שמע ישראל י-ה-ו-ה אלקינו י-ה-ו-ה אחד
Shemá Yisrael Adonai Elohêinu Adonai Echad

sábado, 8 de janeiro de 2011

O princípio de justiça da Lei do "Olho por Olho".

Ao que te ferir numa face, oferece-lhe, também, a outra; e, ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses (Lc 6:29).


Olho por olho, dente por dente e ferir a face e virar a outra são na verdade expressões judaicas, que no pensamento ocidental passaram a ter outro sentido, muitos entendem que essas expressões se referem à questão de violência e usam no sentido de vingança, sendo que na verdade é exatamente o contrario.
Até mesmo a conhecida lei de talião tem o mesmo princípio de justiça oriental e não de vingança ocidental.

Yeshua (Jesus) é bastante enfático em dizer que o principio da lei de D-us é o amor e justiça. Ele a todo tempo reafirma que não devemos pagar o mal com o mal e sim com o bem.

Olho por olho e dente por dente se refere a leis indenizatórias, ou seja, se a alguém for lesado no olho, tal deve ser compensado com algo que corresponda ao valor que o olho lhe fará falta na manutenção de seu sustento.
As leis indenizatórias servem para colocar limites e estabelecer justiça. Quando se fala olho por olho é no sentido que se eu emprestei algo de alguém eu tenho que devolver-lo exatamente da forma que peguei. Se uma pessoa empresta uma ferramenta e esta por algum motivo se quebra ou se extravia, é dever portanto comprar outra ou pagá-la ao emprestador com alguma coisa que corresponda ao valor de tal ferramento.
Vejamos um exemplo nas Escritura: "E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar ali. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derribando um deles uma viga, o ferro caiu na água: e clamou, e disse: Ai, meu senhor! porque era emprestado. E disse o homem de D-us: Onde caiu? E, mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez nadar o ferro. E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou. (II Reis 6:1)
O profeta Eliseu conhecia muito bem essas leis indenizatórias, ele havia pego um machado emprestado e quando foram utilizá-lo, caiu dentro d'água, ele sabia que de tinha que devolver o machado ou pagar com outra coisa que corresponderia o mesmo valor e por isso clama demostrando sua preocupação.


"Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta." (Lamentações 3:30)
O principio da expressão dê a face ao que o fere é exatamente não pagar o mal com o mal e sim com o bem. Raciocinemos, não pode ser aplicado no sentido literal de que quando a pessoa lhe bater no rosto, temos que virar para se bater no outro lado. Até porque segundo a Bíblia quando uma pessoa vem para lhe agredir fisicamente, o não se defender é pecado. Se você vê uma pessoa sendo agredida e não faz nada para defendê-la você também está compactuando com a agressão.

"Não desconsideres o sangue de teu próximo." (Levitico 19:16)
A vingança não cabe ao homem praticar com as próprias mãos, pois somente D-us é o justo juiz para julgar e dar a devida sentença a cada um. A Tanach ou mais conhecida com "velho testamento" é considerado por muitos como um livro sangrento de guerras e conflitos, porém grande parte das pessoas que pensam desta forma não entende o contexto no qual foi escrito e nem sua implicações espirituais.

"Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo, como a ti mesmo: Eu sou o Senhor." (Levitico 19:18)
O dito "antigo testamento" não ensina ódio e muito menos a fazer guerra, o conflito existente era porque os filhos de Abraão estavam reivindicando um direito da posse da terra dada pelo o próprio D'us. Ao ponto que a maioria das guerras o próprio D-us ia à frente das batalhas fazendo justiça em defesa da integridade de seu povo.

Yeshua deixa bem claro no dito "novo testamento" que o sentido da lei de olho por olho não é revidar uma agressão do seu próximo.
O principio dos ensinamentos da lei de D-us ensinada por Yeshua era o amor a D-us sobre todas as coisas e o amor a próximo como a si mesmo. Ele está categoricamente afirmando no evangelho de Lucas um mandamento antigo da Toráh ensinado por Moises, quando uma pessoa vem lhe fazer um mal com a intenção de humilhar, é ensinado que não devemos retribuir da mesma forma, mas pelo o contrario, quando alguém lhe pedir para andar uma milha, ande duas, quando alguém lhe pedir o vestido, também lhe dê a capa. (Existia na época de Yeshua uma lei do império romano de que um centurião podia pegar um judeu no período de um dia e obrigá-lo a trabalhar para ele de graça, essa era uma forma dos romanos humilharem o povo judeu. Yeshua esta falando que diante deste procedimento não deveria haver uma atitude revoltosa e nem tentar praticar justiça com as próprias mãos, pois a justiça e a vingança vêm da parte de D'us. (Dt. 32:35, Hb. 10:30)

O que poucas pessoas sabem que o principio de alguém lhe ferir a face e virar a outra é o mesmo que dente por dente, olho por olho. A Toráh ensina que não devemos pagar o mal com mal e sim o mal com bem, quando dizemos olho por olho não é no sentido de violência e nem de revidar uma ofensa ou agressão do outro, olho por olho significa andar em justiça.

Em Gênesis 12.3b que diz "e em ti serão benditas todas as famílias da terra." este versículo se cumpre além do já conhecido contexto da salvação pela pregação do Evangelho, se cumpre no papel daqueles que guardavam e viviam a Toráh, pois após a segunda diáspora os judeus foram espalhados por todo o mundo e suas vidas baseadas nos princípios de justiça e misericórdia influenciaram de forma unânime as legislações e constituições pelo mundo Ocidental, seja de forma direta, legislando propriamente ou indireta, assim quando vemos que O Estado pune os maus com determinadas penas, vemos estampado ai o princípio do Olho por Olho no seu contexto judaico de impetração de justiça, e não no contexto ocidental de vingança.

Nos que vivemos em um Estado democrático, podemos ver que tanto a Constituição como as demais legislações punem com justiça e não com vingança, pois um ladrão ao furtar algo, ele tem a sua pena primária regendo a devolução do bem furtado ou a indenização do mesmo valor do bem mais indenização por outros tipos de danos como morais por exemplo, mas em nossa realidade esta parte da lei foi relegada a segundo plano, tendo o encarceramento como o mais rápido método de punição, mas podemos ainda ver a existência de penas sócio-educacinais, na qual o infrator tem que prestar serviços comunitários e doar cestas básicas para comunidades carentes.



O que pretendemos dizer com este relato é que nós temos vivido os princípios da Toráh em nossos dias e nem nos damos conta disso, pois a cada infração que é julgada e condenada vemos a justiça sendo feita, vemos que se formos submissos a tais leis não seremos injuriados como Shaul (Paulo) relata em Romanos 13.1-7 "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de D-us; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de D-us; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de D-us para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de D-us, vingador, para castigar o que pratica o mal.É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de D-us, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.".

Adaptado e acrescido por Metushelach Ben Levy
de Texto originalmente feito por  Giliardi Rodrigues.

7 comentários:

  1. Olá, tenho uma pergunta a fazer sobre o que vc comentou abaixo:

    Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.(Lamentações 3:30)
    O principio da expressão dê a face ao que o fere é exatamente não pagar o mal com o mal e sim o mal com o bem. Não pode ser aplicado no sentido literal de que quando a pessoa lhe bater no rosto, da à outra para se bater também. Até porque segundo a bíblia quando uma pessoa vem para lhe agredir fisicamente, não se defender é pecado. Se você vê uma pessoa sendo agredida e não faz nada para defendê-la você também está compactuando com a agressão.

    Em que lugar da bíblia posso me respaldar pra afirmar que NÃO defender-me de uma agressão física é pecado?

    Se vc puder, por favor me envie a resposta para esse email: lilika-freitas@hotmail.com

    obrigada.

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  2. Oi amigo, por favor! seria uma ajuda e tanto vc me responder aonde posso encontrar o texto pra me respaldar na pergunta que te fiz anteriormente, sobre ser pecado o fato de não defender-me de uma agressão física.

    Obrigada.
    lilika-freitas@hotmail.com

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  3. Lilika Freitas,

    Desculpe pela demora.

    A resposta a sua pergunta não é textual, isto é, um versículo pontual, mas sim uma resposta contextual, que leva em consideração todo o contexto bíblico, e suas implicações culturais e históricas.
    Assim como não consta na bíblia um texto pontual sobre ser pecado fumar, sabemos contextualmente que esta prática é contrária a preservação da saúde física, portanto é uma ação autodestrutiva, e neste mesmo pensamento que podemos afirmar que se nos deixarmos ser agredidos também é pecado, pelo fato de estarmos permitindo uma ação destrutiva contra o nosso físico.

    Vamos à contextualização bíblica, conforme Gênesis 1.26-27, fomos criados a imagem e semelhança de D-us, e segunda a tradição judaica, é isso que nos diferenciam dos animais, e nos coloca num patamar elevado que merece respeito, por termos, tanto o justo como o injusto, a similitude com o nosso Criador e em certo grau a sua imagem, e vemos isso no seguinte versículo Gênesis 9.6 “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.”, e a essência deste versículo serve tanto para ao se praticar a agressão à outro, como ao se permitir ser agredido.

    Quando ouvimos a frase “ mas amarás o teu próximo como a ti mesmo” conforme Levítico 19.18, Mateus 19.19 e 22.39, pensamos principalmente na carga emocional de amar o inimigo, mas esquecemos que temos que amá-lo de algum jeito, e que jeito é este? A resposta é: do mesmo jeito que nos amamos, isto quer dizer que o mandamento é duplo, isto é, para amarmos o nosso próximo temos que amarmos a nós mesmos primeiro, sendo assim temos que ter em mente que ao nos amarmos nós nos protegeremos e no defenderemos de agressões, no mesmo compasso que não infligiremos agressões ao nosso próximo, e este mesmo principio é encontrado em Efésios 5.28-30, que faz referencia ao amor que um marido tem que ter pela esposa, mostrando assim que ama a si mesmo (v. 28), pois ambos são uma só carne no matrimonio, no verso 29 vemos que todos os seres humanos nascem programados instintivamente para auto-preservação, tanto que se alimentam e se cuidam, semelhantemente ao cuidado que o Mashiach tem por sua Igreja.

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  4. Outro ponto que merece comentário é referente aos Salvos pela Fé no Mashiach, pois como Salvos conforme I Coríntios 6.19, não somos mais de nós mesmos, portanto devemos prestar contas do que é feito até mesmo com o nosso corpo ao qual apenas habitamos como hospedes, “ou como diz a cristandade: mordomos”.
    Mas além do corpo não ser nosso, ele é o Templo da Ruach HaKodesh (Espírito Santo), conformo o verso acima e I Coríntios 3.16-17, e se nos tempos bíblicos o Santo Templo era muito bem protegido temos que proteger o atual Santo Templo, a saber, nós mesmo.

    Em resumo sempre que nós corrermos algum tipo de risco, ou vermos alguém correndo risco de morte temos a obrigação de agirmos em pró da vida.
    Nesta assunto ainda cabe a questão da morte por legitima defesa, na qual pela preservação de nossa vida e ou de nossos familiares acabamos matando o agressor, segundo a Toráh conforme Êxodo 21.13 e Números 35.9-34, se houver morte sem premeditação, cilada e ódio, o homicida não será morto mas terá que viver numa das 6 cidades estabelecidas para refugio até a morte do Sumo-Sacerdote, vemos nisso que existe um tipo de homicídio que não merece a morte, portanto não lhe é imputado pecado no mesmo grau de um assassino contumaz.

    Mas o que dizer então dos textos de Lamentações 3.30 e Lucas 6.29, que falam de dar a outra face?
    A questão em se dar a outra face, se distingue da preservação da vida, pois vemos no contexto das passagens que a situação em foco é a humilhação e não agressão para morte, a diferença está exatamente ai, pois na passagem de Lucas, o Senhor está se referindo a humilhação imposta por um dominador, isto é, um soldado romano, que para humilhar os povos dominados, lhe causava escândalo público, lhes esbofeteando, lhes tomando os bens, lhes escravizando por um dia, neste mesmo sentido Shaul (Paulo) escreve em suas cartas que devemos suportar tais provações pois no fim seremos consolados, vemos isso também em I Pedro 2.18-25, principalmente no verso 20, que fala das aflições que nos humilham e devem ser suportadas por serem agradáveis a D-us.

    Concluímos então que temos que nos defender de agressões que podem nos causar morte, pois nossa vida valeu o sangue do Mashiach, e devemos suportar humilhações pois a nossa conduta pode converter nossos agressores.

    Fique na Shalom de Yeshua HaMashiach.

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  5. Me fez lembrar de alguns personagens bíblicos como Estevão e o próprio Ap. Paulo que mesmo sofrendo agressões e até a morte pelo evangelho de Nosso Senhor Yeshua não deixaram de testemunhar até o fim. De fato, aqui reside a causa maior de nossas vidas: sermos testemunhas de Yeshua e seu reino vindouro. Sim, injustiçados por este mundo, mas justificados pelo Senhor. Aqui nos tornamos excusáveis.
    Que causa nobre, não! Vejo aqui, de certa forma humilhação, por parte dos homens, mas honra por parte de Deus.
    Isso com certeza difere de entregarmos nossas preciosas vidas a uma morte prematura por motivo torpe ou imprudência, creio eu, motivado pelo domínio do pecado em nossas vidas.

    Desculpe, Estou um pouco cansado para tecer um comentário mais rebuscado e com citações do texto Bíblico.

    Um abraço
    Shalom

    Luiz Augusto
    Floripa/SC

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  6. Caro Luiz, como sempre ficamos felizes por suas considerações, partecipe sempre, seus comentários são muito edificantes.

    Shalom.

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  7. Obrigado pelos esclarecimentos, pois já ouvi muitas pregações que falam de dar a outra face mais literalmente.
    Creio que falta em alguns pregadores uma meditação mais profunda e um estudo mais apurado, buscando informações em quem conhece a torah.
    Sou professora e sobre mim está o peso de ensinar corretamente, pois a própria palavra nos adverte a quem muito e dado muito será cobrado.
    Um abraço,
    Shalom

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