de sepultura.
Vemos aqui a insistência do texto em afirmar que a compra foi legal, registrada e de direito, tanto que vemos que Avraham nem negocia o valor como um bom semita, pois queria pagar pelo lugar sagrado o preço integral para que ninguém mais tarde afirmasse que a Gruta de Machpelá, na realidade, não lhe pertencia, e assim foi pago e registrado para assegurar de que seria o legítimo dono da propriedade e com isso não poderia ser acusado, mais tarde, de ter se apropriado deste ilegalmente. Mas apesar de tudo isso tal território faz parte da Cisjordânia sob o controle dos muçulmanos.
24:1 Era Avraham já idoso, bem avançado em anos; e o SENHOR em tudo o havia abençoado. 2 Disse Avraham ao seu mais antigo servo da casa, que governava tudo o que possuía: Põe a mão por baixo da minha coxa,
A expressão עבדו זקן Eved Zaquen, servo superior ou mais velho é uma das diversas designações ao Servo Eliézer, que sempre aparece de maneira discreta e anônima se moldando à necessidade de seu senhor, ora como servo, ora com escravo, ora com mordomo, ora como o homem chefe das caravanas e assim temos que ser quando nos colocamos debaixo do Senhorio do Mashiach sempre discretos a nossa vontade e nos moldando as necessidades do corpo, a saber da comunidade dos santos.Outra expressão que podemos analisar é תַּ֥חַת יְרֵכִֽי "Tachat Yérechi" que é na sua forma mais literal e simples traduzida como "sob a minha coxa", ou no local de minha coxa, levando em correlação um juramento oriental comum com o toque no nervo ciático, que é muito importante para a vitalidade e virilidade de um homem, não existindo nenhum eufemismo nesta passagem que amenize um possível toque nos órgãos genitais.
3 para que eu te faça jurar pelo SENHOR, D-us do céu e da terra, que não tomarás esposa para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito; 4 mas irás à minha parentela e daí tomarás esposa para Itschak, meu filho 5 Disse-lhe o servo: Talvez não queira a mulher seguir-me para esta terra; nesse caso, levarei teu filho à terra donde saíste? 6 Respondeu-lhe Avraham: Cautela! Não faças voltar para lá meu filho. 7 O SENHOR, D-us do céu, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal, e que me falou, e jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra, ele enviará o seu anjo, que te há de preceder, e tomarás de lá esposa para meu filho. 8 Caso a mulher não queira seguir-te, ficarás desobrigado do teu juramento; entretanto, não levarás para lá meu filho. 9 Com isso, pôs o servo a mão por baixo da coxa de Avraham, seu senhor, e jurou fazer segundo o resolvido.
10 Tomou o servo dez dos camelos do seu senhor e, levando consigo de todos os bens dele, levantou-se e partiu, rumo da Aram Naharaim, para (Charam) a cidade de Nachor.

Trajeto de Eliezer até a Casa de Nachor em busca de uma esposa à Itschak 
11 Fora da cidade, fez ajoelhar os camelos junto a um poço de água, à tarde, hora em que as moças saem a tirar água. 12 E disse consigo: Ó SENHOR, D-us de meu senhor Avraham, rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Avraham! 13 Eis que estou ao pé da fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água;14 dá-me, pois, que a moça a quem eu disser: inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Itschak; e nisso verei que usaste de bondade para com o meu senhor.

O encontro de Rivkáh

15 Considerava ele ainda, quando saiu Rivkáh, filha de Betuel, filho de Milká, mulher de Nachor, irmão de Avraham, trazendo um cântaro ao ombro.


Genealogia da Família de Avraham até a união de Itschak e Rivkáh 
16 A moça era mui formosa de aparência, virgem, a quem nenhum homem havia possuído; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu. 17 Então, o servo saiu-lhe ao encontro e disse: Dá-me de beber um pouco da água do teu cântaro. 18 Ela respondeu: Bebe, meu senhor. E, prontamente, baixando o cântaro para a mão, lhe deu de beber. 19 Acabando ela de dar a beber, disse: Tirarei água também para os teus camelos, até que todos bebam. 20 E, apressando-se em despejar o cântaro no bebedouro, correu outra vez ao poço para tirar mais água; tirou-a e deu-a a todos os camelos.
21 O homem a observava, em silêncio, atentamente, para saber se teria o SENHOR levado a bom termo a sua jornada ou não.
22 Tendo os camelos acabado de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso e duas pulseiras para as mãos dela, do peso de dez siclos de ouro; 23 e lhe perguntou: De quem és filha? Peço-te que me digas. Haverá em casa de teu pai lugar em que eu fique, e a comitiva? 24 Ela respondeu: Sou filha de Betuel, filho de Milká, o qual ela deu à luz a Nachor. 25 E acrescentou: Temos palha, e muito pasto, e lugar para passar a noite. 26 Então, se inclinou o homem e adorou ao SENHOR.
27 E disse: Bendito seja o SENHOR, D-us de meu senhor Avraham, que não retirou a sua benignidade e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, estando no caminho, o SENHOR me guiou à casa dos parentes de meu senhor.
28 E a moça correu e contou aos da casa de sua mãe todas essas coisas. 29 Ora, Rivkáh tinha um irmão, chamado Lavan; este correu ao encontro do homem junto à fonte. 30 Pois, quando viu o pendente e as pulseiras nas mãos de sua irmã, tendo ouvido as palavras de Rivkáh, sua irmã, que dizia: Assim me falou o homem, foi Lavan ter com ele, o qual estava em pé junto aos camelos, junto à fonte. 31 E lhe disse: Entra, bendito do SENHOR, por que estás aí fora? Pois já preparei a casa e o lugar para os camelos. 32 Então, fez entrar o homem; descarregaram-lhe os camelos e lhes deram forragem e pasto; deu-se-lhe água para lavar os pés e também aos homens que estavam com ele. 33 Diante dele puseram comida; porém ele disse: Não comerei enquanto não expuser o propósito a que venho. Lavan respondeu-lhe: Dize. 34 Então, disse: Sou servo de Avraham. 35 O SENHOR tem abençoado muito ao meu senhor, e ele se tornou grande; deu-lhe ovelhas e bois, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos. 36 Sarah, mulher do meu senhor, era já idosa quando lhe deu à luz um filho; a este deu ele tudo quanto tem. 37 E meu senhor me fez jurar, dizendo: Não tomarás esposa para meu filho das mulheres dos cananeus, em cuja terra habito; 38 porém irás à casa de meu pai e à minha família e tomarás esposa para meu filho. 39 Respondi ao meu senhor: Talvez não queira a mulher seguir-me. 
O Midrash nos conta que Eliezer ansiava casar sua própria filha com o filho de seu amo. Ao levantar esta questão lógica e prática da possibilidade de nenhum mulher o acompanhar negando a proposta de casamento, Eliezer subconscientemente expressava seu desejo de que, caso isso ocorresse, Avraham aceitaria sua filha, mas a resposta de Avraham foi clara: Você, Eliezer, é descendente de Kna'an, que foi amaldiçoado; meu filho foi abençoado por Hashem, e não se deve unir um com o outro.
40 Ele me disse: O SENHOR, em cuja presença eu ando, enviará contigo o seu Anjo e levará a bom termo a tua jornada, para que, da minha família e da casa de meu pai, tomes esposa para meu filho.
41 Então, serás desobrigado do meu juramento, quando fores à minha família; se não ta derem, desobrigado estarás do meu juramento.42 Hoje, pois, cheguei à fonte e disse comigo: ó SENHOR, D-us de meu senhor Avraham, se me levas a bom termo a jornada em que sigo, 43 eis-me agora junto à fonte de água; a moça que sair para tirar água, a quem eu disser: dá-me um pouco de água do teu cântaro,44 e ela me responder: Bebe, e também tirarei água para os teus camelos, seja essa a mulher que o SENHOR designou para o filho de meu senhor.45 Considerava ainda eu assim, no meu íntimo, quando saiu Rivkáh trazendo o seu cântaro ao ombro, desceu à fonte e tirou água. E eu lhe disse: peço-te que me dês de beber. 46 Ela se apressou e, baixando o cântaro do ombro, disse: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos. Bebi, e ela deu de beber aos camelos. 47 Daí lhe perguntei: de quem és filha? Ela respondeu: Filha de Betuel, filho de Nachor e Milká. Então, lhe pus o pendente no nariz e as pulseiras nas mãos.48 E, prostrando-me, adorei ao SENHOR e bendisse ao SENHOR, D-us do meu senhor Avraham, que me havia conduzido por um caminho direito, a fim de tomar para o filho do meu senhor uma filha do seu parente.49 Agora, pois, se haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se não, declarai-mo, para que eu vá, ou para a direita ou para a esquerda.50 Então, responderam Lavan e Betuel: Isto procede do SENHOR, nada temos a dizer fora da sua verdade.51 Eis Rivkáh na tua presença; toma-a e vai-te; seja ela a mulher do filho do teu senhor, segundo a palavra do SENHOR.



O casamento de Itschak e Rivkáh

52 Tendo ouvido o servo de Avraham tais palavras, prostrou-se em terra diante do SENHOR; 53 e tirou joias de ouro e de prata e vestidos e os deu a Rivkáh; também deu ricos presentes a seu irmão e a sua mãe. 54 Depois, comeram, e beberam, ele e os homens que estavam com ele, e passaram a noite. De madrugada, quando se levantaram, disse o servo: Permiti que eu volte ao meu senhor. 55 Mas o irmão e a mãe da moça disseram: Fique ela ainda conosco alguns dias, pelo menos dez; e depois irá. 56 Ele, porém, lhes disse: Não me detenhais, pois o SENHOR me tem levado a bom termo na jornada; permiti que eu volte ao meu senhor. 57 Disseram: Chamemos a moça e a ouçamos pessoalmente 58 Chamaram, pois, a Rivkáh e lhe perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei.
Um Midrash relata o seguinte desta passagem: Perguntaram, então para Rivkáh: "Queres ir com este homem?" "Sim, quero ir," respondeu. Estava feliz em deixar o irmão malvado e a casa repleta de ídolos e casar-se com o justo Itschak.
59 Então, despediram a Rivkáh, sua irmã, e a sua ama, e ao servo de Avraham, e a seus homens. 60 Abençoaram a Rivkáh e lhe disseram: És nossa irmã; sê tu a mãe de milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta dos seus inimigos.
A מֵנִקְתָּ֑הּ Meniktáh, ama de Rivkáh se tratava de Dévora conforme Gênesis 35:8.
61 Então, se levantou Rivkáh com suas moças e, montando os camelos, seguiram o homem. O servo tomou a Rivkáh e partiu.
62 Ora, Itschak vinha de caminho do poço de Lachai-R'oi, porque habitava na terra do Sul. 63 Saíra Itschak a meditar no campo, ao cair da tarde; erguendo os olhos, viu, e eis que vinham camelos. 64 Também Rivkáh levantou os olhos, e, vendo a Itschak, apeou do camelo, 65 e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? É o meu senhor, respondeu. Então, tomou ela o véu e se cobriu. 66 O servo contou a Itschak todas as coisas que havia feito.
Deste ato de Rivkáh que temos a tradição das noivas se cobrirem com um véu durante o casamento.
67 Itschak conduziu-a até à tenda de Sarah, mãe dele, e tomou a Rivkáh, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou; assim, foi Itschak consolado depois da morte de sua mãe.


Descendentes de Avraham e Keturá
Referência 1Cr 1.32-33

25:1 Desposou Avraham outra mulher; chamava-se Keturá. 2 Ela lhe deu à luz Zimrán, Iokshán, Medán, Midian, Ishbac e Súach para ele. 3 E Iokshán gerou a Shebá e a Dedán, e os filhos de Dedán foram: Ashurim, Letushim e Leumim. 4 E os filhos de Midian: Efá, Efer, Chanóch, Abidá e Eldaá. Todos estes foram filhos de Keturá. 5 Avraham deu tudo o que possuía a Itschak. 6 Porém, aos filhos das concubinas que tinha, deu ele presentes e, ainda em vida, os separou de seu filho Itschak, enviando-os para a terra oriental.

A morte de Avraham

7 Foram os dias da vida de Avraham cento e setenta e cinco anos. 8 Expirou Avraham; morreu em ditosa velhice, avançado em anos; e foi reunido ao seu povo.9 Sepultaram-no Itschak e Ishmael, seus filhos, na caverna de Machpelá, no campo de E'fron, filho de Zoar, o Chetita, fronteiro a Manre, 10 o campo que Avraham comprara aos filhos de Chet. Ali foi sepultado Avraham e Sarah, sua mulher.
11 Depois da morte de Avraham, D-us abençoou a Itschak, seu filho; Itschak habitava junto ao poço de Lachai-Roi.

Localização de Lachai R´oi - Habitação de Itschak e Rivkáh 

Descendentes de Ismael
Referência 1Cr 1.28-31

12 São estas as gerações de Ismael, filho de Avraham, que Agar, egípcia, serva de Sarah, lhe deu à luz. 13 E estes, os filhos de Ishmael, pelos seus nomes, segundo o seu nascimento: o primogênito de Ishmael foi Nebaiot; depois, Kedar, Abdeel, Mibsam, 14 Misma, Dumá, Massá, 15 Chadad, Tema, Yetur, Nafish e Kedmá.16 São estes os filhos de Ishmael, e estes, os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus acampamentos: doze príncipes de seus povos. 17 E os anos da vida de Ishmael foram cento e trinta e sete; e morreu e foi reunido ao seu povo.

Genealogia dos filhos de Avraham 
18 Habitaram desde Havilá até Shur, que olha para o Egito, como quem vai para a Assíria. Ele se estabeleceu fronteiro a todos os seus irmãos. 

Distribuição dos Filhos de Ishmael desde do deserto de Shur até Havilá 
como que vindo de Ashur - Capital da Assíria

Por Metushelach Cohen

Mapas Elaborados no Google Maps.
Informações baseadas nos diversos Midrashim de nossos sábios e algumas citações diretas dos comentários da Torá-Lei de Moisés da Editora Sêfer - Jairo Fridlin - 2001.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal? o sentido oculto de Chanuká nesta data!

Neste momento o mundo Ocidental está para comemorar o nascimento daquele que se auto proclamou a Luz do Mundo, a despeito de toda a questão de data, o que mais é patente nesta comemoração é o desprovimento do que deveria ser a essência da Festividade, e na realidade o que vemos é a ritualística consumista, onde o mais importante não é nem mesmo a confraternização entre os familiares mas sim o que cada um teve para dar ao outro de presente ou a oferecer na ceia, e está é um capítulo a parte pois nela que se mostra o devaneio humano das concupiscência seja a dos olhos ou a da carne, o que significa, que os homens nesta data, se entregam as seus desejos carnais, comendo os manjares da vida e se embriagando não no espírito mas sim no álcool.

Mas aqueles que se preocupam em entender a revelação de D-us, nos dada por meio das Escrituras, mesmo não conseguindo se desvencilhar das tradições do povos, com todos os seus signos e insígnias, por questões familiares, estejam em seu íntimo, agradecendo a D-us, por meio do seu memorial individual ao fato que verdadeiramente ocorreu nesta data a mais de 2000 anos atrás, a entrada da LUZ no mundo, a concepção de Yeshua, a data que o anjo Gabriel revela que Maria seria o receptáculo daquele que nasceria para salvar ao seus.

Que possamos ter a imagem acima inteligível em nossas mentes, que olhando para aquele que veio trazer Luz aos nossos caminhos, para que não mais tropeçássemos, entendamos que é por meio desta LUZ que chegamos ao íntimos conhecimento do PAI, que possamos aprender que ele sendo o resplendor da gloria de D-us, não usurpou ser igual a D-us mas se esvaziou, de maneira que se apresentou ao mundo da mesma maneira que é representado na Chanukiá acima, como a LUZ central e mais alta, mas que na realidade é a Shamash, isto é, a serva, aquela que serve para que as outras luzes possam ser acesas.

Que possamos entender que assim como em 164 A.E.C. aconteceu o milagre da vitória do menor sobre o maior, e a Luz resplandeceu por vários dias, também aconteceu o milagre da encarnação do VERBO, da introdução no plano físico daquele que nasceria para morrer e mesmo assim triunfar, e através de seu triunfo nos dar vida e vida com abundância, completamente iluminada pela LUZ , está LUZ que é LUZ dada ao mundo pelo PAI.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Chanuká ou Natal? O que devem comemorar os com fé em Yeshua (Jesus)?

Este comentário tem como alvo primeiramente os Judeus que creem em Yeshua como o Mashiach, e em determinado grau também aos gentios que se achegam ao Povo Judeu e mantem a fé em Yeshua.

Chanuká celebra a festa das luzes, e profeticamente celebra o dia em que a Luz Divina entrou no mundo, não pelo nascimento mas sim na concepção, isto é, no dia que o anjo Gabriel visitou e anunciou à Maria o que haveria de acontecer (Luc. 1.26-35), sendo que foi na concepção de Maria que aquele que é chamado de Luz do Mundo (Jo. 8.12) entrou no plano material verdadeiramente.



Para começarmos a esta explanação, partimos do seguinte principio: de que todas as festas bíblicas listadas em Levítico 23, e as festas perpetradas ao longos dos séculos pela tradição judaica até ao primeiro século, fazem intima e notável relação com os fatos decisórios da vida do Mashiach Yeshua; Neste caso específicos as festas de Chanuká e Sucot serão abordadas.

Outro ponto que frisaremos é a diferenciação de usarmos o termo “Natal” e a expressão “Nascimento do Mashiach”, sendo que o primeiro já está carregado de significância pejorativa, trazendo sempre o pacote de mitos, ornamentos, elementos pagãos além dos efeitos psicossociais de aumento do consumismo, caridade destituída da verdadeira fonte a qual seja de origem divina, emanada pela graça, sendo por isso e por muito mais, quando nos referirmos ao grande acontecimento da encarnação do Verbo utilizaremos a expressão “Nascimento do Mashiach”.
Nós, judeus que fomos alcançados pela fé no Mashiach Yeshua, temos como resposta à indagação feita no titulo do artigo: Chanuká, não somente por já celebrarmos desde cedo tal festival mas sim por termos entendido o “objeto” que projetou a “sombra” desta festa. Ao comentar um artigo que falava das leis cerimoniais eu fiz a seguinte assertiva : “ A questão que gostaria de compartilhar é sobre a lei cerimonial, pois para nós tudo que é relativo a culto cerimonial não foi de maneira alguma abolido, mas digamos assim que foi aperfeiçoado mediante as promessas de D-us que vaticinou que tal aperfeiçoamento ocorreria, digo com isso que as "sombras" do sacerdócio Levítico, o sistema templário e os festivais sempre tiveram o "Objeto", isto é, para que a sombra exista é necessário que haja um objeto que a projete num plano, sendo assim o que se cumpre em Yeshua é a revelação parcial deste "objeto", sem que haja com isso a desqualificação da “sombra”, que querendo ou não, para os nossos irmãos judeus que não chegaram a fé em Yeshua é o que vale até os dias de hoje; Neste plano que o "Objeto" e a "sombra" ainda figuram parcialmente juntos, há a possibilidade de se vincular a cada “sombra” o seu real “objeto”, e a visão que teremos do real objeto dependerá dos óculos que usamos para vermos a realidade, e estes óculos nada mais são que a tradição que adquirimos na concepção de nosso culto, quero dizer que a tradição cristão tem os seus óculos que vêem o “objeto” desvinculado de sua “sombra“, não digo que isso é errado mas sim que é uma das formas de se ver o plano, nós judeus com fé em Yeshua temos os óculos que por através destes vemos a íntima ligação entre “sombra” e “objeto”, e isso nos é dado por nossa tradição e pela revelação das Escrituras (I Cor. 3.16) , já os nossos irmãos judeus que não tem a fé em Yeshua tem a mesma tradição que nós, mas seus óculos estão riscados, turvos e como com que um véu postos sobre os olhos (I Cor. 3.14-15), veem apenas as sombras.
E é por vermos o “objeto”, Yeshua, que projeta esta “sombra” ,Chanuká, que celebramos esta festa neste período, mas desde já alertamos que não a celebramos da forma que parte de nosso Povo a tem celebrado nos últimos tempos, pois assim como na prática consumista Ocidental que impera no Natal, as comunidades Judaicas pelo mundo tem transformado a festa em desculpa para o consumismo e pseudo liberdade se igualando praticamente ao cerimonial vazio do Natal Ocidental, destituído de toda a carga memorial e escatológica que o festival se propõe em sua essência, essência esta que também se perdeu na maioria do lugares que o Nascimento do Mashiach é celebrado.

Alguns críticos podem dizer: como irei festejar algo que não está relatado no Cânon do “Antigo Testamento”, eu responderia que é melhor comemorar algo que não está relatado, do que algo que está praticamente abominado pelo Senhor nas Escrituras como o natal, pois então vejamos algo, a árvore de Natal, o visco, as coroas de azevinho, as velas, e a tradição das crianças enganando o Papai Noel, são todas de origem pagã, não há uma única palavra nas Sagradas Escrituras em favor de nenhuma delas. Mas ouçamos o que a Palavra de Deus diz: “Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios... Porque os costumes dos povos são vaidade; pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado; com prata e ouro o enfeitam, com pregos e martelos o fixam, para que não oscile” (Jeremias 10.2-4).

Esclarecemos que a festa de Chanuká não configura no Cânon do “Antigo Testamento”, pelo fato de ter ocorrido em 164 A.E.C., séculos depois do fechamento do Cânon em seus 39 livros, mas ao menos temos algo que atesta a historicidade do festival, a passagem do “Novo Testamento” conforme o que segue: (João 10.22,23)“E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno. E Yeshua andava passeando no templo, no alpendre de Salomão.” Com base nesta passagem não podemos atestar com segurança que Yeshua estava a participar do festival, mas podemos ter a pretensa certeza que ao menos ele não se colocou numa posição contraria, pois sendo este um festival nacional inaugurado por Yahudá haMacabi na data do acontecido e incorporado ao calendário festivo se tornando um memorial, algum profeta enviado pelo Senhor deslegitimaria tal prática, a condenando como já o vez como por exemplo no caso de Jeroboão em (I Reis 12.32,33 - 13.34) que institui uma festa no oitavo mês quando o Senhor ordenara no sétimo e vários outros casos. Sendo que os que teriam a autoridade do alto para deslegitimar o festival não o fizeram, neste caso os profetas com autoridade seriam Yohanan benZakariah (João O Batista) e o próprio Yeshua, ficamos com o princípio inicial que adotamos.

Correlações entre Chanuká e a concepção de Yeshua.

1. Em Chanuká o Templo foi re-dedicado ao Senhor, Em Yeshua que acaba de ser concebido o Senhor re-dedica a si o seu novo Templo que conforme vemos é o corpo de Yeshua que acaba de tomar suas formas iniciais, (João 2.19-20 “Yeshua lhes respondeu: Destruí este Templo, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este Templo, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao Templo do seu corpo.”), e outras referencias que nós em Yeshua somos também santuários como em (1 Coríntios 3.16,17 “Não sabeis que sois santuário de D-us e que a Ruach HaKosech em vós? Se alguém destruir o santuário de D-us, D-us o destruirá; porque o santuário de D-us, que sois vós, é sagrado.”), (1 Coríntios 6.19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de D-us, e que não sois de vós mesmos?”), (2 Coríntios 6.16 Que ligação há entre o santuário de D-us e os ídolos? Porque nós somos santuário do D-us vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu D-us, e eles serão o meu povo.”) e fora o aspecto escatológico de ser o próprio Templo como podemos ver em (Apocalipse 21.22 “E nela não vi Templo, porque o seu Templo é o Senhor, D-us Todo-Poderoso, e o Cordeiro.”)

2. Em Chanuká houve o milagre e a luz não se extinguiu e iluminou o templo novamente , na concepção de Yeshua ele é o milagre, a luz que veio ao mundo conforme (Yochanan, João 8:12 “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.”), (Yochanan, João 1:4,5) “Nele está a vida eterna, e essa vida dá LUZ a toda a humanidade. A sua vida é a LUZ que brilha nas trevas, e estas nunca poderão pôr fim a essa LUZ”. (I Kephas, I Pedro 2:9) “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa LUZ;” (Tehilim, Salmo. 27:1) “O Senhor é a minha LUZ e a minha salvação...” , (Yochanan, João 3:16-21). “D-us amou tanto o mundo que deu o seu único Filho para que todo aquele que nele crê não se perca espiritualmente, mas tenha a vida eterna. D-us não mandou o seu Filho para condenar o mundo, mas para o salvar. Para os que confiam nele como Salvador não há condenação eterna. Mas os que não confiam nele já estão julgados e condenados por não crerem no Filho único de D'us. E são condenados por a luz do céu ter vindo ao mundo, mas eles preferirem as trevas à luz, pois só fazem o mal. Eles odeiam a luz celestial porque querem pecar nas trevas. Afastam-se da LUZ com medo de os seus pecados serem postos às claras e sofrerem castigo. Mas os que procedem bem procuram a LUZ para que todos vejam que estão a fazer o que D-us deseja.”
E novamente de maneira escatológica em (Apocalipse 21.23 ) “A cidade não precisa de sol nem de lua para a iluminarem, pois a glória de D-us brilha sobre ela, e o Cordeiro é o seu candelabro.”


3. Em Chanuká se comemorou a vitória sobre os inimigos, com Yeshua comemoramos também a vitoria sobre o inimigo de nossas almas, sabendo a partir da concepção de Yeshua que o seu tempo já começou a ser cronometrado.

Nesta celebração, nós crentes temos a oportunidade de nos reconsagramos, re-dedicando nossas vidas integralmente ao Senhor. Não que precisemos de um dia específico para uma reconsagração. Afinal, estamos debaixo da graça de D-us. Mas, trata-se de uma oportunidade na qual podemos celebrar esta data, alegrarmo-nos coletivamente por termos sido salvos, agradecendo a D-us por este privilégio enquanto tantos ainda perecem separados do D-us de Israel. Além do mais, somos luz, mas vivemos em um mundo que jaz em trevas, que muitas vezes nos contamina, exercendo sobre nós todo tipo de influência negativa. Então, neste dia, sentimos a liberdade de fazer nossa reconsagração, declarando coletivamente que somos livres de qualquer peso e julgo em Yeshua Ha Mashiach. Se meditarmos um pouquinho, quantas vezes pecamos quando comemos, bebemos, ouvimos, vemos o que não deveríamos; tocamos em coisas que não deveríamos tocar, etc. Arrependemo-nos, então, e consagremo-nos ao Eterno. D-us nos dá a santidade, mas quem decide manter-se em santidade somos nós.

Neste vídeo abaixo, preste atenção nas legendas, pois elas fazem uma íntima conexão das festas bíblicas e judaicas com a trajetória de vida de nosso Mashiach Yeshua.


domingo, 22 de maio de 2016

Pessach Sheni - Segunda Páscoa

Celebra-se ao Crepúsculo de 14 de Iyyar de 5776 - 22 de Maio de 2016.




Referência Bíblica: Bamidbar Números 9:6-12:

“9.6 Houve alguns que se acharam imundos por terem tocado o cadáver de um homem, de maneira que não puderam celebrar a Pessach naquele dia; por isso, chegando-se perante Moshe e Aharon, 7 disseram-lhes: Estamos imundos por termos tocado o cadáver de um homem; por que havemos de ser privados de apresentar a oferta de YHWH, a seu tempo, no meio dos filhos de Israel?
8 Respondeu-lhes Moshe: Esperai, e ouvirei o que YHWH vos ordenará.
9 Então, disse o YHWH a Moshe: 10 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém entre vós ou entre as vossas gerações achar-se imundo por causa de um morto ou se achar em jornada longe de vós, contudo, ainda celebrará a Pessach à YHWH. 11 No mês segundo, no dia catorze, no crepúsculo da tarde, a celebrarão; com pães asmos e ervas amargas a comerão. 12 Dela nada deixarão até à manhã e dela não quebrarão osso algum; segundo todo o estatuto da Pessach, a celebrarão.”
Este fato nos faz lembrar da importância da escolha milimétrica de Nosso D-us em comandar os acontecimentos durante as 10 pragas para que a Saída do Egito se desse exatamente na fase de lua cheia para que o caminho fosse iluminado para a fuga, sendo que no meio do deserto a noite sem fonte de luz artificial a única forma de não se perder seria a luz natural de uma lua cheia em sua plenitude, vemos portanto o cuidado de Nosso D-us que bem poderia como fez mais adiante guiar o povo com um coluna de fogo e de nuvem mas permitiu que os Apontadores dos Céus como são chamados os Astros em Gênesis servissem de sinais memoriais perpétuos para toda a festividade ordenada por D-us.

Outra lição que podemos tirar desta segunda oportunidade de Festejarmos Pessach, é que mesmo que estejamos o mais impuros e contaminados ainda assim temos esperança nas Imensas Misericórdias de Nosso Eterno e Bondoso D-us em nos aceitar diante de sua presença para que em comunhão, que nos é outorgada somente pelo Sangue do Cordeiro, possamos celebrar a liberdade, a liberdade de não sermos mais escravos mas agora Servos a Serviço (Avodá) do Senhor.

Que esta segunda chance nos inculque a Misericórdia de D-us e não nos faça relapsos quanto a nossa necessidade de arrependimento e purificação das imundícias que nos contaminam, para que em obediência e amor possamos Celebrar ao Nosso Senhor a nossa Liberdade.
Costumamos comer um pedaço de matsáh neste dia.

Por Metushelach Cohen

sábado, 23 de abril de 2016

Sefirat HaOmer - Contagem de Omer - 49 dias desde Pessach à Shavuot





Sefirat HaOmer - A contagem do Omer é uma ordenança que se encontra registrada em Vayicrá (Levítico) 23:9-21 e diz respeito a contagem dia a dia dos 49 dias que vão do dia 16 mês bíblico de Nissan ate o dia 5 do mês bíblico de Sivan.

O primeiro dia da contagem do Omer começa no segundo dia de Chag HaMatsot (Festa dos Pães sem fermento) e o ultimo dia da contagem ocorre no dia anterior de

Shavuot (Semanas ou Pentecostes50°).

No Calendário gregoriano tal contagem ocorre do por do sol de 23 de Abril de 2016 até 12 de Junho de 2016.

Shavuot (Semanas ou Pentecostes50°) será ao por do sol de 12 de Junho.

Esta é um período de “contagem divina” que nos levou à dádiva da Torah gravada em pedras no Monte Sinai e muito mais tarde à dádiva da Torah gravada no coração e mente pelo derramar do Espírito de D-us sobre os apóstolos e depois sobre muitos dos judeus de vários países que celebravam Shavuot no Templo.

De acordo com os antigos sábios, a contagem do Omer, ou seja, estes 49 dias representam o caminho para a Teshuvá (arrependimento), um dia para cada um dos 49 “níveis de pecado” nos quais os filhos de Israel tinham sido degradados na escravidão no Egito.

Assim como há 49 níveis espirituais de impureza (Tumah), assim é dito que há 49 níveis espirituais de pureza (Taharah).

Normalmente meditamos sobre as Sagradas Escrituras em cada um dos 49 dias afim de elevar o nosso nível de arrependimento, e este processo é chamado de Madregot HaTaharah – “Escadas para purificação”. Em relação a esta elevação gradual é que liturgicamente alguns se dedicam a estudar e a praticar o dito “48 Caminhos de Sabedoria” que é a lista de 48 qualidades que alguém demonstra ao se preparar para o recebimento da Torah, e tal lista se encontra no Pirkê Avot (Ética dos Pais) no Capítulo 6:6 “A Torah é maior que o sacerdócio e da realeza; pois a realeza é adquirida [junto] com trinta distinções, e o sacerdócio com vinte e quatro; mas a Torah é adquirida através das 48 quarenta e oito seguintes qualidades: Com estudo, atenção auditiva, articulação verbal [do que foi estudado], percepção [intuitiva] do coração, reverência, temor, modéstia, alegria, pureza, auxílio aos Sábios, estreito vínculo com os colegas, debate perspicaz com os alunos, sobriedade, [conhecimento] das Escrituras [Tanach], da Mishná, reduzindo as atividades comerciais, reduzindo as preocupações com questões mundanas, reduzindo a indulgência no prazer [mundano], reduzindo o sono, reduzindo a conversa, reduzindo a risada, com lentidão para a ira, com um bom coração, com fé nos Sábios, com aceitação do sofrimento, consciente de seu próprio lugar [- nível], satisfazendo-se com o que tem, fazendo uma cerca em torno de suas palavras, não reivindicando créditos para si, sendo amado, amando o Onipresente, amando as [Suas] criaturas, amando os caminhos da justiça [e bondade], amando os caminhos da retidão, amando a repreensão [crítica], mantendo-se distante das honrarias, não sendo arrogante de seu próprio conhecimento, não tendo prazer em proferir decisões [de halachá], compartilhando o fardo de seu próximo, julgando-o favoravelmente, colocando-o [no caminho] da verdade; colocando-o [no caminho] da paz, deliberando meticulosamente em seu estudo, perguntando e respondendo, escutando e somando [informações ao estudo], aprendendo para ensinar, aprendendo para praticar, aumentando a sabedoria de seu mestre, ponderando adequadamente o sentido do que aprende, e aquele que profere algo em nome de seu autor. Certamente estudaste que: Todo aquele que diz algo em nome de seu autor traz salvação para o mundo, conforme foi dito: E Ester disse ao rei em nome de Mordechai.”

Shavuot é o objetivo final de Pessach, portanto a libertação foi dada por causa da revelação da Torah, nós somos chamados a santificação para a revelação pessoal ao engajarmos nestes 49 dias de Teshuvá – arrependimento, mudança de mente, retorno à D-us.

Shavuot era também uma festa ligada a agricultura, a contagem do Omer, era usada para marcar o 50° dia da estação do crescimento da colheita.

Omer aliás era que uma medida de 176 litros para secos, ou dito molho ou punhado dos primeiros produtos da colheita.

Um Korban (oferenda) especial que envolvia o ‘balançar dos dois Pães (levedados) – Shtei HaLechem simbolizando a ocasião.

Note que está era a única ocasião onde pães fermentados eram usados pelos sacerdotes para o Avodá (serviço ou culto no Templo)

Embora os antigos sábios não sondaram o porque do uso de um elemento antes proibido (levitico 2:11), profeticamente isto era a prefiguração do ‘novo ser humano’ diante do Altar de D-us (Efésios 2:14-15).

Então a contagem ate Shavuot (pentecostes) vai muito alem da revelação da Torah no Sinai e aponta para a grande revelação da mesma Torah dada no Monte Sião de forma internalizada (vide Isaías 2:3), (Miquéias 4:2).

O Sefirat HaOmer é sobre estarmos envoltos pelo Espiro Santo de D-us , que além de nos outorgar a Torah de forma internalizada nos faz produzir para apresentar ao Senhor os melhores frutos que as nossas vidas podem frutificar e assim caminharemos dia a dia para o cumprimento total e pleno de Jeremias 31:33-34:
“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz YHWH: Porei a minha Torah (lei) no seu interior, também no coração as inscreverei, e Eu serei o Seu D-us e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.”

terça-feira, 19 de abril de 2016

Páscoa - Pessach etapa por etapa no Calendário.

פֶּסַח

Segue o dia a dia do Festival de Pessach no mês de Nissan

Dia 08/04/16 após o crepúsculo
Primeiro dia de Nissan (1° mês Bíblico)
Rosh Chodeshim (Cabeça dos Meses) Lua Nova


Tradição: Toca-se o Shofar para mostrar a dependência que temos de Adonai Tsvaot em nos proteger e iluminar em meio a escuridão da noite de lua nova.
Êxodo 12:2, Números 10:10, II Crônicas 2:4

Essência ou entendimento prático : Mesmo que passemos por fases de escuridão em nossas vidas temos que depender do Senhor dos Exércitos para pelejar em nossas batalhas pessoais, e termos a fé e a confiança que poderemos Bradar em Alto som como o som do Shofar (Trobeta) que pela Misericórdia do Eterno iniciaremos uma nova fase de brilho crescente.

Shaul (Paulo) exorta aos Colossenses que não se deixassem levar por julgamentos infundados dos Gnósticos e Ascetas acerca da celebração das festas e LUAS NOVAS, sendo que eles mesmo não sendo circuncisos celebravam por julgarem ser bom o aprendizado sobre as Sombras que Delimitam a vida e obra do Mashiach, conforme Colossenses 2:16-17



Dia 15/04/16 após o crepúsculo


Tradição: O Grande Dia da escolha e recolhimento aos lares do Korbam Pessach (Cordeiro Pascoal) em meio a família que ao conviver com o cordeiro, além de constatar ser ele sem mácula e defeito, criava-se um vínculo com a animal, causando pesar em se ter que sacrificá-lo pois a família que se apegou a ele sentiria o vazio de sua ausência que pela convivência mesmo que curta gerou laços.
Êxodo 12:3.

Yeshua que é o Cordeiro que tira o pecado do mundo também foi recolhido ao convívio dos de Yerushalaym em um Shabat HaGadol entrando montado num jumentinho sendo aclamado Filho de David.
A sua convivência na Cidade Santa foi curta mas criou laços, que levou muitos que choraram sua ausência adquirir a profunda consciência do ato dele no Madeiro, que assim como o Cordeiro de Pessach foi sacrificado para que o seu sangue desse vida e vida com abundancia aos primogênitos do Senhor, a saber, aos que creram no sentido do Sangue Derramado no Madeiro e que são agora são chamados de Filhos e não mais apenas criaturas.


Alguns dias antes e inclusive na sexta-feira 22/04/16 até algumas horas antes do
Crepúsculo isso ainda no dia 14 de Nissan


Tradição: Deve ser retirado todo o Chametz ( Fermento – Levedura), de dentro de casa, tendo que ser vendido ou queimado tudo que for achado nos cantos, buracos e bolsos dentro dos lares.
Hametz é toda a fermentação ocorrida nos grãos como Trigo, Cevada, Aveia, Centeio ou Espelta.
Êxodo 13:3-7.

Shaul (Paulo) faz uma referência muito boa como segue “Pelo que façamos festa não com o fermento velho,nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade. 1 Coríntios 5:8”
Yeshua também associa o fermento à falsas doutrinas de homens, que consequentemente levarão ao pecado conforme Mateus 16:11-12 e Marcos 8:15.

Essência: Devemos aproveitar este período de busca e descarte do Chametz (Fermento) para ficarmos introspectivos quanto aos pecados que se encontram em nossos mais recônditos esconderijos da alma, devemos assim como a tradição rabínica o faz, achar cada migalha daquilo que nos infla e faz crescer em orgulho e altivez perante ao Senhor ao nossos irmãos, e descartá-los, os queimando no fogo purificador do Arrependimento trazido pelo convencedora Ruach HaKodesh (Espírito Santo).


Agora segue um pouco da Liturgia Sinagogal em suas Leituras Festivas.


Erêv Pessach
Segunda 22/04/16 ao Crepúsculo

Leituras para Erêv Pessach
Porção Erêv Pêsach: Ex 33:12 á 34:26 - Lev. 23:4-8 - Num 28:16-31
Brit Hadashá: João 13:1 á 17:26
Acendimento das luzes (velas) de Shabat antes do por do Sol


Pessach
Sexta 22/04/2016 a Noite após o aparecimento de três estrelas no horizonte poente
Seder (Ceia) de Pessach

Seudat HaMashiach – Ceia do Senhor.
(o corpo e o sangue do Messias na nova aliança)
Sangue - vinho; corpo - Matzá (pão sem fermento)
Yom haMatzot – Festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)

Shabat à Noite 23/04/2016
2°Seder (Ceia) de Pessach
Seudat HaMashiach – Ceia do Senhor.
(o corpo e o sangue do Messias na nova aliança)
Sangue - vinho; corpo - Matza (pão sem fermento)
Yom haMatzot – festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)
Leituras para Pessach
Porção de Pessach: Ex. 12:21-51 (Maftír – Nm. 28:16-25),
Brit Hadashá: João 18:1-19:42

Domingo ao crepúsculo 24/04/16:
Contagem do Ômer; 1° dia do Ômer
Ler salmo 107: 1 á 7
Yom haMatzot – festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)

Segunda ao crepúsculo 25/04/2016:
Contagem do Ômer; 2° dia do Ômer
Ler salmo 107: 8 á 9
Yom haMatzot – festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)

Terça ao crepúsculo 26/04/2016:
Contagem do Ômer; 3° dia do Ômer
Ler salmo 107: 10 á 16
Yom haMatzot – festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)

Quarta ao crepúsculo  27/04/2016:
Contagem do Ômer; 4° dia do Ômer 
Yom haMatzot – festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)
Ler salmo 107: 17 á 23

Quinta ao crepúsculo 28/04/2016:
Contagem do Ômer; 5° dia do Ômer
Yom haMatzot – festa dos Pães sem fermento.
(não se come nada fermentado neste dia)


Dia 30- Ultimo dia de Yom haMatzot – Festas dos pães sem fermento - Termino ao por do sol

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Hoje é Shabat Hagadol (O Grande Sábado)

O Shabat imediatamente anterior à Pessach é denominado “Shabat Hagadol” (O Grande Sábado), em recordação do preceito divino da escolha e do recolhimento do cordeiro para o sacrifício pascal:

דברו אל־כל־עדת ישראל לאמר בעשר לחדש הזה ויקחו להם איש שה לבית־אבת שה לבית׃

“No décimo dia do mês tomará todo o varão um cordeiro por família”
(Êxodo 12:3)
Segundo o Talmud no ano em que o povo de Israel saiu do Egito, o dia 10 de Nissan caiu em um Shabat.
Como o cordeiro era um dos animais representativo de um divindade, o deus Amon do Egito, o povo Hebreu demonstrou a sua total confiança em D-us, pois a separação para inspeção e posterior abate de um cordeiro geraria uma eminente reação de ira dos egípcios, por estarem os hebreus depreciando uma das figuras de suas divindades e prestes a sacrificar tão grande quantidade de um animal tão significativo como o carneiro.


Representação do deus Amon em forma de Carneiro
na entrada de um Templo Egípcio.

Vemos portanto o quão grande foi este dia, pois D-us de forma milagrosa permitiu que seu povo, mesmo com a humilhação da divindade egípcia, conseguisse cumprir a primeira mitsvá dada ao povo de forma coletiva (Orach Chaim 430:1).

De acordo com midrash (Tosafot Shabbat 87b), os Hebreus explicaram o motivo de terem que sacrificar os cordeiros, e disseram ser uma ordem direta de Adonai, e quem não a cumprisse teria seus primogênitos mortos, assim como os primogênitos dos egípcios seriam acometidos por tal praga posteriormente. Quando os primogênitos egípcios ouviram isso, pediram a seus pais e ao Faraó para que deixassem os Hebreus irem, mas seus gritos foram ignorados até uma guerra civil eclodir, na qual muitos egípcios foram mortos. Esta guerra interna foi chamado de Guerra dos Primogênitos e é considerado um grande milagre que ajudou na libertação dos Hebreus da escravidão no Egito.

Durante o período do Templo em Jerusalém, era de praxe obter o cordeiro pascal 4 dias antes da páscoa, assim os adoradores poderiam ter certeza que os seus cordeiros pascais estavam completamente sem defeito, pois ao se detectar algum defeito o cordeiro seria desconsiderado para o sacrifício de páscoa.
Isto era feito para cumprir as instruções dadas em Êxodo 12 que instrui que o cordeiro a ser oferecido deveria ser sem defeitos. O interessante é que este período permitia que cada família torna-se intimamente ligada ao cordeiro, assim tal não era simplesmente um animal para o abate, mas o ‘cordeiro deles’. (Êxodo 12:15) e na tarde de 14 de Nisan os cordeiros eram publicamente sacrificados por “toda a congregação” (Êxodo 12:6) posteriormente houve a aplicação do sangue do animal em suas portas, nos umbrais.

Depois da destruição do Templo o “judaísmo rabínico” assumiu a liderança do povo judeu agora em diáspora.
A ideia dos sacrifícios foi mudada para: oração, práticas de caridade e estudo da Toráh.
Então os rabinos pós Templo substituíram o costume de adquirir um cordeiro pascal, por uma mensagem especial a ser dada aos judeus nesta data denominada de Shabat HaGadol, usualmente ministrada por um sábio em Toráh que discursa sobre as leis referentes a Pêssach e que no dia seguinte lidera a distribuição de Matsot aos pobres.

 Yeshua entra Triunfalmente em Yerushalaym

A última Pessach de Yeshua iniciou-se algum tempo antes que o Festival começasse realmente, (João 12:1-33). Depois de visitar o seu amigo Lázaro em Betânia, Ele foi a Yerushalaym pouco antes de a cidade se encher de peregrinos para celebrar o feriado. No dia 10 de Nisan ele entrou na cidade, montado num jumento para anunciar o Seu Messianismo, este era o momento em que o Cordeiro de Páscoa “Korban Pessach” estava sendo escolhido para o sacrifício, assim Yeshua se relaciona à figura do cordeiro que é examinado por quatro dias antes de seu sacrifício pois igualmente ele também o foi diante das autoridades de Yerushalaym para ser considerado sem máculas, defeitos ou rugas para remissão dos pecados do mundo.

Yeshua foi enviado para ser o verdadeiro Cordeiro de D-us (Seh HaElohim) sem mancha ou defeito.
A Cidade Santa teria sido um lugar movimentado, repleto de emoção e (devido à opressão romana) cheio de expectativa messiânica. Incontáveis judeus teriam se mobilizado em todo o mundo para observar a Pessach com suas famílias.

Note que quando Yeshua entrou pela primeira vez a cidade, Ele foi recebido pelos gritos dos peregrinos vindos para o Festival, que bradavam : "Hosana" palavra proveniente da frase aramaica "Hoshiah na" (הוֹשִׁיעָה נָּא), que significa "salve eu" ou "me salvar". Os peregrinos judeus cantavam  o Salmo 118:25-26 e aplicavam-no ao maior Filho de David, Yeshua, que já estava no meio deles.
Por um momento o povo judeu que ali estava em Jerusalém deu um louvor correto para Yeshua como o Mashiach Ben David (filho de David).
Após entrar em Yerushalaym, Yeshua imediatamente foi ao Templo e expulsou todos os cambistas virando mesas e cadeiras. (Mateus 21:12).
Yeshua foi crucificado antes do por do sol em 14 de Nisan, profeticamente correspondendo com o horário do sacrifício do cordeiro pascal no Templo.
Ele permaneceu na cruz por mais ou menos 6 horas, de “9 da manha” ate as “3 da tarde”. (Mateus 27:45) E seu corpo foi removido da cruz antes do por do sol.

Haftará  (porção de leitura dos profetas)

Uma porção dos profetas é especialmente lida neste Shabat, Malaquias 3:4-24, que ela fala de uma futura redenção.
Assim, pois os nossos sábios do Talmud ensinaram:
‘o Rabino Yehoshua disse; No mês de Nisan os nossos ancestrais foram libertos do Egito, e no mês de Nisan eles serão novamente redimidos no futuro’ Talmud tratado Rosh Hashaná 11ª.

A Haftará termina assim: "Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do S-NHOR;" Malaquias 4:5

Como quase todos os profetas nas escrituras, há um aspecto dualístico nas profecias. Primeiro João Batista (Imersor) foi identificado pelo Mashiach Yeshua como o Elias que havia de vir’ (Mateus 11:14). João preparou o caminho para o trabalho do Mashiach e ele convenceu muitos judeus daquela época em fazer Teshuvá (retornar para os caminhos de D-us) através de sua pregação de arrependimento.

Então realmente “Elias” veio como o dia da salvação do nosso D-us, mas entretanto ainda há o Grande e Terrível Dia do Senhor por vir, muito chamado de tempo da tribulação, ou o fim dos dias. Alguns acreditam que Elias reaparecerá durante os anos da tribulação como uma das 2 testemunhas para anunciar a vinda do Messias para iniciar o Reino e destruir o Anticristo. (Apocalipse 11:3-6)

Livre adaptação da tradução e acréscimos por Metushelach ben Levy do artigo publicado no site: http://www.hebrew4christians.com/Holidays/Spring_Holidays/Shabbat_HaGadol/shabbat_hagadol.html
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