ANÁLISE
DO LIVRO DO PROFETA JOEL
Introdução
Temos
poucas informações sobre o autor do Livro, apenas sabemos o seu
nome que vem da frase: “para mim YHWH é D-us”, reduzida para Yo
- El, e o nome de seu pai, Petuel que provem da junção de duas
palavras, uma da raiz patah que significa alongado, aberto, ampliado
e o termo El que como já citado seria a designação para D-us,
tomando portanto nesta junção o sentido de ampliado em entendimento
por D-us.
O período
de sua atuação do profeta também não é especificado, mas é
comumente aceito como meados do nono século entre 875 A.E.C. e 835
A.E.C. dentro do reinado de Jóas de Judá.
Joel
1:1-3 “Palavra do SENHOR que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.
Ouvi
isto, vós, anciãos, e escutai, todos os moradores da terra:
Aconteceu isto em vossa mocidade? ou algo assim nos dias de vossos
pais? Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos
filhos, a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração.”
Nestes
versos notamos que algo está acontecendo, e é tão dramático que o
profeta questiona aos mais velhos se eles haviam visto algo parecido
quando eram jovens ou se ouviram de seus pais algo tão relevante, e
tamanha era a importância do fato que deveria fazer parte da
transmissão oral de geração em geração assim como os
acontecimentos na Saída do Egito, ou seja, não é apenas uma
mensagem profética para um futuro imediato ou para os tempos do fim,
era algo que estava assolando o reino do sul naquele instante, e
segundo a tradição tal fato foi como se segue nos versos
posteriores, ou seja, uma tão grande praga de gafanhotos que os
efeitos de destruição e fome foram sentidos por longos anos em
Judá.
Joel 1:4 O
que ficou da lagarta (gafanhoto cortador)(גָּזָם
– Gazam), o comeu o gafanhoto (gafanhoto migrador)
(אַרְבֶּ֔ה – Arbeh),
e o que ficou do gafanhoto, o comeu a locusta (Brugo, gafanhoto
devorador)(יֶּ֔לֶק – Yelek),
e o que ficou da locusta, o comeu o pulgão (gafanhoto
destruidor)(חָסִֽיל – Hasil).
A Bíblia
e a literatura talmúdica descrevem a praga dos gafanhotos como uma
das piores visitas a acontecer em Israel. Sua gravidade e extensão
variavam de tempos em tempos, uma das mais severas pragas ocorridas
nos dias do profeta Joel, que dedicou a maior parte de sua profecia a
ele. Suas descrições precisas do desenvolvimento, varredura e dano
dos gafanhotos foram confirmadas na praga extremamente séria de
gafanhotos que visitou a Terra Israel em 1915, quando as colheitas
foram totalmente destruídas na maior parte do país.
Durante a
praga, o gafanhoto passa por várias metamorfoses, desde a larva até
a fase adulta, sendo os estágios de seu desenvolvimento dados em
Joel (2:25) nas expressões יֶלֶק (
yelek ), חָסִֽיל (Chasil ), גָּזָם
( gazam ) e אַרְבֶּה (
arbeh ) sendo este último estágio, o de maturidade.
Depois de
fertilizada, a fêmea deposita um conjunto de ovos em um buraco que
faz no chão, destes ovos surgem larvas escuras e sem asas, do
tamanho de formigas minúsculas, sendo estas o Yelek, uma palavra
aparentemente ligada a לָקַק,
"lamber", pois neste estágio as larvas lambem a tenra
vegetação do campo, o Yelek cresce rapidamente e como sua epiderme
não se torna maior, ela a expele em vários estágios de
crescimento, durante os quais a sua pele muda de cor.
O próximo
estágio, durante o qual sua pele é rosada, é o Hasil, cuja
palavra, da raiz חסל, refere-se à
destruição total da vegetação do campo, pois nesse estágio
consome enormes quantidades para a sua maturação;
Agora
troca sua pele duas vezes, cresce asas curtas e se torna o Gazam, e
neste momento, quando não resta mais vegetação no campo, ela
"corta" (sendo esse o significado de גָּזָם)
e mastiga a casca das árvores com suas poderosas mandíbulas; como
Joel (1: 7) diz: "ele a fez (a figueira) completamente nua ...
os seus ramos são embranquecidos"; e Amós (4: 9): devora "seus
jardins e suas vinhas e suas figueiras e suas oliveiras".
Finalmente,
depois de lançar uma epiderme adicional, ela se torna a Arbeh de
asas longas, totalmente crescido, a fêmea de cor amarela que está
apta a botar seus ovos e migrar em grandes enxames, de onde provém o
significado da raiz אַרְבֶּה .
Esse ciclo de desenvolvimento dos gafanhotos se estende da primavera
até junho, quando os enxames de gafanhotos retornam ao seu local de
origem ou são soprados pelo vento para o Mediterrâneo ou o Mar
Morto (Joel 2:20).
Na
literatura talmúdica, gafanhotos são incluídos entre os desastres
para os quais o alarme da buzina de carneiro (shofar) soou e logo um
enxame se fez presente (Ta'an. 3: 5). Uma praga de gafanhotos trouxe
fome, às vezes até nos anos seguintes, devido aos danos causados às
árvores frutíferas. Não havendo outra fonte de alimento, o povo
recolheu os gafanhotos, secou e os preservou como alimento. O Mishnah
cita opiniões divergentes sobre se a bênção "pela qual todas
as coisas existem" deve ser dita ao comer gafanhotos (no Mishnah
גּוֹבָי ( govai ); Nah 3:17), uma
visão sendo que, uma vez que "é da natureza de uma maldição,
nenhuma bênção é dita sobre ela" (Ber. 6: 3). Nos tempos
antigos, no entanto, eram considerados uma refeição frugal e
especialmente associada ao ascetismo, como quando João Batista comeu
apenas "gafanhotos e mel silvestre" (Mateus 3: 4; Marcos 1:
6). Alguns judeus iemenitas ainda comem gafanhotos fritos. Nos
últimos anos, enxames de gafanhotos às vezes visitavam países
vizinhos de Israel, freqüentemente originários da África e da
península Arábica, mas os métodos modernos conseguiram destruí-los
a tempo, borrifando o ar ou envenenando o solo.
Bibliografia:
Lewysohn,
Zool, 285ss., 370; Whiting, em: National Geographic Magazine , 28
(1915), 511–50; FS Bodenheimer, Studen zur Epidemologie, Oekologie
und Physiologie der afrikanischen Wanderheuschrecke (1930).
bibliografia: Feliks, Ha-Ẓome'aḥ, 209.
Jehuda
Feliks
Enciclopédia
Judaica Feliks, Jehuda
Notemos
que conforme explicações da Enciclopédia acima, os termos para
designar os quatro estágios de ataque à plantação não se referem
à insetos diferentes, mas sim à etapas do desenvolvimento
especifico de determinado inseto, ou seja, as quatro fases da vida de
um gafanhoto conforme se segue:
Começando
após eclosão dos ovos do gafanhoto, numa aparência de larva (Yelek
= יֶלֶק )
Depois
como ninfa sem pernas saltadoras e sem asas (Chasil = חָסִֽיל)
Depois
como adulto incompleto já com pernas saltadoras mas com mini-asas
(Gazam = גָּזָם)
Por fim
como adulto completo com asas que lhes permitem migrar (Arbeh =
אַרְבֶּה)
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FASES DE DESENVOLVIMENTO DO GAFANHOTO |
Por algum
motivo o profeta listou a ordem dos ataques no verso 4 divergindo das
etapas naturais de desenvolvimento do gafanhoto, sendo que também
seria possível outra ordem começando com o estágio mais
desenvolvido que migra em seu ataque inicial e posteriormente põe
seu ovos, que mais tarde eclodem dando continuação aos ataques em
sequência, mas nenhuma destas ordens foi seguida fazendo-nos deduzir
que o profeta por inspiração divina se utiliza de uma ordem de
ataques não dos gafanhotos de forma literal mas sim em forma
criptografada, oculta fazendo referência a ordem das nações
inimigas que num futuro não tão distante dos acontecimentos da
época iriam uma após outra devastar a terra de Israel, e os nosso
sábios fazem as devidas ligações conforme segue:
Gazam =
גָּזָם no sentido de roedor,
cortador voraz que não deixa nada de pé, que em sua voracidade come
as cascas dos galhos e os esbranquece por falta de nutrientes, que
ataca as árvores frutíferas primeiro e depois arrasa o solo, e esta
descrição se encaixa perfeitamente à descrição do Império
Assírio que
primeiramente ataca á Efraim “frutífero” acabando com o Reino
do Norte, e que depois com tamanha voracidade acaba com as rotas de
comércio de alimentos do reino do sul “esbranquiçando” suas
cidades sem nutrientes, e por fim arrasam o solo das cidades atacadas
com fogo e sal. Somente a capital Jerusalém com sua fortaleza de
grandiosos muros resiste aos ataques dos Assírios que na figura de
Senaqueribe faz um cerco de 15 anos.
Arbeh =
אַרְבֶּה no sentido de multidão,
migrador tem sua estrutura totalmente desenvolvida, com suas grandes
asas rapidamente cobre o campo, o ataque é devastador não só pela
força de suas mandíbulas que tudo tritura, mas pelo contingente
enorme onde a luz do sol até se escurece pela nuvem que se forma,
mas apesar de ser grande, o ataque não consome as pequenas ervas e
gramíneas por tais não interessar nesta fase do desenvolvimento,
notamos que tal descrição se encaixa perfeitamente aos Impérios
Babilônico e Medo-Persa, pois ambos formaram os maiores
contingentes de ataque da época, adentraram em Judá como uma nuvem,
o Templo rapidamente foi saqueado e destruído, os guerreiros do
exército de Judá foram rapidamente abatidos no campo de batalha mas
não obstante a isso os não guerreiros como os mais pequenos e
fracos homens da corte dados ao estudo e ao sacerdócio foram
deportados vivos para os cativeiros Babilônico e depois na corte
Medo-Persa que na figura de Ciro e Dario permitiram o retorno e
reconstrução posteriores de Jerusalém e do Templo.
Yelek =
יֶלֶק no sentido de lamber, mamar,
drenar, devorar, pois no estágio de larvas o ataque é feito próximo
à raiz, primeiro da pequenas gramíneas depois dos arbustos e por
fim em árvores maiores, e como o ataque consiste em drenar a seiva o
que vai resultar na improdutividade e morte da planta de forma lenta,
que quando ficar visível já será tarde para algum contra-ataque
dos que cuidam do campo, e assim sem ser visto, o campo vai sendo
devorado, e tal “modus operandi” nos leva a fazer a ligação com
o Império Greco-Macedônio, que principalmente na atuação
de Antíoco IV “Epífanes” na região da Judeia foi visto como
devorador, pois além de saquear, sobrecarregar com elevados
impostos, incutiu dura perseguição ao modo de vida judaico, indo na
raiz da fé judaica que é o estudo e preservação da Torah – Lei
de D-us, que por anos foi proibido, com pena de morte aos infratores,
a proibição também se deu na identificação do pacto do povo
judeu, ou seja, na circuncisão, junte-se tais proibições com a
constante helenização (modo de vida grego) e ai temos o cenário
ideal para que os pequenos e médios cidadãos da judeia tenham suas
raízes atacadas e a sua seiva drenada, e quando os sacerdotes e
lideres se aperceberam, os estragos para improdutividade intelectual
e morte espiritual já estavam feitos, além do centro da fé judaica
também ter sido atacado, tendo em seu altar um porco sacrificado.
Mas assim como se livra das larvas no campo com fogo e muito esforço
assim também se deu na Judeia, ou seja, na base da força e da
resistência armada dos Macabeus os gregos foram rechaçados e o
Templo retomado e rededicado (Chanuká) ao Senhor.
Chasil =
חָסִֽיל tem o sentido de
destruidor, pois neste estágio de transição de larva para ninfa, o
gafanhoto precisa de muito nutriente pois muda de exoesqueleto e pele
por diversas vezes, o que demanda muito alimento e assim tudo que
sobrou do estágio anterior é atacado, tanto as raízes, caule,
folhas, frutos e por fim o que está ao chão já em decomposição
pode ser usado como fonte de nutrientes, e como nesta etapa são os
mais fortes da etapa anterior que sobreviveram, são os mais vorazes
e esfomeados que se espalham por todo o campo ainda sem velocidade
mas de forma metódica e constante vão dominando e destruindo tudo e
é neste sentido que o Império Romano se enquadra na
descrição, pois os mais fortes e mais preparados são os que
expandem o Império, consumindo todas as fontes de sustento,
tributando duramente seu vassalos, paulatinamente se espalhando e
dominando, e quando há algum levante ou revolta a resposta é a
destruição, e não atoa que no ano 70 D.E.C. depois de rechaçar
diversas revoltas judaicas o Tempo por fim foi saqueado, destruído
ao ponto de não restar pedra sobre pedra, e no ano de 132 D.E.C.
todos os judeus foram escorraçados da Judeia e Jerusalém mudou de
nome para Aelia Capitolina sob domínio totalmente Romano com
proibição de entrada de Judeus, se dando assim a total destruição
da nação de Israel sobre seu território até que em 1948
milagrosamente ressurgiu.
Por Metushelach Cohen
Sempre fomos ensinados que era uma maldição, pastores ensinam que se não der o dízimo, estes gafanhotos vem sobre as finanças do povo, agora sei que não são gafanhotos, mas um gafanhoto somente.
ResponderExcluirShalom chaver! Gostei muito do estudo. Tanto que utilizei parte dele para um estudo que produzi, se não se importa. Fiz as devidas citações e referenciei na bibliografia ao final.
ResponderExcluirQue o Eterno o abençoe.
Amei. Que o Eterno o abençoe
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