Yeshua celebrou o Sêder* com seus discípulos. Junte-se a nós nesse rápido passeio através das partes que compõem um tradicional Sêder de Pessach e atente aos pontos que são significativos, de maneira especial, aos crentes em Yeshua.
*Seder significa ORDEM. É a forma de como é organizada ordenadamente o jantar que é feito na primeira noite de Pessach.
A retirada do fermento
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RITUAL DE ELIMINAÇÃO DAS IMPUREZAS Não comereis nenhuma coisa levedada; em todas as vossas habitações comereis pão ázimo”(Ex. 12,20) |
Shaul (Paulo) faz uma referência muito boa como segue “Pelo que façamos festa não com o fermento velho,nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade."( 1 Cor.5.8).
Lavagem das mãos
Uma vez que o fermento é removido, a família senta-se ao redor da mesa e cerimonialmente lava as mãos com uma bacia e uma toalha. Yeshua também participou dessa tradição, mas em vez de lavar suas mãos, Ele levantou-se da mesa e lavou também os pés de seus discípulos, dando-nos uma lição, sem igual, de humildade. (João 13:2-17).
Acendimento das velas
Estando a casa e os participantes limpos, o Sêder de Pessach pode começar. A mulher da casa profere uma bênção e acende as velas de Pessach. Convém que a mulher traga a luz para o lar, pois foi através da mulher que a luz do mundo, Yeshua o Mashiach, veio ao mundo (Gn 3:15).
Hagadá

Hagadá significa "relatar, contar" – o contar da história da Páscoa judaica. A história é contada em resposta a quatro perguntas feitas pelas crianças:
“E acontecerá que, quando seus filhos disserem: Que ritual é este? Então dirão: Este é o sacrifício de Pessach à ADONAY, que passou sobre as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou. E foram os filhos de Israel, e fizeram isso como ADONAY ordenara a Moshe e a Aharon, assim fizeram. (Êxodo 12:26-28)
1- Porque está noite é diferente das outras noites?
2- Porque todas as outras noites nós comemos pão com fermento e esta noite só comemos Matzah (pão sem fermento)?
3- Todas as outras noites nós comemos todos os tipos de ervas então porque está noite comemos apenas ervas amargas?
4- Todas as outras noites nós não molhamos nossas ervas na água salgada então porque esta noite nós molhamos as ervas com água salgada 2 vezes? Também nas outras noites comemos sentado ou reclinado porque esta só comemos reclinados?
O pai passa a contar a história do êxodo do Egito, lendo um livro chamado de “Hagadá” e usando símbolos e objetos a fim de prender a atenção dos pequeninos e responder cada uma das perguntas.
A primeira taça de vinho
O Sêder começa com uma bênção recitada na primeira das quatro taças de vinho: “BARUCH ATÁ ADONAI, ELOHÊNU MÊLECH HAOLAM BORÉ PERI HAGÁFEN” = “Bendito és tu, Senhor, nosso D-us, Rei do Universo, que criaste o fruto da vide”. O próprio Yeshua abençoou a primeira taça em Lucas 22:17-18.
A segunda taça de vinho
A segunda taça é para nos lembrar das Dez Pragas e do sofrimento dos egípcios quando endureceram o coração para o Senhor. A fim de não nos regozijarmos com o sofrimento de nossos inimigos (Pv 24:17), derramamos uma gota de vinho (que é o símbolo da alegria) enquanto recitamos cada uma das Dez Pragas, lembrando-nos, assim, que nossa alegria é diminuída com o sofrimento dos outros.

Afikoman
Ocorre, então, uma tradição muito curiosa. Junto à mesa, está um saco com três compartimentos e três matzás. O matzá do meio é retirado, partido e metade é posta de volta ao saco. A outra metade é enrolada em um guardanapo de linho e escondida para ser retirada mais tarde, após a refeição. Cada uma das Matzot representam os patriarcas Avraham, Yitzhak e Yaakov, a do meio que é quebrada representa Yitzhak, e figura o Mashiach que assim como Yitzhak foi dado em Sacrifício no Monte Moriáh, assim como a Matzá do meio é quebrada em duas partes assim é as vindas do Mashiach uma já desvendada outra ainda a ser revelada da mesma maneira que o Afikoman é revelado apenas no fim.
O prato do Sêder
Os rabinos têm planejado uma série de lições de coisas [lições com a utilização de objetos] para prender a atenção dos pequenos durante o Sêder pascal. Esses itens são experimentados por cada pessoa, já que cada uma é instruída a se sentir como se tivesse feito parte da saída do Egito.
Karpás – verduras
O primeiro item é o karpás, ou verduras (geralmente salsa), que é o símbolo da vida. A salsa é mergulhada em água salgada, símbolo de lagrimas, e ingerida para nos lembrar de que a vida de nossos ancestrais foi imersa em lágrimas.
Betsá - ovo
Um ovo assado está no prato do Sêder para trazer à memória o sacrifício diário no templo, que não pode ser mais oferecido, já que o templo não existe mais. Exatamente na metade do Sêder pascal, os judeus são lembrados de que não possuem sacrifício para torná-los justos perante D-us.
Maror – erva amarga
Geralmente, trata-se da planta conhecida como raiz-forte (moída) e come-se (juntamente com o matzá) até que uma lágrima saia dos olhos. A não ser que experimentemos primeiro o amargor da escravidão, não podemos apreciar a doçura da redenção.
Charósset
O charósset é uma mistura doce de maçãs e castanhas picadas, mel, canela e um pouco de vinho tinto Manischewitz (kosher para a Páscoa judaica) apenas para dar cor! Essa mistura doce, amarronzada e pastosa simboliza o barro que nossos ancestrais usaram para fazer os tijolos na terra do Egito. Por que será que nos lembramos de uma experiência tão amarga com algo tão doce? Os rabinos têm uma boa interpretação: mesmo o mais amargo dos trabalhos pode ser doce quando nossa redenção se aproxima. Isso é verdade, em especial para os crentes no Mashiach. Podemos encontrar a doçura inclusive na mais amarga das experiências porque sabemos que a vinda do nosso Senhor está próxima.
Perna de cordeiro
Em cada lar judaico, em cada prato do Sêder, está uma perna de cordeiro (com o osso à mostra). No livro de Êxodo, os primogênitos judeus foram poupados pelo Anjo da Morte ao se passar o sangue de um cordeiro inocente, imaculado nas ombreiras e na verga da porta dos lares, já que D-us levaria o povo da escravidão para a liberdade. Hoje, cremos que Yeshua é esse perfeito cordeiro pascal e quando passamos Seu sangue nas ombreiras e na verga de nossos corações, também nós vamos da morte para a vida, da escravidão do pecado para a liberdade de ser um filho redimido de D-us. Como João Batista disse quando viu Yeshua se aproximando dele, “Eis o Cordeiro de D-us, que tira o pecado do mundo.” (João 1:29).
A Refeição
Ah, mesmo em meio às maravilhas da tecnologia moderna, ainda podemos levar a você a parte mais memorável da Páscoa judaica… a refeição, do mesmo modo que a vovó costumava fazer! Apenas imagine: sopa quente de frango, com a fumacinha saindo, e enormes bolinhos macios de matzá; mais um pouco de matzá; fatias de um gefilte fish (bolinho de peixe) de sabor picante feito em casa com raiz-forte bem ralada (que faz você chorar); mais matzá; fígado picado (com bastante schmaltz – gordura de frango ou de ganso - e cebolas fritas crocantes) em uma camada de alface; mais matzá; mais cebolas fritas crocantes ao lado; mais matzá... e isso que é somente o aperitivo!
A seguir, vem a refeição… você consegue sentir o cheirinho? Peito bovino macio, adocicado, com repolho; mais matzá; costela bovina (em corte judaico) feita em casa; frango ensopado, frango de panela, frango grelhado, frango cozido, frango sautée, frango assado, mais matzá; peru inteiro assado; mais matzá; ervilhas recém cortadas e com cebolas; mais matzá; cenoura e tsimes de ameixas-secas; mais matzá; batata doce e tsimes de uvas passas; mais matzá; purê de batatas feito em casa e repleto de manteiga; mais matzá!
Você guardou espaço para a sobremesa? Bem, você terá de esperar, porque agora é a hora de continuar com o Sêder!
Em busca do afikoman
Depois do término da refeição, o líder do Sêder deixa as crianças livres para encontrarem o afikoman, que havia sido embrulhado em um guardanapo e escondido antes. A casa fica em polvorosa, já que todo mundo se apressa para ser o primeiro a encontrar o afikoman e reivindicar o prêmio quando o vovô o toma do localizador sortudo. O valor corrente equivale a U$5,00! Tendo o líder recuperado o afikoman, ele o despedaça e o distribuí em pedacinhos para todos que estão sentados ao redor da mesa. Os judeus realmente não compreendem essa tradição, mas as tradições não precisam ser compreendidas – apenas seguidas! Contudo, crê-se amplamente que esses pedaços de afikoman trazem uma longa e boa vida aos que os comem.
A tradição talvez date da época de Yeshua. Se for esse o caso, então Lucas 22:19 assume um sentido maior: "E tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim". Pois Yeshua, o Mashiach teria tomado, dos três, o matzá do meio, o pedaço que ficava para o sacerdote, o mediador entre D-us e o povo, partido (como Seu corpo seria partido), envolvido parcialmente em um guardanapo de linho (como Ele seria envolto em linho para o funeral), o escondido, (assim como Ele foi enterrado), o trazido de volta (assim como Ele seria ressuscitado), e o distribuído a todos os que se assentavam com Ele (assim como Ele iria ainda dar a Sua vida para todos os que cressem). Como Ele assim o fez, estava consciente de que o pedaço de matzá do meio representava Seu próprio corpo imaculado dado para a redenção de Seu povo. Assim como o matzá é todo marcado e perfurado, Seu próprio corpo seria mais tarde marcado (pelos açoites) e perfurado e é por essas pisaduras que fomos sarados (Isaías 53:5). O pedaço de matzá do meio, ou o afikoman, é nosso pão da Santa Ceia.
A Terceira Taça
A terceira taça de vinho é tomada após a refeição. È a taça da redenção, que nos faz lembrar do sangue derramado do Cordeiro inocente que trouxe nossa redenção do Egito. Vemos que Yeshua tomou a terceira taça em Lucas 22:20 e em I Coríntios 11:25, “Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim”. Essa não foi simplesmente uma taça qualquer; foi a taça da redenção da escravidão para a liberdade. Essa é a nossa taça da Santa Ceia.
A Quarta Taça
A quarta taça é a Taça de Hallel (ou halel). Hallel, em hebraico, quer dizer "louvor," e vemos na bela Oração Sacerdotal de João 17, que Yeshua usou seu tempo para louvar e agradecer ao Senhor no fim do Sêder pascal, sua última ceia. O Cordeiro Pascal imaculado tinha louvor em seus lábios quando estava a caminho de Sua morte.
A Taça de Elias
Um lugar estabelecido permanece vazio para o profeta Elias, o convidado de honra em cada mesa pascal. Os judeus esperam que Elias chegue na Páscoa judaica e anuncie a vinda do Mashiach (Malaquias 4:5). Então, um lugar é reservado, enche-se uma taça com vinho e os corações ficam na expectativa de que Elias venha e anuncie as Boas Novas. No final da refeição pascal, uma criança é enviada à porta para abri-la e ver se Elias está lá. Todos os anos, a criança retorna desapontada e o vinho é derramado fora sem ser tocado. Meu povo espera e anseia pelo Mashiach – eles não percebem que o Mashiach já veio, mas os de nós que crêem em Yeshua sabem que é dele de quem o profeta falou. Ele é o Cordeiro Pascal imaculado e sem defeito, cujo corpo foi partido por nós, cujo sangue foi derramado e que agora vive para dar Sua vida a todos nós que colocarmos Seu sangue nas ombreiras e na verga de nossos corações e que passamos da morte para Sua vida eterna.
Texto adaptado e acrescido por Metushelach de Texto publicado em http://www.povoescolhido.com.br/index.php?id=92